
As esculturas de arame de Cédric Verdure assumem uma presença quase fantasmagórica na cena urbana: apesar da sua tridimensionalidade, balançam entre a agressividade do material de que são compostas e a transparência - no fundo, entre a dureza e a leveza. É uma perspectiva artística palpável transformada numa aparente miragem.
Provando que um background académico por si só não forma um bom artista, Cédric, residente em Nantes desde 2006, é um autodidacta. O que faz, fá-lo pela necessidade incontrolável de criar; o que sabe, deve-o à Natureza e ao interesse pelas artes gráficas e a arquitectura. "Dar forma ao sonho, imortalizar memórias, estimular sensações - é isso que motiva o meu trabalho. A escultura é uma forma de me expressar e também de dar relevo aos locais que nos rodeiam e envolvem", explica.
Também ele faz parte da vaga de artistas que acredita que os seus trabalhos têm mais valor na rua, em interacção directa com o público, do que entre quatro paredes. Assim, embora já tenha participado em algumas exposições, Cédric Verdure instala grande parte das suas esculturas em pleno meio ambiente.

O arame reciclado é transformado em modelos tridimensionais de figuras humanas e partes anatómicas. Alguns objectos, como sapatos, são também representados, fazendo lembrar as peças da artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos, conhecida pelo uso de materiais do quotidiano - utensílios de cozinha e tampões são alguns exemplos.
Entre o etéreo e a estrutura rude do material, as esculturas de Cédric Verdure fundem-se com o cenário em que estão integradas, não deixando contudo de atrair o olhar para a sua aparente ausência, como um voyeur escondido entre os arbustos.





Mais trabalhos no site de Cedric Verdure.
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comments powered by Disquspyetro
De todas, a segunda ficou mais interessante ..vai ver pela luz e a cor, além das dimensões.
Rodrigo
Muito bom o trabalho dele! Muito bonito de ser ver e bom de se sentir.
Penso como ele com relação aos meus poemas: faço-os para expressar sonhos, memorias, sensações...
Só acho que arte entre quatro paredes não deve ser deixada para trás, como coisa ultrapassada, pois não o é. Basta vemos os grandes artistas que viveram e deixaram seu talento, por assim dizer, a nós.
Abraço,
Lindo, delicado, sensível. Belas imagens e belo texto
Parabéns ao artista e à autora.
Luiz Otavio
Transforma o bruto em formas comm sensibilidade.
Alexandrina Guimarães
Gostei demais das esculturas. criatividade extrapolando. Bom pra nós, apreciadores.
Como fotógrafa, vejo as esculturas como belos objetos para retirar detalhes com minhas lentes.
Parabéns