Fotografias de arquitetura - As obras desorganizadas de Iwan Baan

Longe da fantasia Iwan Baan gosta é da bagunça da realidade. Fotografa construções dos maiores nomes da arquitetura, em seu cenário existem sempre pessoas e, hoje, ele é um dos mais prestigiados fotógrafos em sua área.


arquitetura pessoas fotografia iwan baan Orquidearum Medellin

“Eu sou do tamanho do que vejo, e não do tamanho da minha altura.” A frase de Fernando Pessoa consegue descrever em poucas palavras o trabalho de Iwan Baan. Independentemente de qual seja a altura de Iwan, seu trabalho faz dele um gigante, e mesmo quando está envolto em prédios e pessoas – o que sempre acontece.

Em sua trajetória, Baan passou da incompreensão ao reconhecimento e valorização mundial. Nascido em Alkmaae e criado em Amsterdã, ambas cidades dos Países Baixos, Iwan ganhou sua primeira câmara fotográfica aos 12 anos, uma Agfa Clack – uma câmara que surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial, em um momento em que as indústrias da Alemanha tentavam se reconstruir e muitos aproveitaram o boom para criar inúmeros tipos destes aparelhos.

E não tardou muito até que Iwan fosse atrás de um modelo mais sofisticado - afinal, tratava-se de uma câmara com mais de 30 anos de idade na época, isto para alguém que já dava sinais de querer “algo mais”. Nos anos 90, Iwan começou a estudar fotografia. E nunca terminou. Ele diz que é porque alguns de seus professores não consideravam seu trabalho digital como fotografias de verdade.

arquitetura pessoas fotografia iwan baan Mukwano Orphanage - Uganda - Koji Tsutsui

arquitetura fotografia iwan baan Serpentine Gallery Pavillion, 2007. Olafur Eliasson e Kjetil Thorsen

Amante da tecnologia, a Internet despertou seu interesse. Em 2004, durante uma exposição sobre a história da Europa produzida por Rem Koolhaas – um dos arquitetos mais prestigiados do mundo – Iwan fez uma proposta a Koolhaas: transformar as imagens daquela exposição em um website interativo. Meses depois, ele recebeu uma ligação perguntando se ele poderia acompanhar o arquiteto até Bruxelas para apresentar a ideia a um funcionário da União Europeia. E este talvez tenha sido o ponto chave de viragem.

Foram inúmeras as parcerias com Koolhas. Em uma delas, Iwan ia a cada oito semanas a Pequim, para registrar a construção da torre da CCTV (China Central Television), a maior estação de televisão nacional da China. Depois também fez propostas a outros grandes nomes da arquitetura. Escolheu muito bem seus clientes, conquistando também renome no meio das obras de concreto. Hoje ele é provavelmente o fotógrafo de arquitetura que mais sai em jornais e mais viaja pelo mundo fotografando edifícios.

arquitetura fotografia iwan baan Torre da CCTV (China Central Television), 2005/2009. Ole Scheeren e Rem Koolhaas.

arquitetura fotografia iwan baan Torre da CCTV (China Central Television), 2005/2009. Ole Scheeren e Rem Koolhaas.

E se apenas o seu talento não fosse suficiente, Iwan tem um jeito peculiar de fazer seus registros: o elemento humano. Ele vai contra a maré de fotografias de construções estáticas, de imagens perfeitas. Ele retrata a desordem das pessoas entrando e saindo de edifícios com toda a bagunça de uma verdadeira cidade.

Iwan disse certa vez durante uma passagem por Nova York que vê prédios como cenário para sua fotografia de pessoas. E assim é a sua vida, mais “cosmopolita” impossível: viagens, arquitetura e pessoas de toda parte do mundo ao seu redor.

arquitetura fotografia iwan baan Serpentine Gallery Pavilion, 2006. Kensington Gardens, London. Rem Koolhaas e Cecil Balmond com Arup.

arquitetura fotografia iwan baan Casa da Música, 2005. Porto, Portugal. Rem Koolhaas.

arquitetura fotografia iwan baan Casa da Música, 2005. Porto, Portugal. Rem Koolhaas.

Iwan Baan


mariana carrillo

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