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Não basta ser livro, tem de ser artístico (ou excêntrico)

publicado em design por | 6 comentários

Nem só da palavra impressa o livro é feito. A editora CosacNaify esforça-se para fazer o leitor compreender que, antes do livro como mito, há o objeto de papel, quadrado e achatado, que pode ser confeccionado das formas mais variadas possíveis – contendo uma fotografia de um metro de comprimento ou tendo que descosê-lo para lê-lo.

livro cosacnaify

Imagina. Você compra um livro e ele chega costurado. Isso mesmo, costurado à linha. É preciso descosturar o livro para lê-lo. Você se pergunta: como vou fazer isso? Então lembra que um cortador de unhas ou uma faca pequena podem lhe auxiliar. Até aí tudo bem, você pensa, afinal é uma excentricidade: o livro parece um ficheiro, natural que esteja “lacrado”.

Depois de aberto você percebe que as páginas têm um cheiro artificial de bolor, de mofo, de coisa velha. Que coisa! - você exclama. Ainda tem mais: é preciso, para que você finalmente ache o texto, romper as folhas do livro, que estão coladas e exibem apenas uma entediante sucessão de tijolos nas faces externas – o texto está dentro, protegido.

Vou precisar da faca para cortar as folhas, você pensa, e então você percebe que dentro do livro veio uma lâmina de plástico que mais parece – e é – um marcador de página muito bonito. É com essa lâmina que você vai ter que cortar cerca de 40 páginas para começar a ler o livro.

livro cosacnaify

O livro em questão é Bartleby, o escrivão – uma história de Wall Street, do escritor estadunidense Herman Melville. Por trás desta excêntrica edição, e de muitas outras – há uma edição onde as letras vão sumindo de acordo com o passar das páginas - está a editora paulista CosacNaify.

Desde de 1997, quando pôs nas livrarias o seu primeiro livro - Barroco de Lírios, do artista plástico Tunga, a editora vem colecionando prêmios e mais prêmios de design dentro e fora do Brasil. Barroco de Lírios causou enorme impressão no mercado editorial, e não julgo nenhum absurdo afirmar que criou novos paradigmas para este mercado. Continha mais de 10 tipos de papel diferentes e recursos como, por exemplo, uma fotografia de uma trança que, desdobrada, chegava a um metro de comprimento.

Quem acompanha mesmo timidamente o universo de publicações de livros aqui no Brasil, percebeu que gigantes como a Companhia das Letras começaram a apurar mais esteticamente suas edições. Exemplo disso são as novos volumes da obra de Jorge Amado, muito coloridos ao sabor estético do escritor baiano e recheados de fotografias raras e informações adicionais que criam uma ótima atmosfera para a leitura da obra.

livro cosacnaify

De 97 até agora, segundo dados da própria editora, foram pouco mais de 750 títulos publicados entre literatura, artes, design, moda, música, e outros mais. Uma a uma, as edições vão impressionando pelo apuro estético ou pela maneira excêntrica como são concebidas. Alguns leitores acham certas edições excessivas, outros enaltecem a editora como uma dádiva de Deus e estão crentes de que qualquer literatura ordinária ganha contornos dignos se publicada pela CosacNaify.

Enfim, vai da ética de cada leitor, que nem sempre é a mais certa – e muito menos a mais errada. Quem há de condená-los?

livro cosacnaify

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ederval fernandes Ederval Fernandes é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. Saiba como fazer parte da obvious.

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Lucas Vasconcellos

Acho que Zazie no Metrô saiu pela CosacNaify...
Lembro que o que me chamou a atenção para o livro foi justamente o design, capa e folhas naquele papel bíblia...
Agora, além disso a editora escolhe bem o que publicar, se não não há estética que resolva...

Zayra

Interessantíssimo! Li este livro ano passado e particularmente adorei. Mas com essa novidade de encher os olhos, pretendo ler mais uma vez, descolando devidamente cada preciosa página *-*

Tarava

Quem não tem mais que fazer faz colheres...
E neste mundo consumista parece não faltar quem não tenha mais nada que fazer!

muito! postei no face e vou mandar no bloguim... realmente duca, inda mais pra mim que estou montando mais um livrim...

"A verdade é só uma, são muitas" já nos disse certa feita o poeta Antônio Brasileiro, assim o que se apresenta nesta peripécia literária da CosacNaif revela uma aposta, ainda que num mercado editorial carente de inovações face ao desenvolvimento de novas tecnologias, nos consegue apresentar características indeléveis de que o processo criativo transcende as formas, e o estilo está contido no poder de expressão artística que uma obra manifesta.

o povo da cossacnaiff esteve aqui ano passado, na livraria cultura e o papo foi ótimo. eles mostraram projetos, detalhando como foram feitos, inclusive relatando os problemas para executar alguns... muito bom, mesmo. no mais, amo, amarei livros para sempre.

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