The Gum Wall: uma atracção turística "mastigada"

Responda por favor às seguintes questões: Alguma vez pensou em ir a Seattle? Resiste normalmente bem aos germes? Tem especial predilecção por visitar muros ou paredes famosas? E por fim, mas não menos importante, qual é a sua posição em relação às pastilhas elásticas? Se respondeu de forma positiva a todas estas questões, permita-me que lhe apresente The Gum Wall.



gum wall pastilha elastica parede seattle

Não sendo uma Wall of Fame, esta Gum Wall, ou Wall of Gum, não deixa de ser menos famosa por isso, ou de merecer uma visita sua. Na verdade, está tão bem considerada que em 2009 passou a figurar no segundo lugar do top 5 das atracções turísticas com mais concentração de germes do mundo. Ao lado de nomes tão importantes como a Praça de São Marcos em Veneza, ou a Pedra de Blarney, na Irlanda – que ficou em primeiro lugar.

Mas um bocadinho como a Lei da Gravidade de Newton ou o Princípio de Arquimedes, que foi descoberto na banheira, The Gum Wall não foi um projecto deliberado. Corria o ano de 1993 quando em Post Alley, por baixo do Pike Place Market, um grupo de espectadores que aguardava na fila do Market Theatre mastigava o tédio como forma de enganar o cansaço pela demora. Quando as pastilhas que lhes entretinham o cérebro perderam o sabor, eles colaram-nas na parede.

Ao início usavam-nas como meio de afixar moedas – quem sabe se para mostrar que tinham dinheiro para pagar as peças pelas quais esperavam e desesperavam - mas com o tempo foram-se as moedas e ficaram só as pastilhas. Mais concretamente, 4,57m de altura por 15 metros de largura de um “papel de parede” autocolante e de aroma frutado que não pára de crescer.

Os trabalhadores do Unexpected Productions’ Seattle Theatresports - donos da parede em causa - ainda tentaram por duas vezes raspar as pastilhas, mas desistiram por volta de 1998, quando funcionários do Pike Place Market se aperceberam de que a parede virara uma atracção turística, com as pessoas a aglomerarem-se para verem as pastilhas e formas de arte à volta delas, e não tanto as produções em cartaz.

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De lá para cá, esta parede foi tomada de assalto e é agora uma autêntica galeria de arte a céu aberto. Desde mensagens a posters ou até cartões de visita, esta parede tem servido para afixar de tudo um pouco. Milhares e milhares de molares têm trabalhado este “barro” mui sui generis, mastigando-o até ele atingir o ponto de rebuçado, para depois o entregarem a dedos engenhosos que o esticam ou amassam, transformando-o em coisas tão surpreendentes e variadas como caras de tartarugas ninja, corações ou bandeiras. E assim, pastilha a pastilha, a parede não morre e o mito cresce.

Mas e os germes? Os germes também crescem, é um facto. Em última instância, esta parede não deixa de ser um enorme aglomerado de germes. E, sim, o resultado visual é melhor se reservarmos alguma distância (de segurança). Mas creio que não é preciso ser-se proveniente de Singapura, onde as pastilhas elásticas foram proibidas, para se poder afirmar com toda a convicção que, nojenta ou não, esta parede é algo a que não se fica indiferente.

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E, ao que parece, para além do lado artístico esta simpática cultura de bactérias tem se revelado uma forte aliada dos municípios, que testam com a Gum Wall a resistência das pastilhas às adversidades atmosféricas e à passagem do tempo, conseguindo perceber como, e quanto, é preciso investir para as eliminarem das ruas.

E a verdade é que elas resistem tão bem que quem sabe se daqui a muitos, muitos anos, quando hipoteticamente a Terra já não for habitada por humanos e seres de outros planetas visitarem os destroços do que sobrou da nossa história, esta cultura de bactérias impregnada de DNA humano que habita a Gum Wall deixe transparecer uma outra cultura: a nossa, glueing it all together.

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Em 2009, Jennifer Aniston ajudou à popularidade desta parede ao protagonizar um filme chamado Love happens que teve uma das suas cenas filmada lá. E porque ninguém é infeliz ao pé destes tijolos, muitos jovens casais servem-se deles e vão até lá trocar juras de amor e alguma saliva, enquanto posam para a posteridade vestidos de noivos.

Eis uma parede divertida. Um must go, must do, must see.

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Fontes das imagens: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8.

helena sousa pereira

gosta de pensar que se não tivesse nascido, alguém a teria inventado.
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