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George Orwell - 1984

Fabergé: a jóia dentro da jóia

Os ovos de Páscoa de Peter Carl Fabergé são os mais caros do mundo e considerados até hoje verdadeiras obras-primas da joalharia. Um requinte que lhe valeu a preferência dos czares da Rússia.



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A receita para se fazer um ovo de Páscoa como o conhecemos hoje é simples: mistura-se açúcar, cacau e leite com alguns outros ingredientes e temos um presente irresistível que normalmente dura menos de uma semana, para os chocólatras como eu.

Já a receita dos ovos de Páscoa criados pelo joalheiro Peter Carl Fabergé é um tanto mais cara. Em seu ateliê, ele criava ovos com ingredientes como pedras preciosas, metais e esmaltes.

O primeiro ovo Fabergé foi criado em 1885 sob encomenda do czar Alexandre III, que queria presentear com algo especial sua esposa, Maria Feodorovna, por ocasião da Páscoa. O joalheiro criou então um ovo em ouro esmaltado que aparentemente não tinha nada de extraordinário. Mas ao ser aberto descobria-se em seu interior uma gema de ouro que dentro tinha uma galinha com olhos de rubi, que por sua vez continha uma réplica em diamante da coroa imperial.

Ao receber o presente, a imperatriz ficou encantada e assim o czar nomeou Fabergé o joalheiro oficial da corte. Os ovos se tornaram uma tradição da família imperial russa. Todo ano Carl criava uma nova peça e a única condição imposta por Alexandre ao artista era a de que cada ovo devia ser único e conter uma surpresa dentro.

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A tradição permaneceu após a morte de Alexandre III e foi continuada por seu sucessor, Nicolau II, só encontrando seu fim com a queda do império, em 1917. Com a posse do novo czar, Fabergé passou a produzir dois ovos por ano - um para a nova czarina, Alexandra Feodorovna, e outro para a viúva de Alexandre.

Os ovos tinham motivos temáticos sempre ligados ao cotidiano da família imperial e a momentos históricos da Rússia como, por exemplo, a inauguração da estrada Transiberiana. Depois da primeira exposição em que os ovos foram mostrados ao mundo, em 1900, o joalheiro viu seu prestigio atingir o auge. Abriu novos ateliês fora da Rússia e passou a ser procurado por clientes particulares interessados em adquirir ovos e jóias imponentes.

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A joalheria de Fabergé alcançava seu ápice, mas em contrapartida o império russo declinava. A crescente crise da corte czarista afetou a obra de Carl, que começou a optar por materiais semipreciosos na confecção de suas peças. Nesse contexto, os ovos criados pelo joalheiro ficaram para sempre ligados à imagem da decadência do regime czarista, um paradoxo entre a pobreza que assolava o país e a opulência de um Império falido.

Devido ao conturbado momento histórico, Fabergé decidiu em 1916 fechar sua joalheria. Os ovos, que faziam parte das jóias imperiais foram em parte saqueados e outros confiscados pelo novo governo. Sendo visto como um símbolo da luxúria que dominava o antigo governo, o joalheiro teve que buscar exílio na Suíça, onde viveu até a sua morte em 1920.

Décadas depois da revolução, os ovos passaram a ser muito valorizados, tanto pela beleza inigualável como pela mística que se criou em torno da má sorte da família imperial. Colecionadores de todo o planeta disputavam as peças em leilões que acabavam sempre em arremates por valores extremos.

O mais caro deles, vendido por 12,5 milhões, foi leiloado em 2007. E apesar do preço, não era um dos ovos produzidos para os czares, mas um ovo feito para um cliente particular do joalheiro. Estima-se que Fabergé tenha produzido 56 ovos imperiais, mas destes apenas 44 foram localizados.

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jéssica parizotto

é uma proparoxítona, interessa-se por haicais, músicas pouco conhecidas e jogo de palavras. Queria voar de balão, mas tem medo de altura.
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