Paula Rego: uma casa com histórias por dentro

A Casa das Histórias Paula Rego vê as suas portas abrirem-se em Setembro de 2009. Para os apreciadores de arte, e em concreto do trabalho da pintora, este é um local que não podem deixar de conhecer. Cerca de 800 obras estão expostas (desde desenhos e gravuras às telas mais conhecidas) dando a ver todo o seu percurso artístico.


casa museu paula rego pintura

No coração de Cascais (Lisboa), ao lado do Museu do Mar e junto à Cidadela, surge uma homenagem a uma das maiores artistas portugueses contemporâneas: um museu todo dedicado ao seu trabalho.

A iniciativa partiu do próprio Município de Cascais, onde Paula Rego viveu parte da sua vida, antes de se mudar para Londres com apenas 17 anos. Foi aí que ingressou na Slade School of Fine Art, continuando os seus estudos criativos, e onde veio a conhecer o pintor e critico de arte Victor Willing, seu futuro marido. Tanto Cascais como Victor são duas grandes inspirações para Paula Rego, sendo (re)conhecidas as referencias a ambos em várias das suas obras.

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Gerido pela Fundação Paula Rego, este “regresso a casa”, desvenda-nos as histórias por trás de cada pincelada: o enredo e a fábula que desde sempre foram desenhados pela pintora. Nas centenas de telas expostas, as suas vivências e uma prodigiosa imaginação misturam-se e criam um mundo só seu.

Tem sido também através do pincel que sempre exprimiu a sua condição de mulher e criou as personagens que ganham formas para representar emoções e sentimentos: o amor, o horror, a perda, a maldade, a ternura ou a solidão. Durante os anos 50 e 60, Paula Rego fez “quadros baseados em coisas políticas”: a guerra de África originou várias colagens até aos anos 70. Já a fase de doença terminal que acabou por vitimar o seu marido está muito presente ao longo dos 80. A grande viragem na sua carreira deu-se nos anos 90. Criou as gravuras “A menina e o cão”; passou a utilizar cada vez mais o desenho de modelo; criou as séries “O crime do Padre Amaro”, “Peter Pan” e Jane Eyre” (baseado no clássico de Charlotte Bronte), o conhecido “Pillow Man” e alguns quadros sobre a mulher portuguesa e o referendo sobre o aborto.

Há quem diga que a sua arte é grotesca e talvez por isso choque à primeira vista. Mas Paula Rego tem uma ideia muito definida sobre esse aspecto: “ Consegui fazer do grotesco belo.(…) é feio, é repugnante, faz nojo mas também é belo, tem a beleza feia que pode provocar uma ternura”.

Grande parte destas emblemáticas obras fazem parte da colecção permanente do museu, juntamente com um conjunto de outras pinturas e desenhos emprestados por um período mínimo de 10 anos.

O edifício da Casa das Histórias foi concebido pelo arquitecto Eduardo Sousa de Moura. Um projecto que retoma, num espírito moderno, alguns aspectos da arquitectura histórica da região, como o betão pigmentado a vermelho que cobre todo o museu. Com 750 metros quadrados, dispõe, para além da área das colecções, de uma loja, livraria, cafetaria e de um auditório. Duas exposições temporárias completam a agenda da programação.

Várias obras provenientes da galeria Malborough e outras da autoria do seu falecido marido foram as primeiras a chegar, alcançando grande êxito entre os visitantes. As apostas em parcerias com outras instituições museológicas nacionais e internacionais permitem não só reforçar e diversificar o espaço, como criar um leque de outras actividades: conferências, debates, actividades lúdicas e educativas e sessões de cinema. Estas últimas (realizadas no auditório) já incluíram documentários sobre a vida e o percurso de Paula Rego e, mais recentemente, sessões da 4ª edição do Estoril Film Festival.

casa museu paula rego pintura The Pillowman, 2004.

casa museu paula rego pintura The Fitting, 1989.

Mais trabalhos no site da Casa das Histórias Paula Rego.

Fontes das imagens: 1 © Marco Coelho (flickr), 2, 3, 4, 5.


diana ribeiro

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