
O metro de Tóquio é um dos transportes mais concorridos do Mundo, onde todos os dias passam cerca de seis milhões de passageiros. Na linha "Odakyu", e apesar de haver uma nova carruagem a cada oitenta segundos, em plena "rush hour" este ritmo de passagem não é suficiente.
Michael Wolf esteve um mês a fotografar esta realidade. Assim que as portas se fechavam, apontava a câmara para as janelas do metro. O objectivo: registar os rostos e as emoções de quem, logo pela manhã, já estava "apertado" entre milhares de desconhecidos.
O fotógrafo alemão, nascido em 1954, é conhecido pela sua tendência "voyeurista". Gosta especialmente de captar momentos do quotidiano que por serem tão banais acabam por passar despercebidos. Mas Michael consegue ir ao detalhe e revelar pormenores surpreendentes.


Em "Tokyo Compression" as fotografias falam por si: a confusão nos vagões que leva a que os passageiros sejam quase espremidos contra as janelas, empurrados, pisados e tenham que suportar o cheiro (por vezes desagradável) dos companheiros de viagem. Muitas pessoas não mostravam qualquer reacção quando se apercebiam de que estavam a ser fotografadas. Os flashes disparados a tão curta distância eram apenas mais uma luz sem qualquer importância. Já outros fechavam os olhos, protegiam a cara com as mãos ou tapavam as janelas, incomodados com a situação. Não há nenhuma imagem de alguém a sorrir e em muitas delas os vidros estão embaciados.
"É o inferno dos transportes suburbanos", afirma Wolf. Esta é uma realidade vivida não só em Tóquio, como em muitas outras metrópoles do mundo. O desconforto e a incapacidade de lutar contra as multidões em plena hora de ponta. A perspectiva abordada pelo fotógrafo transmite essa visão da vida contemporânea nas cidades.
Esta bizarra experiência já se encontra em livro, numa publicação feita pela editora Peperoni Books. E até 20 de Fevereiro as imagens estão expostas no Forum fur Fotografie, em Colônia, na Alemanha.


Fonte das imagens: 1.
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comments powered by DisqusElison Takashi
Nossa impressionante, do Michael Wolf.
Obrigado Diana por compartilhar com agente.
Abraços
Je Jé
Como em todo o mundo, mesmo onde a moral religiosa e familiar é menos exigente, a massa vive amassada.
Alexandre Maia
Há quem diga que São Paulo no horário de rush é bem por aí...
Maria Eduarda Freitas
Grata pela partilha de tão interessante tema e matéria.Como gostei bastante, tomei a 'liberdade'de partilhar tb no meu mural. Um abraço e muito sucesso! Bem haja
M.Eduarda
Ana Rita
Impressionante mesmo, artigo fantástico!!Em Portugal às vezes também é assim...!!!
Desbúruru
O trabalho desse fotógrafo, é mais uma marca pungente de que vivemos já em um estado bacteriano, onde não temos mais espaço para nada e para ninguém. Tudo está tomado, tudo será tomado. É só uma questão de tempo.....e de espaço.
Fábio Mendes
Belíssimo trabalho.
Show esse blog.
Luis Hipolito @ The Blogger
As fotos são maravilhosas e ao mesmo tempo mostram o desencanto com a sociedade moderna.
carlos edu
as imagens nos passa a sensação de cansaço e desconforto,muito bom o trabalho,eu não faria melhor;
Fabíola Abess
Em Manaus, capital do Estado do Amazonas, no Brasil não é muito diferente...e olha que acham que os tempos modernis ainda não chegaram por aqui.
Sandro Max
Sabe, eu convidaria ele a vir fotografar os trens da CPTM, ai sim ele teria fotos inusitadas, de cansaço, desconforto, mostrando ao que a massa se rende diariamente num pais de terceiro mundo. Engraçado é observar esta massa, que se move de forma mecanica, desordenada, mas com uma ordem que nasce do caos, onde milhoes se cruzam, sem se conhecer, e provavelmente nunca se conheceram.