chickporn: entreterimento erótico para mulheres

Cada vez mais presentes em um mercado antes predominantemente masculino, elas impõem novas linguagens ao erótico e provam que o pornô, posto que sexo, também é coisa de mulher.



Mas como se explica que na Inglaterra, o número de mulheres que baixa pornografia na internet cresceu cerca de 30% e que no Brasil, em cinco anos, o canal a cabo Sexy Hot verificou um aumento de 40% para 51% no número de assinantes mulheres? E quanto ao boom de lojas especializadas em apetrechos sexuais, último dos lugares onde encontraremos um homem hetero? Mulheres não gostam de pornô? Percebam, sociedade é movimento constante de relações e de mudança de relações, temos hoje novas demandas, nosso século... ora, nosso século é um império dos desejos e estamos por aqui encontrando novos modos de exercê-lo. Mulher gosta de sexo e, se no pornô tem sexo, é certo que lá estarão elas, devidamente excitadas, no meio dele. Viva!

As mulheres estão ávidas por explorar o entretenimento erótico e criar nele uma linguagem que lhe seja própria, reflete Erika Lust, sueca, uma das pioneiras do cinema pornô direcionado para o público feminino. Ela acredita que, antes de filmes como os seus, seria impossível imaginar o que vemos hoje: homens estimulando suas parceiras para que se juntem a eles na diversão de assistir um filme adulto, produções bem cuidadas e que explorem o sexo dentro de um contexto, ou mesmo cenas com atrizes de peitos reais.

chickporn erotismo erotico mulheres

chickporn erotismo erotico mulheres

O desenvolvimento do mercado iniciou-se com o chamado cinema erótico para mulheres inaugurado nos anos 80 pela diretora e ex-atriz pornô Candida Royalle, seguida por figuras como Erika Lust (ex-cientista social) onde o foco eram as situações cotidiano-cômicas (mulher atende o entregador de pizza achando que ele queria seduzi-la mas, na verdade, ele esquecera o capacete) ora revanchistas (mulher é traída pelo marido com melhor amiga e resolve dar uma festinha reunindo todos amigos dele do futebol). Hoje o seguimento foi rebatizado, tem-se o chickporn cuja principal potência é a “The Romance Series”, ramo fêmea da produtora “New Sensation”; investindo pesado em histórias românticas, verdadeiros livros Bianca e Julia tornados filme, que são estreladas por nomes da elite pornô norte americana como Tori Black. O comportamento feminino é relacional, as mulheres se constroem umas às outras de forma mútua, sócio-culturalmente, através da comparação. Observam as outras; sua mãe, a amiga, a capa da Marie Claire. Essa audiência promissora, oriunda da classe média e da classe média alta, quer se identificar com os enredos, quer atrizes que realmente demonstrem gostar do que fazem – teoricamente esvaziando a mecanicidade do sexo-pago, do sexo-trabalho – que demonstrem poder, liberdade, coisas novas, didáticas e realizáveis. Que o cunilingus seja demorado, é essencial. Tudo isso nada menos é do que revolucionário de tornar o sexo explícito “palatável” para as mulheres significa a criação de uma nova linguagem estética que atenda a uma demanda já há tempos interessada no assunto, mas intimidada com as restrições e gosto duvidoso daquelas maquiagens. O pornô no mainstream tem deixado as coisas cada vez mais interessantes, mais refinadas. Finalmente elas também poderão gozar de tão deliciosas películas.



priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
Saiba como escrever na obvious.

deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
v5/serka,eros,erotismo,lust,mulher,newsensations,porno,pornografia,artes e ideias,eros
Site Meter