a anatomia moderna de michael reedy

O artista norte-americano Michael Reedy considera o corpo humano o veículo artístico mais expressivo para representar as ansiedades do mundo moderno. Contudo, ele não o apresenta de forma tradicional: podemos também ver o seu interior em desenhos com um cenário bastante incomum.



michael reedy anatomia desenho corpo humano

Nos seus desenhos, Michael Reedy estuda e penetra no corpo humano, mostrando uma faceta a que não estamos habituados. Há mais de cinco anos a trabalhar neste tipo de imagens, tudo começou quando pintou três quadros (de retratos até às ancas) que incluiam um canário colorido no cenário, semelhante a um cartoon. A partir daí, Reedy decidiu desenvolver esta ideia da anatomia humana tradicional aliada a desenhos modernos, dedicando-se há cerca de dois anos aos desenhos que vemos aqui.

Os corpos destas imagens foram libertos dos constrangimentos pesados das telas, permitindo que a imaginação de Reedy operasse num diferente tipo de espaço: o papel. E é por isso que podemos ver o seu interior que exprime o voyerismo negro e a cultura de espectáculo dos dias de hoje. Tudo está à vista e a intimidade é frágil e intermitente. A nudez está lá, mas vai mais além: os ossos, as veias e os orgãos são escrutinados pelo artista norte-americano e exprimem uma asfixia da contemporaneidade.

michael reedy anatomia desenho corpo humano

Contudo, nestes desenhos não existem apenas figuras anatómicas: existem também elementos alusivos aos cartoons, e é isso que os afasta também da pintura tradicional. Misteriosos e multifacetados, estes traços dão-nos a conhecer reflexos de desejos escondidos e são veículos para uma narrativa subliminar. Em alguns desenhos esta dualidade é ainda acompanhada de uma visão 3D que confunde o espectador. Assim, cobrindo o âmago da sua mensagem, o artista espera examinar melhor o espectáculo da cultura contemporânea, como que observando escondido atrás de um cortinado.

Com uma visão bastante romântica do corpo humano, Reedy escolheu-o para motivo pela sua própria polaridade. É trágico e belo, eterno e mortal, delicado e incorrupto, calmo e ensurdecedor. Resumindo, é sempre duas coisas numa, como a poesia. Tampouco a escolha do tom predominante nas imagens foi deixada ao acaso. O castanho é uma cor que sugere calor e nostalgia. É a cor da sujidade e da terra. É uma cor que transmite tranquilidade e fragilidade. Para o desenhador, o castanho tem um papel calmante e perturbador.

michael reedy anatomia desenho corpo humano

O interesse de Reedy em imagens que destacam os limites do corpo humano e o seu impacto nos meios tradicionais despoletou a ideia para estas séries. Nos cartoons, normalmente vistos como uma arte secundária, o artista encontrou potencial para colocar novas questões acerca da arte e do corpo humano. A partir daí, explorou o material e, através do processo de tentativa e erro, tomou uma nova direcção para a sua arte.

Tendo participado já em dezenas de exposições e ganho outras tantas dezenas de prémios, Reedy é também professor de arte na Eastern Michigan University, nos EUA. Os desenhos medem cerca de 75 por 75cm e estão à venda no website do autor por 138 dólares mais portes de envio. São enviados numerados e assinados pelo artista.

michael reedy anatomia desenho corpo humano

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Mais trabalhos no site de Michael Reedy.

diana guerra

é normalmente zote, mas dizem que também se interessa por arte, cultura e essas coisas óbvias.
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