As mesas de Natal: do bacalhau ao Eggnog

Natal é época de mesa cheia e família reunida. Entre o peru assado e os biscoitos de Natal, cheira a açúcar, canela e algo mais que não conseguimos identificar. E, durante o ano, temos a memória de um cheiro que engloba o crepitar da lareira, o vinho na mesa, a comida posta e os risos das crianças. As mesas de Natal, mais um capítulo das Festas…


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Tempo de união entre famílias, o Natal é também sinónimo de grandes refeições e tradições especiais. O peru tem, certamente, lugar de destaque um pouco por todo o mundo, também devido à influência norte-americana. E os doces são um chamamento especial ao guloso que resiste durante um ano inteiro. Afinal, quem pode dizer não a pudim de Natal, broas, lampreia de ovos ou pudim de leite?

Em Portugal, o bacalhau é ainda o rei da tradição, especialmente se cozido e acompanhado de couves. A norte do país, é apropriadamente chamado de bacalhau da Consoaada, mas também pode ser preparado em bolinhos. Na região também se come polvo e fricassé de aves, que fazem companhia ao bacalhau, na ceia do dia 24, antes da meia-noite e da chegada do Pai Natal.

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Mais a sul, outras carnes surgem na mesa. No Alentejo, o porco frito partilha a atenção com o bacalhau, mas sai soberano. No Ribatejo, a preferência vai para o peru. Porém, há sempre um carinho especial para o bacalhau.

Contudo, são os doces que mais fazem suspirar os portugueses. As sobremesas são incontáveis, de Norte a Sul, e a única "exigência" é que sejam fritas e muito doces, frequentemente polvilhadas de açúcar e canela ou regadas com mel. Azevias, nógado, rabanadas, lampreia de ovos, sonhos, arroz doce e broas castelares são alguns dos muitos exemplos.

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Nas ilhas da Madeira e Açores, as tradições são diferentes. A carne em vinha d'alhos, posta a marinar em vinho e alho, é o prato típico da ceia madeirense. Para sobremesa, serve-se o famoso bolo de mel e o bolo de família. Já nos Açores, o bolo de Natal leva a preferência em relação aos outros doces, acompanhado por licor de tangerina caseiro.

Porém, quando se fala em doces típicos portugueses, nada vence o bolo-rei. Presença obrigatória em todas as mesas, este bolo típico está recheado de frutos secos e decorado com frutas cristalizadas. Existe também uma variação "feminina", o bolo-rainha, que não tem as frutas cristalizadas.

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No Brasil, as tradições culinárias de Natal estão associadas às várias culturas presentes na história do país. Embora variem de região para região, as refeições costumam incluir peru, pernil de porco, bolinhos de bacalhau, vegetais e pratos de fruta, num jantar pesado para a época de Verão. As influências vão desde a comida portuguesa aos costumes alemães, italianos e espanhóis, adaptados às condições brasileiras.

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A tendência geral dita que, à mesa de Natal brasileira, o cheiro a peru assado invada as casas, ao lado da farofa, o bacon, as batatas e o arroz também dão um ar da sua graça. Mas o tradicional churrasco pode ser uma opção. No final, os doces enchem as mesas. O pudim de leite é um mimo típico nacional, embora possa ser acompanhado do panettone, vindo das influências italianas, ou da mousse de maracujá. E não é incomum a presença do stollen alemão, o bolo típico de Natal deste país europeu. Nas bebidas, portugueses e brasileiros partilham costumes. Vinho, champanhe, cervejas e sumos são constantes na mesa.

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Por todo o mundo, as mesas de Natal vão variando. Em comum, apenas a vontade de que seja uma refeição abundante, onde se possam esquecer as dificuldades quotidianas.

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Na República Checa, por exemplo, o peixe é rei e senhor. Aqui, a carpa é a comida de eleição para o Natal, quer seja frita ou em caldo. Para acompanhar, salada de batatas e vários chouriços. Um copo de licor de mel quente ou de vinho quente são um dos preferidos para aquecer as noites frias de Inverno. À sobremesa, pão doce de Natal, rolos de baunilha ou bolinhos de mel fazem as delícias dos pequenos e graúdos.

Na Itália tradicional, ainda se serve La Vigilia Napoletana nas regiões do sul durante a ceia da véspera de Natal. Ou seja, uma refeição de sete tipos de peixe (ou mesmo nove ou onze, dependendo das cidades). Os pratos típicos da época natalícia incluem bacalhau, enguia e salada de peixe. Mesmo assim, além da ronda de pratos de peixe, também podem ser servidos peru ou massa. Os doces também são uma parte importante da ceia de Natal. Fritos, mel e maçapão são as tendências e, à mesa, materializam-se em struffoli, cenci, figos secos, amêndoas caramelizadas e outras delícias infindáveis.

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Na Polónia, serve-se uma refeição de doze pratos sem carne na véspera de Natal, como símbolo dos doze apóstolos. A sopa de beterraba, a carpa ou o bolo de sementes de papoila são algumas das iguarias típicas.

Os filmes dos Estados Unidos da América são uma lembrança constante do que é o Natal naquelas paragens. Mesmo assim, não é demais lembrar que o prato nacional do Natal norte-americano é o peru assado, servido com batatas e vegetais. Existem, no entanto variações: quer a substituição do peru por outra peça de caç, quer costumes regionais bastante diferentes, como é o caso das ostras, na Virginia. À sobremesa, pudim de Natal, tarte de abóbora, maçã ou batata doce, tronco de Natal, biscoitos ou massapão. E, para beber, o famoso eggnog, uma bebida alcoolizada à base de leite. Os costumes não variam muito daqueles servidos à mesa britânica.

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Claro está que cada família tem uma maneira especial de tornar o seu Natal típico, com refeições adaptadas de um ou outro costume. São as pequenas diferenças que fazem a magia da época. E, afinal, é quem come que decide que refeição comer... desde que deixe uns bolinhos para o Pai Natal.

Fontes das imagens: 1, 2


Marisa

sonha em abrir uma livraria-chocolataria para que possa juntar os seus dois prazeres. E quer deixar impressões digitais de chocolate nos livros que mudaram a sua vida.
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