

Os jornalistas dão-nos a conhecer o que se passa à nossa volta. Moldando a nossa memória colectiva, eles procuram as notícias com o seu faro particular, dando a conhecer o mais importante aos seus leitores (uns melhor que outros). O quê, o quem, o quando e o onde. E depois, o porquê e o como. Eles escolhem o lead, montam o corpo do texto e escrevem as palavras iniciais do título junto da fotografia. E há sempre aqueles dias na vida de um jornalista que marcam a sua carreira e a sua vida. São aqueles dias de que não apenas os profissionais dos media se recordam: também todos os cidadãos, que lêem as manchetes dos jornais e os guardam para mais tarde mostrarem aos filhos e aos netos. São aqueles dias em que sabemos que história foi feita.
Como escolher as palavras certas? Que fotografia colocar na capa? Como conjugar as imprescindíveis letras gordas ao tanto que se tem a dizer? Dependendo do assunto e da época, podem ser mais ou menos palavras. O sensacionalismo joga com a informação e cada jornal tem o seu estilo próprio de dar a notícia...
Simples e objectiva foi a notícia no dia em que Elvis Presley morreu, a 16 de Agosto de 1977. O The Sun noticiava "King Elvis Dead" com um subtítulo de "He was 42 and alone". Poucas palavras a encherem a capa do jornal, mas, mesmo assim, não faltou uma referência ao título de "rei do rock'n'roll", ícone de uma geração.
Na mesma década, duas palavras mexeram com os sentimentos de todo um país: "Golpe Militar", lia-se na primeira página do jornal português "A Capital", aquando da queda de uma ditadura que durava há quase 50 anos. Sem nenhuma fotografia, o periódico referenciava o "Movimento das Forças Armadas" e a sua acção de madrugada.


As notícias dos falecimentos de personalidades conhecidas são muitas vezes do maior interesse e os jornais não as enfeitam. Aconteceu assim na morte de Hitler, de John F. Kennedy, de John Lennon e da Princesa Diana. Décadas diferentes ditaram o tratamento do assunto, tal como os níveis de importância. "Hitler Dead" foi a expressão escolhida para dar a conhecer ao mundo a certeza do final de uma das épocas mais obscuras da História da humanidade. Palavras semelhantes foram mais tarde utilizadas para descrever o desaparecimento da princesa do povo. Já a morte de John Lennon é descrita de forma mais sensacionalista pelo "Daily Mirror" e a de John F. Kennedy inclui mais informações, devido às suas implicações políticas.



E existem outras, muitas outras manchetes dignas de atenção. O naufrágio do Titanic fez a capa do "The New York Times" em 1912, tal como a primeira missão da NASA na Lua, em 1969. Mais recentemente, o ataque terrorista às torres gémeas em 2001 fez manchete com "War On America", tal como a eleição de Barack Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, com "The world has changed", em 2008.


Fontes das imagens: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.
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comments powered by Disqusluiz paulo
são ao mesmo tempo incriveis como também aterrorizantes pois mostra tragedia humanas
antonio andrada
Pena que as palavras das manchetes não sejam escolhidas no "meio da ansiedade do presente", e sim construidas e arquitetadas muito antes, com certeza constroem a memória coletiva mas nem de longe refletem a história.
Gostaria de ver estampado na primeira página do New York Times: "Bush administration promove false flag operations agains USA people" ou na CNN: "911 was an inside Job" Ou no nosso Estadão: "Política do terror norte americana promove mais um atentado forjado".
Aqui no Brasil durante os idos de 1964, os ditadores da tortura eram os "revolucionarios" e os que se opunham eram os "terroristas de esquerda".
Belas manchetes pra quem acredita em jornal...
júlio franco
a observação,não é contra qualquer das manchetes apresentadas, e sim que cada manchete esta em seu contexto e em sua conjuntura,não exposta como verdade absoluta.`Sendo assim,devemos tê-las em foco histórico analítico.
antonio andrada
pois é, reinterando, em minha "análise" só gostaria que o "contexto" fosse melhor explorado em seu ambito histórico.
gui
Isto e uma bosta...esta tudo em inglês...vocês são uns canalhas