Closer: Perto demais, maduro demais

"Closer - Perto demais" (2004) é um filme que cativa com uma robustez digna do que é direto e, mais que isso, sincero. Pessoalmente, me causou uma espécie de indignação: critiquei-me pelo fato de ter passado meus olhos tantas vezes por aquela capa de DVD modesta e não a ter levado para casa.


closer perto demais

A história parece ser lacrada por uma imagem acompanhada de uma trilha sonora. Digo lacrada, pois o início e o fim é este, uma música arrebatadora pelas suas palavras, “The Blower’s Daughter” de Damien Rice, enquanto Natalie Portman caminha por entre uma multidão e a única coisa que o espectador consegue perceber é o seu olhar.

As características desse filme são puras. Nada de efeitos, estupendas paisagens, eventos mirabolantes ou circunstâncias fantásticas. Esse filme fala de você, enquanto caminha por uma rua movimentada pensando em algo supérfluo e então dá por si olhando intensamente para alguém que lhe responde o olhar. Fala de você quando é responsável pelo amor que cativou de outrem, mas sente-se atraído inexplicavelmente por alguém que conheceu 20 minutos atrás.

Quatro personagens distintos. Mesmo sendo um erro rotulá-los por suas profissões, assim faremos: Natalie Portman interpreta uma stripper, enquanto Jude Law é um escritor de obituários, Julia Roberts vive uma fotógrafa e Clive Owen um médico dermatologista. Primeiramente, parece complexo unir personagens de universos tão diferentes sobre uma mesma trama. Mas todos se encontram em um patamar comum, não só para eles, mas possivelmente para a humanidade: a fuga da solidão, a busca de sentido ou conforto nos braços de alguém.

closer perto demais

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Esta visão sobre o homem dá personalidade sincera ao filme que, vinculada aos seus aspectos cinematográficos, lhe remetem uma justa associação com a dramaturgia: Perto Demais resultaria em uma peça de teatro excelente pelo fato de estar voltado (completamente) para os atos. As características humanas potencializadas em diálogos arrebatadores, em cenas que demonstram exatamente o que é amar, sofrer, querer, estar e ser; e, para isso, nada mais é necessário além de duas pessoas abrindo seus corações, falando com uma sinceridade incomum o que sentem. Repito: os diálogos desse filme são sensacionais pela sua qualidade textual e também pela interpretação fantástica de seus atores, rendendo como prêmio dois Globos de Ouro e duas indicações para o Oscar, ambos de melhor ator e atriz coadjuvante.

É um filme de amor maduro, que por ser maduro, talvez deixe de ser um filme de amor.

closer perto demais

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Fontes das iamgens: 1, 2, 3, 4, 5, 6.


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