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Lost in Translation – a cumplicidade na solidão

publicado em cinema por | 15 comentários

Pessoas em busca de respostas, motivos e propósitos. Pessoas que querem cativar e ser cativadas. Que querem ser entendidas e entender. Que querem ouvir. Ou falar. Sou eu e você. Pessoas na mais nobre de todas as buscas: o autoconhecimento. É o que acontece no filme “Lost in Translation” (EUA, 2003), de Sofia Coppola – "Encontros e Desencontros", no Brasil / "O Amor é um Lugar Estranho", em Portugal.

lost in translation

“The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you” (Quanto mais você sabe quem é e o que quer, menos você deixa que as coisas te aborreçam).

É claro que o roteiro não diz isso. Aliás, o filme possui um roteiro reticente demais para dizer isso. Em minha opinião, é um filme silencioso, mas suficiente para fazer-nos enxergar, mais por meio de movimentos e expressões do que por palavras, o que acontece entre os protagonistas. Lost in Translation é um dos filmes mais honestos que já assisti porque é direto. É o que é. E é simples. O roteiro baseia-se no encontro de duas pessoas repletas do sentimento mais comum que existe: a solidão.

Bob (Bill Murray) e Charlotte (Scarlett Johansson), cada um ao seu próprio modo, começam a questionar a gravidade de suas vidas presas a uma rotina que, para eles, parece não mais fazer sentido. Percebem que da realidade na qual estão inseridos querem desesperadamente sair, mas são consumidos por um sentimento de culpa e impossibilidade.

Como pano de fundo temos Tóquio, uma cidade violentamente desperta, que vem a ser quase uma personagem secundária. O ritmo frenético da megametrópole contrasta com a inércia existencial dos protagonistas.

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Bob é um ator de meia idade, que vai à capital japonesa, por dois milhões de dólares, gravar um comercial para uma marca de whisky. Na verdade, essa é a desculpa que usa para fugir de um matrimônio em ruínas e da frustração de uma carreira em declínio. Já Charlotte é uma jovem recém-casada, e infeliz, que acompanha o marido fotógrafo em campanhas publicitárias pelo país, mas passa a maior parte do tempo sozinha.

Nos corredores de um luxuoso hotel eles se conhecem. E o relacionamento nasce tímido, ao perceberem um sentimento mútuo de admiração e cumplicidade, resultando em um amor real, mas fatalmente efêmero. Bob e Charlotte vêem crescer entre eles uma afetividade tão grande que ultrapassa o amor romântico e chega às vezes de um carinho genuíno e tão verdadeiro quanto perturbador. Mas que, no entanto, serve como alicerce para não somente melhor se conhecerem a si mesmos, como para terem coragem de fazê-lo, de fato.

lost in translation

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A dificuldade de comunicação que eles enfrentam no Japão remete à idéia de como é inóspita e estranha a sensação de não entender e não ser entendido. O nome – original – do filme foi uma feliz escolha ao fazer um paralelo com o indivíduo e a inadequação ao mundo ao seu redor.

Lost in Translation é o segundo filme de Sofia Coppola, filha do poderoso cineasta Francis Ford Coppola, e mostra que herdou o talento do pai. O filme tem uma excelente fotografia e qualidade técnica. Por isso levou três Globos de Ouro e recebeu o Oscar de Melhor Roteiro Original. Foi também indicado em outras três categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (a) e Melhor Ator para o fantástico Bill Murray.

A trilha sonora do filme merece destaque, com excelentes faixas de My Bloody Valentine, Air, Kevin Shields, The Jesus & Mary Chain, entre outros.

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Fontes das imagens: 1.

 

rejane borges gosta das cores de folhas secas ao chão. E das cores das folhas velhas dos livros. Saiba como fazer parte da obvious.

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Tarava

Quando vi a fita (filme?) fiquei "Lost in Viewing".
A dona Sofia se herdou os talentos do pai não terá sido na arte de fazedora de filmes

É o meu filme de cabeceira, se assim posso dizer!
Adorei o post!

Ichi

Esse filme é excelente, é daqueles filmes que você tem que ter no seu acervo de filmes.
ótimo post.

Proberto

Tema curioso. Por sua sugestão vou assistir ao filme e, depois, registrarei o meu depoimento...

Obrigado Rejane Borges, pela indicação. Gostei muito do filme. Não tinha assistido ainda. Mande mais indicações. rs

Salgado

A solidão é uma amiga íntima que nem sempre conseguimos definir ou expressar. Ainda mais quando nos sentimos sozinhos apesar de rodeados de pessoas. Ainda não assisti “Lost in translation” más, posso recomendar outro filme sobre o mesmo tema: “in the mood for Love” de Wong Kar-wai.

Parabéns pelo texto Rejane, li ele ontem e foi inspirador o suficiente para me fazer ir imediatamente a uma locadora. Concordo com você a respeito do filme e a palavra “honesto” o define muito bem, é uma história muito envolvente pela sua veracidade e conta com o charme único digno daquilo que é sincero. A fotografia do filme de fato é sensacional.

Algo que me chamou a atenção foi o fato de ele ser escrito e dirigido pela Sofia Coppola, confesso que quando assisti o Poderoso Chefão parte 3 ela me impressionou pela sua atuação (e também pelo seu sorriso), agora, vê-la escrevendo e dirigindo um filme tão interessante me fez admirar de fato o seu trabalho.

Parabéns pela indicação Rejane,

Abraço

Edu Leopold

Este filme é fantástico! Parabéns pelo artigo.

Wow!
Já no fim do texto ver a trilha ser mencionada, me deu um sopro de felicidade. Esse filme é de uma elegância ímpar. Quem me dera ao envelhecer e se sentir frustrado ter o controle de si mesmo como o personagem do Bill Murray (a Charlotte não é de se atirar aos cães).
É o melhor, senão, o que nunca terá substituto na carreira da Sofia. Único.

Flávio Galdino

Um filme bonito.Este é com certeza um dos melhores filmes da década.
Rejane ,seu texto é preciso.

João F

absolutamente maravilhoso..
eu não sou capaz de imaginar este filme em formato livro, uma vez que as pequenas coisas que o tornam perfeito são os silêncios, as pausas, as expressões quase imperceptíveis, etc etc..
é um filme muito visual que, mais do que tentar compreender, deve-se tentar sentir.. não sei explicar direito

o que é estranho é que pouca gente consegue "sentir" isso..
pelo menos, das pessoas que eu conheço que o viram, não conheço nenhuma que tivesse ficado com a mesma sensação que eu em relação ao filme :\

facto curioso: este filme foi filmado em apenas 27 dias

bom post!

Eu vou ter que discordar com o comentário do TARAVA, Ela herdou sim o talento do pai como fazedora de filmes, e está comprovado tanto pelos prémios e nomeações que o filme teve, como pelos comentários positivos que as pessoas estão a fazer aqui no obvious e em outros lugares.

Este Filme deixou-me com um sentimento que infelizmente não consigo descrever. Agradecer ao SALGADO pela sugestão, “in the mood for Love” for love também é uma obra de arte. Vou deixar também uma sugestão: "Things You Can Tell Just By Looking At Her". Para os que ainda não tenham visto, eu recomendo.

Salgado

Não tem de que ELCÍDIO. Na verdade, eu sou suspeito pra falar, pois sou um grande fã de Wong Kar-wai (talvez escreva sobre ele algum dia).
Também estou aberto à sugestões de bons filmes.

Viviane

Também concordo com você JoãoF,é um filme prá sentir o silêncio.Mas me intriga uma coisa,o que ele diz prá ela no final?

Viviane

Devo concordar com você JoãoF,em Lost in trasnlation o silêncio é o que mais fala,então nos resta sentir o que esse silêncio diz.Por falar em falar,o que será que ele diz prá ela no final!?

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