
A clássica forma de entretenimento teria seus dias contados desde a aparição do precoce artista. Nascido em 1919, em uma família de músicos, o americano Walter Valentino Liberace revolucionou a cena clássica musical, com intensa originalidade e estilo, com os quais conquistou milhares de fãs nos Estados Unidos e no mundo.
Aos 11 anos seu excepcional talento ao piano despontou em solos, acompanhando importantes orquestras. Mais tarde, já famoso como pianista, Liberace rompeu com a escola tradicional da arte, dando nova roupagem à música popular, concedendo-lhe arranjos inusitados. Talvez por achar tudo muito monótono dentro da cena musical clássica, possuía uma evidente ânsia por inovar. Talvez para se destacar, Liberace foi um tanto genial, ao inovar. De qualquer maneira causou impacto, causou polêmica, foi considerado “esquisito” por uns, “impróprio” por outros. Mas nada ofuscou ou interrompeu suas ousadas e surpreendentes performances. Seguiu em frente aplicando todo o seu potencial artístico no palco, com um selvagem luxo e exuberância, onde o cômico, o criativo e romântico davam as mãos. Nascia o showman Liberace, criando uma nova forma de entretenimento. Sua popularidade cresceu não somente pelas suas apresentações, mas também pela excentricidade de suas roupas, quase majestosas, imprimindo-lhe intensa personalidade. Extremamente carismático para o público, tornou-se um ícone popular, marcando uma nova era no show business.
De acordo com alguns jornalistas e entusiastas do artista, assistir a um show de Liberace era como entrar em um ostentoso templo, onde todas as artes se encontravam. Suas aparições eram caracterizadas por uma verdadeira explosão dos sentidos: cores, luzes, movimentos e sons em shows extraordinariamente inspiradores. Uma reverência a todas as artes. Ele resplandecia razões para apreciá-lo. Era um exibicionista. E o sabia ser, pois adorava ser. Do alto do palco, e de toda sua elegância exótica, ele era. Sempre.




Sua fama o levou a apresentar um programa semanal na televisão americana. Participou do antigo seriado “Batman”, no papel de um vilão, e fez aparições no Cinema. Com o passar dos anos, seu brilhante desempenho como pianista o fez ser chamado de “o "Liszt de Las Vegas”, cidade que ostenta o famoso Museu Liberace, inaugurado em 1979 – onde estão expostos alguns dos mais interessantes pertences do artista. No auge de sua carreira chegou a ganhar cinco milhões de dólares, anualmente, quantia nunca antes alcançada por um musicista na época, oportunidade com a qual adquiriu patrimônios de alto valor, como mansões luxuosas.
Como colecionador nato Liberace apreciava antiguidades, principalmente carros e móveis, tendo em seu acervo pessoal um piano que pertenceu a Chopin. O artista jamais assumiu uma suposta homessexualidade, chegando a processar alguns jornais por lançar tal idéia. Publicou sua autobiografia no ano de 1973. Morreu em sua mansão na Califórnia aos 67 anos, por complicações causadas pelo vírus da AIDS, no ano de 1987.
Liberace foi ilustre e inesquecível como showman, influenciando vários outros artistas que o enxergariam como um homem de uma “originalidade escandalosa”, como afirmou o cantor e compositor Elton John, em uma entrevista de 1971, em Vancouver.
O legado deixado por Liberace é a admiração pela sua ousadia em entreter com originalidade e viver com intensidade, influenciando não somente a cena tradicional da música, mas também o pensamento tradicional de toda uma geração.
Comentários
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Eliana Ribeiro
Sendo fã do Elton John, sempre tive curiosidade sobre a razão de suas aparições tão coloridas. Agradeço o excelente artigo que, com leveza e linguagem objetiva, traz-nos à lembrança um dos ícones de seu tempo.
Mari
Mandou muito bem! Parabéns pelo artigo!
Pedro Funchal Teixeira
Ótimo texto! Bastante apaixonado.
Eu que não conheço o artista pude ter uma ideia da importância que ele tem para os fãs e que teve para a cena musical da época.
João Ferreira
O cara era uma bixona, certeza! hahaha
Renata Verri
De fato Liberace sempre causava "suspeitas" por seus exageros e suas aparições extremamente coloridas.
Para a época, assumir este lado, com toda certeza seria um escândalo, o que poderia comprometer sua carreira.
Mas não podemos negar sua criatividade e originalidade escandalosa e por seu amor pelo público.
Natália Gomes
Parabéns pelo artigo!!
Glaucia
Confesso minha ignorancia em não conhecer Liberace.
Contudo achei o artigo muito interessante, pois de forma objetiva, descreveu-o muito bem.
Com certeza ele serviu de inspiração para muitos artistas, inclusive aqui do Brasil.
Viviane dos Santos
Porque a cultura pop tem sim suas referências e seus ícones máximos. É um privilégio quando encontramos algum rastro destes em meio ao caos desta nossa pós-modernidade. Obrigada por compartilhá-lo!
Ricardo Gonçalves
hahaha Liberace foi realmente inspirador. Apesar de seu lado afeminado, ele encantava com seu carisma e performance.
Elienai Araújo
Para quem até então não conhecia o artista Liberace, e este foi o meu caso, foi uma ótima apresentação: objetividade e informação na quantia certa.
Sem dúvida esse artista foi um mestre em sua arte, em sua capacidade de levar o entretenimento a um patamar elevadíssimo.
É de artistas assim que precisamos hoje em dia.
Parabéns pelo texto! Obrigado por me apresentar ao universo de Libarace.
Lucca Rico
Um grande músico com certeza, mas odeio qualquer coisa que seja exagerada.
Beth
Chique o piano dele heim?!
Otto
Não, ele não era gay. Ele era italiano.
Acho até que influenciou Walter Mercado.
O barroquismo da alma e a megalomania de fato foram características presentes nos anos 70, 80 e 90, quando a poluição imagética começou a cansar os olhos. O espetáculo, as plumas, o carisma... Será que isso tudo não é ilusão para os olhos? Se tirarmos cada um desses itens, resta apenas um bom intérprete ao piano, não?
Enfim, ele até foi um gênio, não da arte, mas do entretenimento.
Vânia Santos
Ah bicha má!!! Adogo!
Artigo excelente, informativo e ao mesmo tempo envolvente, me persuadiu, virei fã !!!!!
Andrea
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