
Formado em arquitetura pela PUC-Campinas e pelo Politecnico di Milano, Lucas Simões faz uso de objetos cotidianos como retratos e livros na criação do seu trabalho, que compreende desenhos, recortes e instalações transgressoras, que buscam resgatar da mesmice e do senso comum todo sentido a eles atribuído. Desde a sua formação em 2003, Lucas participou de muitas exposições pelo Brasil afora e foi premiado duas vezes. Em 2009, recebeu o Prêmio Citi Novos Artistas (Espaço Cultural Citibank, São Paulo, SP), e em 2010, o Grande Prêmio do Salão de Pequenos Formatos da Amazônia (UNAMA, Belém, PA).
O arquiteto e também artista conta que o seu interesse pela arte vem de longe, levando-o a estudá-la ainda pequeno. Aos 16 anos organizou a sua primeira exposição individual, que consistia na ocupação de uma casa vazia onde realizou instalações e expôs suas telas. Segundo Simões, o trabalho daquela época em nada se assemelha ao de hoje, mas sem duvida foi muito importante para a sua formação. Atualmente, o seu trabalho mantém uma conexão forte com a arquitetura no sentido da construção dos recortes, das sobreposições e dos padrões geométricos, gerando naturalmente um pensamento de profundidade e perspectiva.
O impacto do seu trabalho Quem Brinca Com Fogo reside no próprio fogo, mas não se limita a ele. É a força motriz que produz calor e luz, e que destrói para resconstruir. Na verdade, este é o mecanismo da obra de Lucas Simões: buscar a compreensão às avessas.
As fotografias queimadas representam o ponto de mutação da nossa ótica acomodada e frágil, e nos causam tantas emoções quanto perguntas. Perturbadoras numa primeira instância, elas exigem e pressupõem um olhar mais demorado. Não foram encomendadas, nem tiradas ao acaso para efeitos de moldura, mas, segundo Simões, realizadas em um momento em que se fazia necessário pôr em esquecimento e resignificar a dor e o vazio. Porque o fogo é um ritual e todo o ritual implica mudanças e travessia.


Seus retratos não apontam para um isto ou aquilo e, desta forma, transcendem o pensamento bipolar convencional. Chegam a ser estranhamente belos (o olhar distante e quase intocável da moça na janela), mas igualmente frontais e crus, apesar da aniquilação dos rostos e seus órgãos (o rosto do rapaz consumido pelas chamas). As queimaduras ora profundas e amplas, ora restritas e sutis feito pinceladas numa tela (o jovem na cama se deixando queimar) sugerem o outro lado da dor, a que surge depois do momento do trauma, uma espécie de isolamento e desamparo terríveis que (nós, leitores) sentimos com o corpo e a pele intactos.
Ao fazer atentar para os detalhes aniquilados pela chama e queimaduras simbólicas, o artista nos mostra que tem pleno domínio sobre o fogo. Um movimento que nos ajuda a constatar que nenhum dos rostos e corpos retratados nas fotografias parece querer fugir, correr do seu destino fatal, por pior que pareça. Imolados, eles nos presenteiam com o próprio sofrimento e vazio que o engenho humano compreende.


Mais trabalhos no flickr de Lucas Simões.
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comments powered by DisqusClaudia Ka
Rs. Eu já fazia isto no começo dos anos 90. Enfim, nada se cria, tudo se transforma.
pedro juan
é, originalidade 0, mas tem um quê de sincero.