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Hypatia: uma cientista num mundo de homens

publicado em recortes por | 36 comentários

Uma mulher sobredotada numa época em que os homens, em nome do fanatismo religioso, estavam mais preocupados em esfaquear e apedrejar até à morte os descrentes e em sujeitar as mulheres à total submissão, é algo que tem os seus dissabores e perigos mortais.

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A Escola de Atenas: famoso fresco do pintor renascentista Rafael. A cena pode ser vista numa das bibliotecas do Vaticano e nela encontra-se Hypatia, de pé e vestida de branco, a olhar directamente, com altivez, para quem a visiona. Mais acima, Sócrates e Platão “entram” em cena.

A vida de Hypatia é digna de um filme, pelo que não foi de admirar que em 2009 este acabasse por chegar ao grande ecrã, através da super-produção “Ágora”. Uma excelente obra cinematográfica que, apesar de tudo, muito deixa por contar, ou então cai no velho pecado de exagerar os feitos da heroína. Fiquemo-nos, assim sendo, pelo que se conta nos velhos e poeirentos livros de história.

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No longínquo ano de 355 (ou talvez 370, não existem certezas), nasceu na cidade de Alexandria a notável Hypatia. Filha de Téon, professor e último director da Biblioteca de Alexandria, foi educada por este para se tornar no protótipo da perfeição e da virtuosidade. Ou seja, aquilo que os homens de Alexandria não eram capazes de ser.

Mas a ascensão desta mulher prodígio chocava contra os preconceitos dos pais fundadores da filosofia racional helenística, dos quais era intelectualmente herdeira. Enquanto Platão, na sua máscula soberba, defendia que “a mulher, em relação à virtude, é naturalmente inferior ao homem”, Sócrates fazia render o poder do seu falo e afirmava que “a coragem do homem revela-se no comando, e a da mulher na obediência.”

Todavia, e fazendo gato-sapato desta verborreia machista, Hypatia acabou por exceder tudo e todos e tornar-se, na sua época, num dos nomes mais respeitados da matemática, astronomia e filosofia.

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Entre os seus feitos incluem-se o aperfeiçoamento do astrolábio – um instrumento que mil anos depois ajudaria os portugueses a conquistar o globo pelos mares –, assim como um conjunto de textos nos quais explica, com extraordinária simplicidade, algumas das grandes (e complexas) ideias científicas e filosóficas do classicismo helénico. Para esta mulher, o conhecimento devia ser acessível a todos.

Dotada de uma oratória capaz de provocar dor de cotovelo a Winston Churchill, tornou-se professora de muitos jovens oriundos de famílias abastadas, e tal era o seu carisma que um dos pupilos apaixonou-se por ela, declarando-se-lhe com pompa e circunstância. A resposta de Hypatia a esta gesta de amor até faria congelar o coração a Don Juan: atirou-lhe um lenço manchado com o sangue da sua menstruação e perguntou-lhe se era aquilo que ele queria desposar. Ascética e virgem, renunciaria até ao fim da sua vida a qualquer prazer carnal. O seu corpo deveria ser, portanto, da sua exclusiva propriedade.

Com o passar dos anos, os seus alunos tornaram-se nos homens mais poderosos de Alexandria. Um forte testemunho da influência que ainda detinha sobre estes era o facto de os magistrados da cidade recorrerem ao seu aconselhamento antes de tomarem qualquer decisão importante. Em pleno século IV, uma mulher ter tanto poder nas mãos era único.

Ignorância, fanatismo, crime e vingança

Mas os tempos eram perigosos e o ambiente social, político e religioso era demasiado volátil. Alexandria estava a tornar-se num fervilhante caldeirão de intolerância entre cristãos, judeus e devotos do politeísmo. Os distúrbios e massacres por motivos religiosos eram o pão-nosso de cada dia, com as tradições helenísticas a entrar em franca decadência. Aproveitando o caos, uma nova força começou a ganhar cada vez mais poder: o cristianismo.

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Depois de ter enfrentado o machismo legado pelos pesos pesados da filosofia clássica, chegava a vez de Hypatia ter que lidar com a misoginia dos santos teólogos da igreja cristã. O próprio São Paulo, numa das suas epístolas, protestava: “não permito que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre os homens, mas que esteja em silêncio.” Prevendo dias difíceis, Hypatia decide arregaçar as mangas e usar a sua influência para combater o crescente poder dos intolerantes cristãos.

Muitas vezes violentos e invariavelmente adversos a que uma mulher lhes dissesse as verdades sem papas na língua, os cristãos de Alexandria eram liderados pelo patriarca Cirilo. Este tentava submeter à sua autoridade o prefeito de Alexandria, Orestes, um antigo aluno de Hypatia que continuava a estar sob a sua influência. Aliás, um dos mexericos correntes da época tagarelava que os dois seriam amantes.

O facto de o chefe político da cidade não se submeter às ordens de Deus tinha assim, para Cirilo, uma culpada: Hypatia. Ressabiado com a audácia de uma pagã que não tinha papas na língua, o patriarca decide fomentar os mais mesquinhos boatos para a afastar do seu caminho rumo ao poder.

Acusada em praça pública de ir contra os costumes morais daquilo que devia ser uma boa mulher temente a Deus, a cientista e filósofa foi igualmente acusada de ser uma bruxa, uma consequência infeliz de se ter profundos conhecimentos de astronomia e matemática numa época em que a ignorância grassava como se fosse a peste negra. Eis como acabou por tornar-se num alvo a abater pela turba dos fundamentalistas.

A tragédia é inevitável. Enquanto Hypatia circulava de carruagem pela cidade, uma milícia de fanáticos cristãos captura-a, arrastando-a pelo chão poeirento até uma das suas igrejas. No interior do santuário, a cientista é despida por mãos furiosas e cruelmente apedrejada até à morte. Insatisfeitos com a barbaridade, esfolam-na com lascas de vasos de cerâmica, arrancam-lhe os membros e lançam os seus pedaços a uma fogueira. Um fim pouco nobre que nem o cinema ousou revelar.

Orestes, vendo-se desamparado, foge da cidade. Cirilo, por sua vez, consegue submeter os políticos de Alexandria à sua vontade. Apesar de sempre ter negado qualquer responsabilidade na chacina de Hypatia, a verdade é que existe tudo para duvidar do lavar de mãos de uma personagem que acabou por ser santificada pela igreja católica.

A morte de Hypatia, em 415, acabou por marcar o fim de uma era de racionalidade e conhecimento e a entrada na chamada “idade das trevas”. A ciência iria emudecer até ao Renascimento e a voz emancipada das mulheres por muito mais tempo.

Todavia, no século XVI, o pintor renascentista Rafael decidiu vingar o seu assassínio de forma bem peculiar. Enquanto ornamentava o tecto da sumptuosa biblioteca pessoal do Papa Júlio II, o mestre de Florença ousa pintar um fresco no qual Hypatia surge em posição central, por baixo das figuras de Platão e Aristóteles. Como seria de prever, o Sumo Pontífice odiou a ideia e proibiu que a imagem aparecesse.

No entanto, Rafael desobedeceu. Sorrateiramente, introduziu Hypatia na pintura, disfarçando-a noutra personagem. No fim, o destinou tornou-se em ironia, pois apesar ter sido condenada à morte por um patriarca cristão, a sua imagem observa até hoje, com um olhar directo e altivo, os líderes da igreja católica.

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joão lobato não gosta de verdades absolutas e sente-se feliz por ainda ter a curiosidade de uma criança. Saiba como fazer parte da obvious.

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Rafaela

Ela, foi uma das mulheres mais incríveis que o mundo já viu.
Como sempre, a mulher está sempre a frente, enxergando o futuro que quase sempre os homens quiseram calar com suas vidas baseada no momentâneo presente. Ela recriou teorias físicas e matemática, buscava perfeição em tudo que fazia até na estética de seu corpo, foi mentora de muitos inventos "tecnológicos" que utilizamos até hoje como o: hidrômetro, e poucos sabem que Newton assumiu que não conseguiria calcular a força da grávidade e outros preceitos físicos se não fosse os estudos dessa incrível mulher.
Linda a matéria João.

Lucas Soares

Excelente texto! O filme, apesar das desconexões históricas, é maravilhoso. Parabéns

bjr

Artigo fantástico João. Quero mais :)

Consuelo

Obrigada pelo artigo!

Quem quiser saber mais sobre essa mulher genial leia: Viagem iniciática de Hipátia - Na demanda da alma dos números, de José Carlos Fernández.

ana

Para os que gostam...
Odete Santos escreveu um livro sobre o assunto

Incrível. Desconhecia a existência da personagem e do filme com esse nome tão sugestivo. Excelente artigo.

Alda Berenice Costa Lima

Um texto incrível João !
Parabéns pelo belo trabalho.
Queremos mais, muito mais.
Um abraço.

ana

Afinal já muito se escreveu e fez sobre essa mulher....
Podem ler " A bruxa Hípátia" de "Odete Santos".
muito interessante

Denise

Fiquei impressionada com tanta beleza, tanto no sentido estético com mental.
É simplismente maravilhoso. Gostaria muito de ver o filme, sabe onde posso adquirir ?
locar ou emprestar ?
Fiquei muito feliz de ler a materia, e gostaria de MAIS.
Obrigada pela exelente materia
Denise

Talvez vocês tenham confundido Platão com Aristóteles.

Ou qual seria a fonte desta suposta citação de Platão, que defenderia que “a mulher, em relação à virtude, é naturalmente inferior ao homem”

Realmente parece bem o oposto o que ele diz na sua "República", além do que, o que vocês creditaram a Sócrates foi, emverdade, escrito por Platão.

Por outro lado, parabenizo o colunista pela pesquisa sobre a história da Hipátia e pediria esta bibliografia para também ter acesso a estas fontes.

Na época em que vi o filme, fiquei curiosa para saber mais sobre a sua história e que partes tinham sido exageras ou supostas no filme.

Passou o tempo e nada de resposta...
Assim Platão vai ter que mandar mensagem lá do hades, o invisível, para tirar a torção atroz que creditaram a ele.

Elba Soares

O artigo é muito bem escrito e nos remete a visão histórica e filosofica tratada no filme, no entanto com maior criticidade e detalhamento.
Parabéns!

Thiago

Essa mulher realmente foi um ícone histórico, e como ela só chegou a existir uma outra Marie Curie, que apesar de não ser bela, tinha a mesma genialidade que Hypatia, e a segunda teve mais sorte, pois Hypatia foi contra a igraja católica no que pode ser marcado como início da idade média, depois da morte de Hypatia.

Luciano

Não se fazem mais mulheres como antigamente...uma pena.

martins

O filme Hipatia é bastante interessante...é possível fazer download através do utorrent.

Maurício

Assisti o filme hoje. As barbaridades cometidas em nome de alguma religião estão presentes inúmeras vezes em nossa história. Acredito que somente a educação e a razão possam proprorcionar alguma chance de construir um futuro grandioso para a humanidade.

Thais

Oi João! Adorei o artigo e gostaria de saber se você poderia me dizer qual foi a bibliografia pesquisada. Aguardo a sua resposta. Um grande abraço.

Ricardo D

A suposta morte de Hypatia nas mãos de cristãos é uma das "lendas" divulgadas pelos ateístas.
Mentiras são sempre consideradas verdades absolutas nas mãos dos vigaristas.
O que se esperar de gente assim?
Por que não mostram um único historiador sério que sustente essa palhaçada?
Isso me lembra do filme que fizeram de uma freira aprisionada em um convento que teria sido "baseado em fatos reais" que depois se demonstrou que foi tudo fruto da imaginação de um antirreligioso.
Ateístas vivem de mentiras.

Adriana Gomes

Eu amei esse texto...
Muito ...
Muito...
Muito Bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Abordagem leve, que nos induz a querer ler...

...só os excelentes escritores produzem essa façanha...

a unica coisa de que divergi, foi a crítica ao filme, pois se não houver essa discrepância e exagero nos fatos não será cinema e sim um seminário.((( Reconheço que sou cinéfila...por isso me toco! )))

Contudo é excelente !!!!! Amei!


Ps. A ignorância é meu maior algoz... cujo conhecimento repartido (democrático) será o libertador...
Adriana Gomes.
Professora em contemplação!

Adriana Gomes

Eu amei esse texto...
Muito ...
Muito...
Muito Bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Abordagem leve, que nos induz a querer ler...

...só os excelentes escritores produzem essa façanha...

a unica coisa de que divergi, foi a crítica ao filme, pois se não houver essa discrepância e exagero nos fatos não será cinema e sim um seminário.((( Reconheço que sou cinéfila...por isso me toco! )))

Contudo é excelente !!!!! Amei!


Ps. A ignorância é meu maior algoz... cujo conhecimento repartido (democrático) será o libertador...
Adriana Gomes.
Professora em contemplação!

KAROLINE

é muito dificil acreditar que a propria igreja catolica tenha nascido dessa maneira, tirando a vida de mulheres que sabiam muito mais que os homens,mas que estes por quererem engrandecer seu ego assassinaram cruelmente essa grande mulher. O mais triste é pensar que a propria biblia contribui para que as mulheres fossem submissas e subjulgadas por pertencerem ao sexo fragil, as vezes parece que vivemos num mundo muito ridiculo e que estamos aqui apenas para satisfazer nosso grande espectador.

rafaela

Que lindo Karoline. Concordo com você! Até hoje conheci três ou quatro homens raros, e só.

WAGNER

Artigo incrivel, eu imaginava que a forma eliptica em torno do sol seria obra de corpenico, mas depois de assistir o filme alexandiria fiquei admirado pela grande mulher que foi hypatia.

joy

é estranho perceber que pessoas atacam o cristianismo tendo como referencia seres humanos falhos e com conceitos culturais e educacionais formados antes do conhecimento dado por Jesus Cristo e que se aproveitaram(e ainda aproveitam) da influencia do nome Dele para alcançar seus próprios ideais humanamente mesquinhos e porque não dizer satânicos?. Nunca li que Cristo tratasse as mulheres como inferiores,pelo contrário, tinha amigas e dividia conhecimento com elas exemplo disso é quando conversa com Maria irmã de Lázaro e até reclama com Marta para ir aprender com Ele. Quando ressuscitou apareceu primeiro a uma mulher, Maria Madalena o acompanhava apesar da cultura machista da
época, conversou com uma considerada adúltera e até defendeu-a! Por que não analizarmos o cristianismo do ponto de vista do seu real "fundador" ?

joy

Independente de Hipátia ser atéia ou pagã, o destino desumano dado a ela foi puramente humano. Cristo nunca concordaria com o que houve nem com outros absurdos que a historia nos mostra terem sido feitos em nome Dele. Como ensina a própria Bíblia : "errais por não conhecerdes as escrituras" Erro é o que tem sido feito até hoje pelas turbas desprovidas de conhecimento e cegamente influenciadas por pessoas que usam o que sabem para manipular fatos a seu favor. A sede de saber de Hipátia
é digna de imitação e Jesus Cristo nunca condenou sabedoria, quer seja ela procurada por homens ou mulheres

ulysses freire da paz jr.

No fervor dos clichês da geopolítica antagonista - de fomentar a desinformação, a intolerância e gerar o caos para assumir o poder, bandidos são venerados e heróis marginalizados.

Hypatia teve um destino tão brilhante quanto o da 'Papisa Joana', magistralmente pesquisado e narrado pela escritora Donna Woolfolk Cross, em que o humanismo altivo e libertário da protagonista contraste-se ao principal instrumento de dominação advindo do ódio e da intolerância na maioria das religiões: o medo.

“A história não é uma simples acumulação e justaposição de fatos ocorridos no tempo, porém um verdadeiro engendramento, um processo cujo motor interno é a contradição. O espírito afirma o seu direito e a sua dignidade perante a anarquia e a brutalidade da natureza à qual desenvolve a miséria e a violência que ela o faz experimentar. Mas essa divisão da vida e da consciência cria para a cultura moderna e para sua compreensão a exigência de resolver tal contradição. O conhecimento estabelecido a partir de uma realidade dada imediata, simples aparência, é chamado por Hegel de conhecimento abstrato, ao qual opõe o conhecimento do ser real, concreto, que consiste em descrever o modo como uma realidade é produzida. Conhecer a gênese, o processo de constituição pelas mediações contraditórias, é conhecer o real.”
(Hegel)

Luis Otávio

Obrigado por postar esse texto. Extremamente interessante!
Obrigado novamente!

Bosco-pontokom

Testo esclarecedor...NA CRUELDADE, NA IGNORÂNCIA...MOROU E AINDA MORAM MUITOS HOMENS...FUGIU E AINDA FOGE A MULHER DE SENSIBILIDADE E SAPIÊNCIA! penso....Bosco

Rogério Fernandes

Um artigo que tem como única fonte o filme. Cara, é demais pra minha cabeça.

@Rogério Fernandes

Vi o filme, mas muito do que lá está não consta neste texto. Li alguns livros sobre a história de Hypatia e, aí sim, encontrei informação que aqui já consta.

Não me parece que o seu ponto de vista seja o mais correcto :)

@Flora

Relativamente à sua dúvida e ao pedido de mais bibliografia...

Deixo-lhe aqui um excerto de um 'paper' da autoria de Gilda Naécia Maciel de Barros, intitulado: 'Rainha Filósofo na República de Platão?' – Poderá descarregar e ler o documento, facilmente, via Google.

"Mas o que encontramos nas Leis é uma ruptura nesse esquema: aí a areté da mulher é desqualificada, como inferior à do homem.
A referência a essa inferioridade feminina está na parte do diálogo que trata das refeições comunitárias, quando então o Ateniense (personagem cujas idéias se supõe poderiam ser as defendidas por Platão) ressalta a importância de se legislar para as mulheres, pois ignorá-las significa abandonar meia cidade à desordem....:

'Em virtude da fraqueza ingênita, o sexo feminino é naturalmente mais dissimulado e artificial, como também difícil de dirigir. Por isso, erradamente o legislador negligenciou nessa parte e o entregou à sua desordem muito própria. Dessa negligência muitos abusos se insinuaram entre vós outros, que em grande parte não teriam chegado até nosso tempo, se a lei a isso se opusesse. De fato, não é um descuido apenas pela metade, como se poderia crer, deixar de regulamentar a vida das mulheres. Quanto à mulher, em relação à virtude, é naturalmente inferior ao homem, tanto a diferença nesse ponto atinge mais do dobro. Para o bem da cidade, só fora de proveito reconsiderar essa parte e regulamentar, de uma vez, todas as práticas comuns aos homens e às mulheres.' Leis 781a-b"

Flora

Ah, sim. Não conhecia esta passagem d"as Leis".

Mas podemos justapô-la facilmente a um outro excerto, e aí já não fica tão clara a suposta posição de Platão:

"Se se vir que a diferença [entre gêneros] consiste apenas no fato de a mulher dar à luz e o homem procriar, nem por isso diremos que está mais bem demonstrado que a mulher difere do homem em relação ao que dizemos, mas continuaremos a pensar que os nossos homens e mulheres devem desempenhar as mesmas funções." República V 454d-e

[:

Fim das contas, conclusão sobre a posição platônica, se não formos lá pensar qual é o projeto em que cada diálogo está inserido, não pode mesmo haver. Mas, pelo menos, fica mais claro que é, no mínimo, irreferência dizer que Platão foi só mais um sexista do seu tempo.

Flora

Mas, quanto ao pedido de bibliografia, agradeço a referência ao texto da professora Gilda, que me interessou; mas aquela que eu tinha pedido originalmente era mesmo sobre a Hipátia, e os textos que você consultou para escrever o artigo, e não sobre Platão.

paulo

Quando vejo histórias como a de Hypatia( aparentemente gênia que já pensava na teoria da relatividade 16 séculos antes e do nada antecipava a teoria das órbitas-INCRÍVEl), sendo acusada de bruxaria,torturada e assassinada pelo cristianismo, assim como milhares de outros seres humanos(ainda nem pesquisei sobre a INCRÍVEL inquisição, cruzadas,etc), penso que Hitler parecia santo se comparado a esses "santos" e se vivemos num estado laico, porque quando ensinam religião e história nas escolas nada se fala disso e tudo é a favor do cristianismo!!!

Bosco pontokom

Corrijo: Texto esclarecedor, muito interessante. PENSO: NA CRUELDADE, NA IGNORÂNCIA MORARAM E AINDA MORAM MUITOS HOMENS...FUGIU E AINDA FOGE A MULHER DE SENSIBILIDADE, SAPIÊNCIA...SÃO ESSAS GUERREIRAS E ALGUNS HOMENS DE CONSCIÊNCIA QUE PODEM VENCER A LUTA CONTRA REALIDADES DESUMANAS QUE ESCRAVIZAM A HUMANIDADE ATÉ HOJE penso....Bosco

Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2011/05/hypatia_uma_cientista_num_mundo_de_homens.html#ixzz2NGaLLQLW

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