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George Orwell - 1984

roupa interior bélica - a mulher em luta

Naiza Khan, artista paquistanesa, criou uma poderosa linha de lingerie baseada nas roupas e armaduras femininas usadas durante a Idade Média. “The Skin she wears” é composta por várias peças, que se assumem em simultâneo como uma graciosa arma de sedução e como um opressivo instrumento de defesa pessoal.



mulher lingerie armas escultura desenho naiza khan

Há vários anos que a paquistanesa Naiza Khan direcciona o seu trabalho para uma reflexão social sobre o corpo feminino. O projecto “The Skin she wears” foi um meio que a artista encontrou para abordar a relação feminina entre a “sua pele interior” e a “sua pele exterior”, ou seja, o próprio corpo e a forma como este é coberto através do vestuário.

Já dizia a escritora Virgínia Woolf que são as roupas que nos usam e não nós que as usamos. E Naiza completa ao dizer que o nosso guarda-roupa é responsável por criar múltiplas personalidades e transmitir diferentes mensagens. A partir de quinze desenhos e esculturas, criou uma linha de lingerie diferente daquelas a que estamos habituados: todas as peças são feitas em metal e aço. Cintos, coletes, camisas, corsetes e ainda uma “saia-armadura”, são inspirados nos trajes da época medieval.

Pelo material e contornos, estes objectos transmitem as tais mensagens contraditórias. Se, por um lado, são considerados uma graciosa arma de sedução, por outro, representam um opressivo instrumento de protecção. Estão, pois, numa posição algures entre a guerra e o amor.

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Em 2007, quando Naiza já tinha iniciado as suas primeiras peças, o Mundo presenciou a revolta na Mesquita Vermelha (Lal Masjid), em Islamabad. Naiza refere que este acontecimento influenciou bastante o seu trabalho: “Vimos pela primeira vez em Hijab as mulheres a terem um papel fervoroso e agressivo para proteger as suas crenças religiosas. Eu queria criar o meu próprio exército, em resposta a este fenómeno social”. Decidiu então juntar a sensualidade de uma lingerie actual e o poder de defesa das armaduras do passado.

Na exposição que realizou na ArtDubai, em 2008, criou especialmente para o pavilhão do seu país “The crossing”. “A travessia” era constituída por um barco de madeira e armaduras com várias peças de aço, tecido e couro. O barco simbolizava o paraíso e o caminho que os paquistaneses fazem para serem conduzidos a ele. As armaduras homenageavam Joana D’arc “ No ano de 1429, liderou o exército francês até à vitória no cerco de Orleans. Ela era um fenómeno sobrenatural” . Naiza não sabe ao certo se estas representam o que virá ou o que foi. Cada uma pode ser como uma “pele” individual que deixamos de lado ou que optamos por agarrar enquanto fazemos a nossa travessia.

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No mesmo ano, mas em Londres, os visitantes tiveram a oportunidade ainda de ver “Pearl Divers”, uma aguarela baseada na nudez de mulheres japonesas, e “Heavenly Ornaments III”, alguns quadros pintados com carvão e em acrílico, que expressam pensamentos pessoais e políticos da artista a partir da obra de Maulana Ashraf Ali Thanawi (famoso e místico sábio indiano) sobre a vida islâmica numa casa muçulmana. Actualmente, Naiza Khan vive e trabalha em Karachi. Os seus trabalhos têm também passado e sido expostos por Hong Kong, Islamad, Mumbai e Nova Iorque.

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diana ribeiro

gosta de cores, comer algodão doce, ouvir as ondas do mar e cheirar livros novos. Não dispensa o uso de nenhum dos sentidos.
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