obvious

in english

reinterpretando a história - parte 2 - robert charroux

publicado em recortes por | 22 comentários

Vida para além da morte, universos paralelos, Deus, segredos enterrados, continentes perdidos, virgens negras. Para além de partilhar com Erich von Däniken a teoria dos antepassados astronautas, Robert Charroux é o mestre da pseudo-ciência. Mergulhe nos mundos esquecidos pela História e num "si próprio" muito maior que os limites dérmicos do seu corpo.

robert charroux
Robert Charroux foi, por algumas vezes e por determinados grupos e indivíduos da ciência mainstream, considerado um louco. Sabemos, porém, que “a ciência não averiguou ainda se a loucura é ou não a mais sublime das inteligências”, conforme constatou o escritor e poeta norte-americano Edgar Allan Poe.

[O presente artigo é o segundo da série “Reinterpretando a História”, seguindo-se ao artigo sobre Erich von Däniken.]

A palavra heresia provem do latim haeresis e significa “divergência em ponto de fé ou de doutrina religiosa” ou, por extensão, “blasfémia”, ou ainda, figurativamente, “opinião ou doutrina referente às ideias recebidas”. Robert Charroux (RC) considera-se um herético. Afirma que “o caminho para a verdade se faz às apalpadelas, à custa de erros sucessivos e de descobertas positivas”. Diz ainda que “no labirinto em que se perde, o investigador nunca alcança o âmago”. Critica com humildade algumas (poucas) falsas asserções encontradas nos seus livros que foram posteriormente desmistificadas. Mas aponta uma maior “falha” que, embora alheia à sua vontade, está directamente relacionada com ele: por toda a França e em outros países surgiram, espontaneamente, clubes Robert Charroux – grupos de estudantes, jovens amantes do insólito, do supranormal e do saber não conformista.

O problema reside, essencialmente, no questionamento destes jovens em liceus e universidades sobre a validade e veracidade do ensino clássico com base nos seus livros (livros dos quais ele é o autor mas que envolvem o contributo de diversos historiadores, arqueólogos, escritores, correspondentes e amigos, e a sua fiel colaboradora – Yvette Charroux). Ora, Robert Charroux deplora esta “heresia” contra o ensino clássico, fazendo entender que embora algumas das suas teses ofereçam garantias mais comprováveis, elas não passam, geralmente e quanto ao resto, de “exercícios, de jogos intelectuais, susceptíveis de aperfeiçoamento, destinados a estimularem o cérebro e, talvez, a serem algum dia confirmados”. Sendo assim, este trabalho de “aperfeiçoamento” pressupõe o conhecimento dos tratados clássicos.

robert charroux
Um exemplo moderno de heresia – fotografia de queima de livros de Lenin pelos nazis na Praça de Göttingen, Alemanha (Fotografia do Museu Municipal de Göttingen)

Mas qual é a relevância disto? Bom, Robert Charroux elaborou umas teses, umas teorias, que defrontam “tête-à-tête” (a níveis semelhantes) a ciência clássica nos campos da Pré-história, da História e da Religião, entre outros, ou seja, na forma como concebemos o mundo e a nossa existência. É deveras interessante e totalmente conspirador. Se for o mundo de Charroux uma verdade, então vivemos nós, há já muito tempo, numa gigantesca conspiração. E se por vezes a conspiração é apenas um pesadelo para a realidade banalizada, é, certamente e muitas vezes, o oposto. Ou seja, como podemos delimitar a distância entre a realidade e a conspiração? A realidade é por vezes um produto de conspiração e a conspiração uma realidade (pense-se – apenas como exemplo, pois teríamos inúmeras formas de mostrar isto – nas reuniões do Clube Bilderberg ou nos Iluminatti ou ainda na Maçonaria e nas façanhas edificadoras da Nova Ordem Mundial).


robert charroux
Grande Selo dos Estados Unidos presente na nota de um dólar, com a inscrição em latim Anuit Coeptis – Novus Ordo Seclorum, que significa: “Ele aprova o nosso empreendimento – [A] Nova Ordem dos Séculos”

Charroux morreu em 1978 com 69 anos. Trabalhou para os correios franceses até se tornar escritor de ficção científica, tendo então publicado seis obras de não-ficção baseadas em dezenas de anos de investigação em diversas áreas relacionadas com a arqueologia, a exegese, a religião, o misticismo, entre outras, a maior parte na última década da sua vida. São estas as obras relevantes para nós, para este artigo. Não podemos, no entanto, deixar passar sem assinalar, e a título de curiosidade, as tiras de banda desenhada escritas para o Mon Journal, nos finais dos anos 40, que tinham como protagonista um super-herói com poderes atómicos – o Atomas!

Charroux é o reconhecido pioneiro da teoria dos antigos astronautas, mas é importante denotar a reciprocidade de influência entre ele e Erich von Däniken, havendo, inclusive, acusação de plágio por parte da editora de Charroux, o que obrigou a editora de Däniken a colocar os livros deste na bibliografia das suas obras. Note-se ainda que ambos terão tido influência das obras “The Morning of Magicians” (“O amanhecer dos Mágicos”), de Lewis Pauwels e Jacques Bergier, e dos livros do profícuo autor britânico Raymond Drake, todos no início da década de 60. (A razão pela qual Robert Charroux não abre as hostes desta série de artigos sobre a reinterpretação histórica em prol de Däniken prende-se com o facto de que o primeiro transcende de alguma forma Däniken no campo de análise, fazendo transbordar esta para um tempo mais Presente, se considerarmos uma perspectiva linear do Tempo).

É impossível dissecar aqui as teses de Charroux. Deixo-vos, então, alguns títulos de duas das suas obras (deveras interessantes, por sinal) para que possa o leitor ter uma noção mais precisa da temática abrangida por este senhor e, eventualmente, mergulhar por si no fantástico desconhecido (note-se que estes títulos estão descontextualizados do seu conteúdo, não merecendo, por isso, julgamentos apriorísticos):

robert charroux

O milagre da areia de ouro; o cérebro extraterrestre; A coisa estranha provoca loucura; O mar está esquisito; O país onde o tempo deixa de correr; Os nossos antepassados não eram macacos; O Homem é um ser extraterrestre; Menires na lua; Um falo em metal desconhecido; O ocidente foi sabotado; Conheciam a charrua mas não os bois; O gerador de plasma dos faraós; A alma do Universo; O império invisível dos R+C; A Atlântida vai ressurgir; Os fantasmas de Hiroxima; A violação legítima; Deus é excomungado; A Bíblia é um romance; O sapo iniciado; Deus não é um capataz; O amor é um conceito satânico; As raparigas serão belas em 1986; Os homens são mais sábio que Deus; Jesus recusava-se a ser o Salvador; Um «hippie» chamado Jesus; Os Apóstolos: drogados; A mulher, criatura do Diabo; Jesus não estava morto; Receitas para viver muito tempo; A missa na Lua; A esquerda é obscena; Extraterrestres operam uma egípcia; Os super-homens voadores e o mistério dos golfinhos.

robert charroux

As palavras que é proibido pronunciar; Os hebreus são arianos puros; Moisés não escreveu a «Génese»; A História está deturpada; Há 5000 anos os deuses voavam; Uma mulher para repovoar o mundo; A evolução humana do dilúvio até à nossa época; Anti-racismo cósmico; Os mestiços modificarão a face do mundo; Extraterrestres para mulheres negras; Adão e Eva eram negros; Deus é branco; A verdade antiga é inacreditável; Proibido invocar Deus; A gruta de Rosenkreutz; Os quatro segredos R+C; O segredo das tochas eternas; Os locais mágicos onde apetece viver; Equilibrar o + e o -; A pirâmide subterrânea; Alguém no invisível; Religião = Feitiçaria; Magia negra; A maldição das focas; O deus branco que insufla; As drogas de iniciação; Os poderes fantásticos de Maria Sabina; A planta extraterrestre; O imenso medo dos americanos; Deus: dois braços, duas pernas…; O rei Crono da Atlântida; Revelações proibidas; Os Maias inventaram o futebol; Keely aguenta dez toneladas num só braço; A levitação dos santos; A vida é possível em Vénus; O mistério dos homenzinhos verdes.

robert charroux
“Poço da Iniciação”, no Palácio da Regaleira, em Sintra, Portugal. Todo o palácio é rodeado de luxuriantes construções enigmáticas que ocultam significados alquímicos como os usados pela Maçonaria, os Templários e Rosacruz. Este poço é construído por 9 patamares separados por lanços de 15 degraus cada um, representando os 9 círculos do inferno, do paraíso e do purgatório. No fundo do poço está embutida em mármore uma rosa-dos-ventos sobre uma cruz templária, indicativo da Ordem Rosacruz

Como se pode verificar, a temática abordada por Charroux é bastante ampla. Há, no entanto, um tema que sobressai nos seus livros com maior veemência: a Atlântida. Este continente perdido é um tema já deveras debatido mas merece ainda a nossa (e a dos especialistas) atenção. Recentemente, rumores indicaram a descoberta de parte deste continente através do mapeamento planetário feito pela Google. Após um enorme alarido, a “descoberta” foi (parcial e não muito convincentemente) desmentida. De forma a compreendermos um pouco melhor a complexidade deste psudo-fenómeno, deixo-vos este documentário do Canal História (legendado em português):

Charroux destrói de uma forma fabulosa a crença religiosa na ciência actual, substituindo-a por um admirável Passado novo, tornando, sem a menor dúvida, o nosso mundo e a nossa existência em algo muito mais fascinante (!)

O próximo artigo desta série será sobre um especialista em xamanismo, o homem do “Pão dos Deuses”, Terence McKenna, que partilha com Charroux e Däniken uma estupenda visão do passado da Humanidade.

Agora, quase findo este artigo e de forma a inspirar o leitor ao exercício e à grande loucura de repensar, ainda que momentaneamente, as suas profundas convicções acerca do mundo e da vida, deixo-o com uma frase de Sanconíaton de Béryte, autor de “A História Fenícia”, escrita há cerca de quatro mil anos atrás, a quem Charroux dedica “O Livro dos Senhores do Mundo” por ser este “o pioneiro das verdades primeiras”:
«Os nossos ouvidos, habituados desde os primeiros anos a ouvir as suas histórias falsas, e os nossos espíritos, imbuídos desses preconceitos desde há séculos, conservam como um depósito precioso essas suposições fabulosas… de tal forma que fazem aparecer a verdade como uma extravagância e dão a lendas adulteradas a aparência da verdade».

Fontes das imagens: 1, 2, 3, 6.

migueloliveira
Sobre o autor: miguel oliveira; possui o cérebro na ponta dos dedos. Pinta palavras em ecrãs de computador com aquilo que sintetiza do mundo e diz possuir um rádio no lugar da cabeça. Saiba como fazer parte da obvious.

na rede cultura

2leep.com saiba como pertencer à rede cultura

Comentários

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.

Tenho pena que as obras de Robert Charroux não sejam reeditadas em Portugal.
Haverá alguma forma de adquirir os livros deste autor francês tão clarividente para a sua época?

irene

curioso!... há bastantes anos, li os livros de Robert Charroux e vários de Erich von Daniken, assim como "O Despertar dos Mágicos" (quando esteve muito na moda esta temática), continuo a tê-los na minha biblioteca e,este artigo, aguçou-me a curiosidade de os ir revisitar:-)

Efigênia Mônica

Miguel, muito agradecida por este post. Ainda adolescente me apresentaram o “The Morning of Magicians” (“O Despertar dos Mágicos” no Brasil), de Lewis Pauwels e Jacques Bergier, e O Homem do Castelo Alto,de P.K.Dick. O gosto pela reflexão acerca daquilo que nos colocam como escrito em pedra passa a ter o mesmo peso que as primeiras tábuas da lei que Moisés quebrou ao descer do monte e deparar com os adoradores. Quem são os que se autorizam a nos impor seus valores? Interessantes os temas de Charroux.

Cesar

Eu tenho um preconceito muito sério: dou mais crédito a afirmações que são apoiadas por provas. Charroux, Däniken e outros fazem afirmações e não apresentam provas. A ciência, por outro lado, só faz afirmações quando tem as provas a apoiar as afirmações.

Mas fazer o que, hoje em dia as pessoas parecem preferir viver uma fantasia do que a realidade. Fiquem com seus Charroux e Dänikens, então. Mas nunca abram os olhos, por que a decepção será tremenda. Os novos ídolos de pés de barro prometem conhecimentos "ocultos", prometem "liberdade", prometem mundos e fundos, mas no fim e ao cabo, só apresentam fumaça, que se desfaz no ar.

Efigênia Mônica

César, que bom que você postou sua opinião! e reconhecer que é preconceito DAR créditos. Crença e prova são diferentes mas é importante fazer-se de observador e tentar pontos diferentes de visão e não comprar afirmações pela autoridade que acreditamos qualquer indivíduo ou instituição. Muitas das gentes 'acreditam" em verdades científicas sem nunca darem-se o trabalho de raciocinar sobre o conteúdo dessas verdades ou métodos de alcançá-las. A dúvida nos eleva mais que as certezas, fermenta nossas ideias e burila nossos raciocínios.

alfie

Aprendi, tanto quanto isso possa significar, a aplicar a dúvida sistemática sobre tudo o que chega aos meus sentidos.
Charroux, de uma forma criativa, põe em prática este princípio cartesiano. O que, no mínimo, revela inteligência.
E Cesar, já agora, ainda acha que a luz branca existe?

Cesar

"alfie", a ciência é a arte da dúvida. É a dúvida no seu mais refinado grau, é a dúvida mais elevada, é o ato de duvidar sublimado. É a dúvida que não se contenta consigo mesma, mas que parte para a prova. Ter dúvidas requer inteligência, com certeza, mas transformar as dúvidas em conhecimento, usá-las como guia para entender melhor o mundo e a si mesmo, para isto é preciso método, é preciso conhecimento, é preciso intuição e disciplina. Não é, como muitos tolos acham, reafirmar o que sabemos, é questionar o que sabemos, colocar em fogo e malhar até arrancar toda a escória, é transformar, repensar, recriar, destruir, criar, avançar e voltar atrás.

Charroux eu não conheço, o que eu sei é que se ele afirma que não somos deste planeta, está errado. Däniken eu conheço pouco, e o que eu sei é que ele foi apanhado fazendo fraudes. Com eles, e com Zecharia Sitchin, que é outro fraudador. Se estes são os guias, a inspiração que temos para conhecer o mundo, pobre de nós! Miseráveis sem esperança, mil vezes pobres de nós! Por que o mundo que eles oferecem é uma fantasia barata, um trapo sujo que não aquece, um sonho tolo que não passa de fumaça, sem consistência, sem sentido, sem verdade alguma. Pior ainda, eles envenenam a mente. Convencem os tolos que o duvidoso vale mais que o certo, que a pseudo-ciência é mais verdadeira que a ciência, que a fraude é um recurso legítimo para obter a verdade e o conhecimento.

Querem espicaçar a curiosidade? Querem ter dúvidas sobre o que vocês conhecem e sobre o que todos conhecem, e o que há para conhecer? Leiam Dennet, Dawkins, Sagan, Hawkins, Einstein, Feynman, Clarke, Asimov, Gould. Podem torcer o nariz para eles, mas ELES NÃO MENTEM PARA VENDER LIVROS. Quando eles escreverem seus sonhos, dirão "este é um sonho meu". Quando escreverem sobre os fatos, dirão "este é um fato". Eles não inventam fatos, não mentem sobre seus críticos, não fazem afirmações fantasiosas para embasbacar os tolos.

E, "alfie", quando você vê alguma coisa pintada de amarelo, está vendo uma cor ou duas?

bem... fico contente por haver tanta gente interessada neste tema. penso que possa ser um sinal de que as coisas podem não ser aquilo que aparentam ser, ou seja, mesmo quem afirma duvidar ou mesmo desacreditar nestas teorias parece, mesmo assim, querer ainda debater o assunto. o tempo dos dogmas não existe. aquilo que considero ser uma hipótese-base seria a ideia de que tudo aquilo em que se sustentam as nossas crenças (científicas inclusive) podem corresponder a uma verdade baseada na percepção e capacidade humanas. Sendo assim, se conseguíssemos alargar o espectro dos sentidos para diferentes e mais complexas sensibilidades, o que veríamos então? Onde estão os universos paralelos (cada vez mais uma certeza para a comunidade científica)? Afinal, tanto há ainda para compreender. E quantas vezes não se auto-refutou a ciência? Não é a evolução e a criatividade científicas um reformular, um mesclar de teorias passadas? Não é o saber científico uma reinterpretação da nossa história, dos nossos conhecimentos? Eu não sei se Charroux e Daniken têm ou não razão, mas que não podemos afirmar veementemente que estão totalmente errados, não, isso não podemos fazer! e porquê? porque os dogmas são anti-científicos e contra-evolucionistas.

Infelizmente as obras destes autores não abundam. os livros que tenho na minha biblioteca foram comprados em feiras de livros em segunda mão. no entanto, descobri que a pesquisa do site da fnac apresenta dois livros disponíveis (a ver: http://pesquisa.fnac.pt/search/quick.do?text=robert+charroux+&category=all&bl=HGACrera&AID=&submitbtn=Ok)

Bom, a discussão destes assuntos é sempre muito importante, só temos todos a ganhar com isso.
Estejam atentos ao último artigo desta série que irá sair em breve.

Abraço a tod@s!

alfie

No conhecimento, e na vida, quando se toma a nuvem por Juno baralham-se as premissas. Ou como um colega meu dizia: quanto mais alto me reporto, mais absolutamente me certifico.
Ah, "cesar", eu falei em LUZ (radiação electromagnética), não em pigmentos aplicados através de pintura.

Cesar

O que eu acho é muito simples: qualquer hipótese que seja refutada, deve ser descartada. Isto vale para biologia, cosmologia, física, e também para história.

Os autores abordados em "reinterpretando a história" apresentam suas hipóteses, só que elas já foram refutadas. Refutar é demonstrar que é falsa. O homem não é descendente de alienígenas, o homem é um macaco de um tipo diferente, pelado (com poucos pelos pelo corpo), com os pés bem diferentes, mas é um macaco.

Da mesma forma, é uma hipótese interessante achar que fomos visitados por alienígenas, só que as evidências apresentadas não confirmam esta hipótese. Em outras palavras, se fomos visitados, não há um único indício de tais visitas.

Agora que tais hipóteses foram refutadas, por que elas "não vão embora"? Por que elas são interessantes. Quer dizer, a ciẽncia é interessante, mas os cientistas são piores comunicadores do que os pseudo-cientistas. Um Charroux consegue escrever de forma mais apaixonante e instigante sobre uma hipótese falsa do que um Mourão sobre as coisas fantásticas que já sabemos sobre o Universo. Quantos cientistas são bons autores de livros de divulgação científica? Carl Sagan era astrônomo, Dawkins, Dennet, Gould, biólogos. E o que eles tem a dizer é realmente fantástico. Mas as pessoas preferem ficar procurando fadas e gnomos e alienígenas em seus jardins.

E assim caminha a humanidade.

César

alfie

Eu não consigo ver cor alguma se não houver luz. Você consegue? Não está tomando a nuvem por Juno?

De qualquer forma, não vejo a relevância do assunto...

tajana

Sou, por definição (e posso acrescentar: por preconceito) avessa a este tipo de teorias como as de Charroux e Daniken. Embora reconheça que, pelo menos no caso de Charroux, se ele mesmo diz que o que apresenta tem por principal objectivo manter o exercício da dúvida e da imaginação, segundo diz o Miguel, a coisa não deixa de ter algum interesse. Nem que seja para a seguir refutar essas hipóteses.

Creio que o que eles oferecem e que a ciência não é capaz de comunicar às pessoas, embora isso exista na ciência, é o fascínio pelo mistério. Casos como Sagan ou outros são excepções. E mesmo assim, provavelmente não conseguem preencher a necessidade (estou a assumir que a há) que as pessoas têm de mistério e de fantástico. Eu recorro à literatura, nesse ponto, e não só à de ficção científica. Agora, a verdade é que a ciência dita séria é ensinada 'mui chatamente', pelo menos no meu tempo era, dando todo o espaço ao rigor, imprescindível, e nenhum à maravilha que é descobrir. Imagino também que, para a maioria das pessoas, uma teoria sobre alienígenas soe tão credível como, sei lá, uma teoria das super-cordas, ou outro tema científico que envolva uma grande dose de especulação. Mas, lá está, os alienígenas preenchem mais a fantasia que as fórmulas matemáticas, que aliás ninguém sabe interpretar.

Acho que interessante, mesmo, era pôr as pessoas a aplicar os métodos de pensamento científico a várias destas hipóteses para se aperceberem das fragilidades e das forças que elas têm. A maioria das pessoas aceita as hipóteses científicas como verdades de uma nova fé. E as hipóteses mitológicas como verdades científicas.

m.martucci

Muito bom os artigos 1 e 2.
Ficarei no aguardo do 3, Terence com certeza é meu favorito, abraçao.

Caros leitores, quero informa-los que saiu o último artigo desta série (http://obviousmag.org/archives/2010/12/reinterpretando_a_historia_-_parte_3_-_terence_mckenna.html). É dedicado ao Terence McKenna mas tentei no final sintetizar toda a série, reflectindo também os vossos comentários (mesmo o caso de Daniken, ainda que vagamente). Que tenham este artigos servido, pelo menos, para relembrar estes senhores, as suas teorias e alertar para a questão do desenvolvimento científico e humano e as suas constantes dúvidas, erros e ilações. Para alertar para o facto de que aquilo que sabemos é uma ínfima parte daquilo que não sabemos.
Obrigado pelos vossos comentários e espero que, por um motivo ou por outro, continuem a partilhar estes artigos.

antonio andrada

Olá César, recomendo que voce pelo menos leia os autores, esta parecendo um "crente" com este discurso de que a ciencia faz isso e aquilo, que ser cientista é isso e aquilo. Santa ingenuidade, "verdades e provas"??? vc sabe o que é positivismo, modernidade científica? Seu discurso vai bem por clamar por maior relativismo, mas vc é o prorio reflexo do contraditório. Se soubéssemos o que é ciencia não existiriam os filósofos da ciencia (leia Hegel, para entender os princípios fundamentais da episteme, leia Kant pelo amor dos deuses astronautas; se acha tudo isso muito antigo, leia o básico: Poper ou Kuhn) leia Foucaut! Ou leia Chomski sobre como essa sua "visão" popular da ciencia foi construida pelas mídias! Que leitura pobre de mundo essa sua, não existe "prova" na ciencia, nem no laboratório de física! Todo cientista sabe disso desde a escola de Frankfurt da metade do sec XX!
Não quero ser ofensivo, mas me parece que você não sabe o que é ciencia, menos ainda como ela trabalha, livros de "divulgação científica", por favor, são escritos e encomendados para sedimentar conceitos paradigmáticos com interesses que não são nada científicos.
DUVIDE mesmo, mas duvide de tudo que le, não só do que você foi ensinado a "não entender". Não leia a opinião de terceiros, leia os originais.
Bom, aqui neste espaço não iremos resolver nada, sejamos producentes, como conselho, estude a propria história do pensamento arqueologico que apenas hoje está sendo reconhecida como ciencia, é uma disciplina ainda pre-paradigmática que trabalha acima de tudo, como todas as ciencias históricas com interpretações, muitas delas serão sempre e apenas conjecturas. O valor de autores como Danikem, Charroux e Sitchin é tirar-nos do lugar comum, fomentar a imaginação e a possibilidade de novas visões sobre a história, e não fazem isso só com fantasia não, suas hipóteses são corroboradas com evidencias, muitas delas voce só vai conhecer se ler os originais destes e daqueles em que seu trabalho se baseia.

César

Antonio Andrada, você acredita no que quiser, mas eu tenho para mim que se alguém faz uma afirmação extraordinária, tem que acompanhar a mesma de evidências extraordinárias. Só o fato da afirmação ser extraordinária não significa que ela seja verdadeira, e só por que ela é "diferente" não significa que ela seja "melhor".

Engraçado você falar em Popper, a idéia de que as hipóteses tem que ser falseáveis para poderem ser científicas parece que vem dele. E o que é uma idéia "falseável"? É uma idéia que você pode fazer um teste para ver se ela é falsa. Até aí eu sei, amiguinho...

Agora, no caso dos nossos amiguinhos Däniken, Charroux e Sitchin, o que você chama de evidência eu chamo de "vaso falsificado", "interpretação forçada", e "mentiras deslavadas". Mas se para você são evidências, paciência...

Cesar

Eu não sei como é que podem chamar a ciência de 'lugar comum'. A biologia nos conta a história da vida, com seus 3,8 bilhões de anos de idade, as suas bilhões de espécies de seres vivos, a maioria dos quais extinta, e o vulgo fica bocejando. A cosmologia mostra um universo fantástico, em expansão, dinâmico, com eventos incríveis como colisão de galáxias, explosões de estrelas, jatos de matéria lançados a velocidades estonteantes, a ponto de destruir uma galáxia próxima, estrelas tão grandes quanto o nosso Sol e que giram a dezenas, centenas de voltas POR SEGUNDO, explosões de raios gama, e o vulgo fica bocejando. A história mostra como a civilização humana se desenvolveu, mostra por que um francês nasce com a mesma mancha na base da espinha que é característica dos mongóis, apresenta um mapa da migração humana desde que saiu da África, com datas prováveis, mostra os mistérios que ainda não conhecemos, e o tanto que já conhecemos, e o vulgo fica bocejando. A física vem e nos apresenta um quadro da nossa realidade completamente estranho, mostra que o inconcebível aparece em equações matemáticas e é comprovado em experiências nos aceleradores de partículas, onde a matéria é aquecida a temperaturas maiores que a da superfície do Sol, acelerada a velocidades subluminais, e colide fantasticamente com outras partículas, com a matéria se rasgando toda em partículas de todo o tipo, em milhões de colisões por segundo, e cada colisão é registrada em terabytes de dados, tanta informação que os físicos levam meses para analisar uma pequena parte dela, mostram os efeitos da mecânica quântica, o micro por excelência, na mecânica celeste, na vida e morte de estrelas e do próprio Universo, o macro por excelência, e o vulgo boceja.

Então vem um sem-vergonha, fazendo prestidigitação mental, inventando mundos e fundos, com seus gnomos e fadas, com cinturões de fótons e profecias maias, com deuses astronautas e alienígenas violando pessoas, e o vulgo fica embasbacado.

Realmente, falta muito para o ser humano deixar o troglodita para trás. Ainta temos muita gente que se espanta com as coisas absurdas, e que acha o fantástico e real, corriqueiro e lugar-comum.

antonio andrada

Caro Cesar, gostaria de entender de onde você tira a ideia de que as evidencias de antigos astronautas não existem, de que é tudo "interpretação forçada" e "fraudes", isto não é verdade de modo algum.
Popper afirma que as hipóteses tem que sobreviver aos testes, porém os testes tem de obedecer a uma epistemologia e uma lógica da propria disciplina dentro da ciencia estudada. Nas ciencias históricas
"Afirmações extraordinárias não requerem evidencias extraordinárias": coisa nenhuma, pare de repetir fraze feira e pense. Toda evidencia tem que se encaixar em um modelo teórico para ter seu valor conhecido. As hipóteses dominantes não podem exigir dos fatos de hipóteses concorrentes um caratér extraordinário pois senão, a teoria é que irá decidir o valor do fato, quando se espera o contrario. Até porque, o que são provas "extraordinárias" além de um julgamento de valor subjetivo que será feito por alguem? Para "você", OVNIS e telepatia são hipóteses "paranormais" "extraordinárias" para outro não. Você entende Cesar que é a crença na sua teoria que está lhe dizendo o valor da evidencia científica, isso é inaceitável a um cientista.
Gosto particularmente do seu ceticismo moderado, mas sua falta de informação é que doi em quem trabalha com o assunto, ai acaba afirmando coisas contraditórias que não fazem sentido lógico algum: Primeiro afirma que a física está descobrindo que nosso universo é muito mais estranho do que poderíamos sonhar, que existem "realidades ocultas" aos nossos sentidos limitados e a nossa tecnologia simploria, depois cai em cima de quem afirma ter esperimentado fenômenos "paranormais" para os modelinhos da ciencia de hoje. Não entendo sua lógica?! Essa propria física está dizendo que a fenomenologia da matéria pode ser influenciada pelas conciencias de quem observa o mundo, só isso ja desmonta qualquer possibilidade de existir uma ciencia metodologica experimental! Mas é claro que isso não é levado a ferro e fogo porque os físicos sabem que esta é uma "interpretação" não é a "verdade", senão não voltavem para o laboratório no dia seguinte.
Pare de ser limitado por uma coleira de "cetico irracional", use mais a sua capacidade investigativa e sua imaginação, a ciencia hoje não é bem diferente da ciencia do passado porque ela esta sempre mudando, negando suas "provas incontestáveis" e substituindo suas "verdades" por outras mais convenientes, olhe ao seu redor e se pergunte: Por que você não é tão cetico com os livros de divulgação cientifica que conhece como é quanto aos livros de Daniken ou Charroux.
E não me venha de novo com esse papo de que você leu que existem "provas científicas" para o que você acredita, e que você "cre" na autoridade da ciencia (que não é ciencia) e nos grandes autores reconhecidos por você e pelas instituições que defendem o seu ponto de vista; que todos os outros que não concordam com esses autores e suas visões de mundo são descritos por eles como "mentirosos" etc..., pois isso não é um argumento, é redundancia conveniente, papo de jornal da globo.

Cesar

Antonio, só uma correção. A física quântica não afirma que a consciência do observador altera o Universo. Isto daí é conversa fiada do filme "Quem Somos Nós", que inclusive editou (alterou) as afirmações de um cientista para fazer parecer que ele achava que a consciência afetava o Universo.

Quanto ao resto, me convenceu, tenho sido arrogante e "cético irracional", dou o braço a torcer e admito que não sou competente para julgar o sr. Däniken, deixo o julgamento dos srs. Daniken, Charroux e outros à cargo de especialistas. O que os especialistas afirmarem, eu terei como provavelmente sendo verdade, com a ressalva de que eles podem estar errados, mas como sabem mais que eu, vou deixar a cargo deles determinar o que é verdade neste caso. E o que dizem os especialistas?

A propósito, como é que você consegue determinar o que é verdade e o que é fraude no campo da história? Do jeito que a coisa anda, parece que nada é falso e nada é fraude. Ou será que o vaso que o sr. Däniken fraudou não é mais fraude? É só uma "verdade que esqueceu de acontecer"? Será que em nome desta nova religião, temos que fazer de conta que os profetas dela são divinos, e fazer vista grossa às mentiras que eles pregam?

antonio andrada

Para ilustrar, como von Daniken e companhia trabalham com arqueologia, aqui vai uma discussão do conceituado arqueólogo George Carter que divide sua inquietaçao do porque existe essa crença de que as "evidencias extraordinárias tem que ter provas extraordinárias":

“Quando uma nova teoria avança, ela necessariamente desafia a teoria predominante. Isso incomoda os detentores da teoria predominante e ameaça sua segurança. A reação natural é a raiva. A nova idéia é então atacada, e ela então terá que ter níveis de certeza mais elevados. Quanto maior for à diferença entre a nova teoria e a antiga, maiores deverão ser os níveis de certeza que a nova terá que oferecer. Assim é dito. Eu nunca fui capaz de aceitar isso. Assume-se que a teoria antiga sempre esta num patamar de certeza mais elevado, quando isto é examinado, raramente é verdade.” (CARTER 1980, p.318)

Assim, algo só é "extraordinário" na medida em que ele desagrada a crença dominante. Na arqueologia as hipóteses de von Daniken são tão boas como qualquer outra, e quando analisamos a evidencia ela se torna muitas vezes a explicação que oferece uma melhor parcimonia com o conhecimento que temos hoje.

CARTER. G. F. Earlier than you think- a personal view of man in America. Texas: College Station, A&M University, 1980.

Cesar

Bom, então é só esperar que estas "teorias alternativas" se tornem "teorias dominantes", e então propor que tudo isto não passa de uma fantasia elevada à "teoria dominante" para agradar aos interesses de alguns, e pronto, volta tudo como dantes no quartel de Abrantes...

"Assume-se que a teoria antiga sempre esta num patamar de certeza mais elevado, quando isto é examinado, raramente é verdade."

Minha formação é de engenheiro eletricista. Em exatas não existo isto de "assume-se". A Teoria do Big Bang, por exemplo, quando foi apresentada, enfrentou uma resistência enorme. O próprio Einstein, que tropeçou com a inflação cósmica ao aplicar a Teoria da Relatividade à cosmologia, não conseguiu admitir um Universo em expansão e colocou a sua famosa "constante cosmológica" para adequar o resultado à sua ideia de como o cosmos deveria ser. Mas as evidências foram se acumulando à favor da Teoria do Big Bang e hoje todas as teorias alternativas que competem com o "Modelo Cosmológico Padrão" contém o evento "Big Bang" no seu cerne - por que já é reconhecido como um fato ocorrido.

Em história, eu entendo pouco. O que eu sei é que os autores de "teorias alternativas" cometem fraudes. O Däniken forjou um vaso. Outro comprou caveiras de cristal em um leilão na Inglaterra e mais tarde "descobriu" elas em uma escavação arqueológica. O Zecharia Sitchin apresenta interpretações forçadas de supostas traduções feitas por ele para provar eventos absurdos, como por exemplo a aproximação de um suposto planeta, Nibiru.

Agora você vem me dizendo que estas teorias só são rejeitadas por raiva. Sabe o que eu penso disso? Um tremendo desrespeito por quem trabalha neste campo a vida toda. Primeiro, chama todo mundo de estúpido, por que se trabalham há tanto tempo e não tem uma única evidência razoável para propor suas teorias, e não tem como descartar com um trabalho sério estas teorias alternativas, então fizeram o que durante a vida toda? Palavras-cruzadas? Eu acho que não. Acho que tem gente que está confundindo paixão com raiva. Quanto mais eu olho esta discussão, mais me parece a mesma discussão do "Design (des)Inteligente" com os biólogos. Ou os astrólogos com os cientistas em geral. E sabe do que mais, eu não dou fé nestes arrivistas. Principalmente por que eles fazem fraudes. Principalmente por que eles não apresentam trabalhos à academia, mas escrevem livros para o leigo. Quanto mais eu olho, mais me parece que o lema deles é o mesmo do empresário P. T. Barnum.

antonio andrada

Gostei da discussão cesar, e vou ficando por aqui, porem, tenho que fazer apenas algumas ressalvas mais: 1- O importante sobre toda essa conversa é que nós aprendemos uma visão parcial da ciencia, seja ela exata autoproclamada objetiva ou não. Os meios de comunicação do conhecimento, da ciencia (divulgação, difusão, disseminação) sempre foram controlados politicamente e ideologicamente por interesses que não tem nada a ver com a "exposição de uma verdade", existem diversas controvérsias que não estão nos livros didáticos (e nem poderiam pois não seriam entendidas por leigos)que são sim publicadas na ciencia. Tudo que temos por verdade "oficial da ciencia" (coisa que não existe realmente, pois é um concenso criado pela propaganda)é muito fragil e foi construida por interpretaçãos que muitas vezes não resistem a um ceticismo moderado. Desde o Big-bang, a origem da vida, a evolução humana, as leis mais fundamentais da matéria, tudo é discurso, tente investigar um pouco e você verá que são apenas interpretações (ex: quando você afirma que "Mas as evidências foram se acumulando à favor da Teoria do Big Bang", podemos lembrar de Popper que afirmava que "o objetivo da ciencia é justificar sua propria metodologia", existem muitas outras hipóteses concorrentes ao Big bang que não são alardeadas nos jornais porque não se coadunam com o modelo de universo que a "ciencia oficial" quer criar em nosso tempo, um universo que "mecanicista", "natural" que "evolui" e que se encaixa nas determinações materialistas da nossa sociedade, e que assim justificam a organização existencial que nossas instituções nos impõem. E você tem plena razão (fora do sarcasmo) ao afirmar que o que chamamos de ciencia é uma luta entre estas visões de mundo, não são e nunca foram verdades imutáveis.
2- Assim não podemos afirmar que a "ciencia" é uma coisa só e que tem um só discurso, a ciencia são os cientistas e existe uma diversidade de hipóteses muito grande. Não é verdade que não existem cientistas que publicam artigos sobre os antigos astronautas, oi que acontece é que muitos jornais cientificos simplesmente não aceitam tais publicações, e hoje existem diversos trabalhos academicos que denunciam essa "censura" que chamaram de "peer-review", é só se informar.
3- Também não é verdade que "os físicos" não consideram que a materia pode ser influenciada pela consciencia, alguns afirmam isso em carater de hipótese sim na ciencia da pós-modernidade, o establisment nega é claro pois iso como afirmei seria o fim de toda a ciencia baconiana "experimental". Essa hipótese em verade vem desde a antiguidade, da época de Demócrito e Leocipo, até Aristóteles tentou tais relativismos. E os proprios gregos provavelmente aprenderam essas interpretações das sociedades orientais que os precederam no oriente.
4- Não estou certo se devemos confiar nos cientistas que pertencem a grandes instituições e que se auto-intitulam "desmascaradores" das chamadas "pseudo-ciencias", não será uma caça as bruxas? Afinal, a história ensina que se confiarmos cegamente no que dizem as autoridades, estaremos longe de qualquer verdade, pelo contrario, na história da ciencia são sempre os "outsiders" os renegados e excluidos que acabam por se mostrarem autenticos. Acreditar "na ciencia" (das capas de revista)apenas por acreditar, não é a veradeira religião? Não seguir o dogma sem questionar? Tenho uma pilha de livros ao meu lado, científicos, alguns artigos, como sei que tais palavras escritas ali não são tão ilusórias ideológicas e "falsas" como as escritas numa bíblia? Será que eu, ou você ou os muitos bilhões que habitam esse planeta é permitido examinar e conferir as supostas radiações de fundo que corroboram o Big-Bang? Ou os dados genéticos de nossa ancestralidade evolutiva? Ou o decaimento radioativo da idade da Terra? Ciencia é acreditar, é ter fé nos livros sagrados e nos sacerdotes de nossa época!
5- Não existe tal coisa como "teorias alternativas" porque não existem "teorias oficiais" (onde esta ecrito o que é oficial da ciencia? A ciencia não vem com manual!), o concenso dita a ordenação dos fatos e a ciencia hoje na pos-modernidade tem denunciado que um "concenso" nunca existiu em lugar algum, que isso era propaganda. O proprio Einstein afirmou que “O grande objetivo da ciência é encobrir o maior número de fatos empíricos pela dedução lógica tirada de poucas teorias e axiomas.” E não são só os promulgadores de "teorias alternativas" que fraudam a ciência, estes apenas são denunciados mais ferozmente pois estão do lado de fora das instituições. Quem vai denunciar o Smithsonian Intitute, ele mesmo? Se eu denunciar, você acreditaria?
6- Eu nunca disse que as teorias não são aceitas por "raiva", elas não são aceitas pois não são uteis as superestruturas da sociedade e do seu contexto histórico.
7- Ninguém é "estúpido" ou ficou fazendo "palavra cruzada", cada grupo científico se utilizou de várias estratégias para tornar suas hipóteses de dados visíveis e valorizados. Newton por exemplo pesquisava o espiritualismo, mas na nossa época "materialista" (que interessa ao capitalismo filho da revolução industrial) suas ideias sobre o sobrenatural não são divulgadas. Kepler escreve um livro inteiro sobre o "contato que tinha" com uma entidade que segundo ele "habitava a lua", mas poucosabemos disso, etc... Não vejo na ciencia o conflito entre as ideias com esse carater pessoal, acredito que o interesse é mais institucional.
8 - Cuidado cesar, não sei se confio 100% nas denuncias de que o daniken fraudou, será? Quem disse, quando, onde, foi mídia?... também já li algumas materias afirmando isso e dizendo que ele mesmo reconhecera... humm ("Sorria, você esta sendo manipulado!", mas não sei se acredito assim, seria muita crendice ingênua de minha parte afirmar que é isso, assim questiono: como saber?
Enfim, se queremos ser céticos sobre um determinado tema do conhecimento, temos que acima de tudo perceber o que a história da ciencia nos ensina e o que dizem os proprios cientistas que se envolvem na discussão sem julgar o mérito de um trabalho pelo que diz a propaganda de um dos lados. Uma boa análise institucional e politica nunca é ruim quando o assunto são pessoas e organizações sociais. Felizmente, quando investigamos a vanguarda da ciencia, descobrimos que não existem verdades nem certezas de nada, viva a diversidade.


Deixe-nos o seu comentário

O e-mail é obrigatório mas não será mostrado no site ou cedido a terceiros. Seja cordial e educado. Comentários ofensivos ou pouco dignos não serão publicados.


Site Meter site statistics