Hearst Tower: o primeiro arranha-céus "verde" de New York

A Heast Tower, em Nova Iorque, é um exemplo de inovação em design e tecnologia. Foi o primeiro arranha-céus de Manhattan a receber a medalha de ouro do programa Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), do US Green Building Council, em 2006.


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O nome desta torre vem do magnata da imprensa William R. Hearst, fundador da Hearst Corporation. A antiga sede de sua empresa era um edifício Art Deco de 1928, projetado pelo arquiteto Joseph Urban, situado próximo ao Columbus Circle. Hearst já visualizava o edifício Art Deco como pedestal de outro ainda maior, que no entanto não chegou a ser construído durante a sua vida.

Quase 80 anos depois, o novo edifício surgiu. O projeto do arranha-céus deveria estabelecer um diálogo perfeito entre o novo e o velho, como no British Museum, em Londres, e no Reichstag, em Berlim, ambos do arquiteto britânico Norman Foster. E foi ele, juntamente com Adamson Associates, quem assinou a Hearst Tower.

Todo o miolo do edifício Art Deco foi demolido, restando apenas as paredes das fachadas externas, que passaram a servir de vedação para o grande lobby do novo prédio. O edifício antigo foi ligado ao novo por painéis de vidro que inundam de luz natural os espaços internos, gerando uma leveza visual e a impressão de que o arranha-céus flutua.

A Hearst Tower definitivamente não é um arranha-céus convencional. Sua estrutura é composta por um sistema denominado diagrid, palavra da língua inglesa composta pela junção de duas outras: grade e diagonal. Esse sistema estrutural é uma malha diagonal de alta eficiência em termos de peso, pois necessita de aproximadamente 20% menos de aço do que uma armação estrutural convencional. Tal permitiu uma economia de aproximadamente 2000 toneladas do material.

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As peças diagonais, vistas das fachadas, não exercem apenas função decorativa ou de vedação: são elas mesmas que compõem o sistema estrutural. Os cantos resultantes dos encontro das diagonais foram cortados, de forma semelhante ao corte de um diamante, enfatizando as proporções verticais e criando uma silhueta ímpar que, por ser tão diferente, se destaca na skyline da ilha.

Além de seu design inovador, a torre de 42 andares foi projetada para consumir 25% menos energia do que os prédios situados nas redondezas. 80% da estrutura original demolida foi reciclada, e 90% do aço utilizado contém materiais reciclados. A economia de energia a cada ano equivale à retirada de 174 carros das ruas.

Seu telhado possui um sistema de coleta de água das chuvas. Essa água é armazenada no subsolo e reutilizada no próprio edifício. Um dos pontos de reutilização está no lobby, logo na entrada do edifício, ao lado das escadas rolantes, onde fica a icefall, uma queda d’água projetada com a função de umidificar o ambiente e amenizar a temperatura interna. De todo o lobby, inclusive na cafeteria ali localizada, é possível ouvir o agradável som da água caindo. O sistema de aproveitamento da água pluvial reduz a emissão de água para os esgotos da cidade em 25%.

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A Hearst Tower foi projetada para proporcionar aos trabalhadores do edifício um ambiente saudável. Por isso, o grande aproveitamento de luz e de espaço foram condutores do projeto. As fachadas de vidro permitem entrada de luz natural em todos os andares dos escritórios, e uma grande interação com o espaço externo através da ampla vista sobre a cidade. Os andares foram compostos com o mínimo possível de paredes, e a coluna dos elevadores foi deslocada em direção a uma das faces do prédio para liberar ainda mais espaço em cada um dos pavimentos.

A automação da luz foi minuciosamente estudada. No interior dos escritórios existem sensores que controlam a quantidade de luz artificial nos pavimentos de acordo com a quantidade de luz natural incidente sobre o ambiente em cada momento do dia. Os sensores também detectam o nível de atividade no prédio, fazendo com que as luzes e os computadores desliguem automaticamente quando o ambiente é esvaziado.

Com o novo edifício, o império Hearst reuniu pela primeira vez sob o mesmo teto publicações de sucesso como a Cosmopolitan, Esquire, Marie Claire ou Harper's Bazaar, entre outras. Veja mais informação sobre a torre no site da Hearst.

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