Kolonihavehus: o simples colorido de Tom Fruin

Num tempo em que toda a arte necessita de significar alguma coisa, a simplicidade do conceito por trás da obra – ou a falta dele – torna-se apreciável.


kolonihavehus colorido cor vidro tom fruin

Tom Fruin é um artista visual que mora no Brooklyn, em Nova Iorque. Ele faz sua arte a partir de material descartável ou reciclável, dando outras formas às coisas vulgares. Pode ser um saco plástico ou uma placa caída de trânsito. O cadarço de um tênis velho ou uma caixa vazia de chocolates. O cotidiano da metrópole torna-se a matéria prima deste artista.

Sua arte é absolutamente urbana, pois é na movimentação frenética das cidades que ele busca o material para suas criações. Mas não foi isso que me chamou a atenção em Tom, uma vez que temos inúmeros artistas que trabalham com materiais descartáveis ou recicláveis.

O que chamou minha atenção foi, em especial, uma escultura que faz as vezes de uma casa, feita em material acrílico envidraçado, também descartado por uma fábrica que fechou.

A casa chama-se Kolonihavehus e é muito simples. Uma escultura com mil pedaços de acrílico recuperado. Os painéis são fundidos e emoldurados individualmente e tomam a forma de uma casa. As cores compostas pela junção desses painéis são por elas mesmas já uma obra de arte. De noite, a casa as reflete como um farol e de dia é um verdadeiro templo de cores a trazer as mais diversas reações a quem passa por ela. Alguns lados da casa foram montados de modo meticuloso, a fim de dar mais luz ou deixá-la mais escura em determinadas partes.

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O nome “Kolonihavehus” é inspirado em um jardim da cidade de Copenhagen, Dinamarca, lugar modesto que refugia alguns trabalhadores em suas horas de descanso.

Mas é apenas isso. Não há o propósito de refletir sobre a arte em questão. Não há intenção, nem expectativas. Uma casa colorida com materiais descartáveis. O artista afirma que Kolonihavehus é uma escultura pública e, ainda que inspirada em um cenário para performances teatrais, pretende dar a liberdade às pessoas de sentirem-se como quiserem ao observá-la. E isso depende do humor de cada um. Claramente uma arte despretensiosa, que provoca sentimentos tão simples como ela própria.

A primeira exposição da casa foi no pátio externo da Royal Danish Library, em Copenhagen, no final de 2010. Estão programadas muitas viagens a outras cidades da Europa, já que a casa foi projetada com o propósito de ser nômade, sendo facilmente transportada em uma van. Mas Tom deseja levá-la para sua cidade, Nova Iorque, e lá instalá-la em um telhado.

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Mais trabalhos no site de Tom Fruin.


rejane borges

Gosta das cores de folhas secas ao chão. E das cores das folhas velhas dos livros.
Saiba como escrever na obvious.

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