Viktor Frankl: Um Psicólogo no Campo de Concentração

Psicólogo, psiquiatra, filósofo e sobrevivente dos campos de concentração mais letais, Auschwitz e Dachau. O ex-prisioneiro nº 119.104, Viktor Frankl, um ser–humano maravilhoso, foi o pai da logoterapia, a cura através do sentido.



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Nascido em 1905, Frankl formou-se médico psiquiatra em 1930. Dois anos depois, foi deportado pelos nazistas para os campos de concentração, onde ficou até sua libertação treze anos depois, em 1945. Faleceu com 92 anos em Viena, em 1997.

Apresentar Viktor Frankl ao leitor não é tarefa simples. Poderia facilmente me perder nos horrores do holocausto e, para tanto, optei por descrever sua experiência íntima que levou à criação da terceira escola de psicologia após Adler (poder) e Freud (prazer): a logoterapia - a cura através do sentido.

O próprio Viktor Frankl nos diz em seus livros não se dedicar a descrever os horrores dos campos de concentração, pois outros autores já o fizeram melhor. Tem por objetivo descrever o comportamento da mente humana mediante um cenário de restrição total, onde seres humanos eram tratados pior que animais; onde, ele mesmo, se viu diversas vezes reduzido aos limites entre o ser e o não-ser.

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Prisioneiro durante treze anos, com esposa grávida, pai, mãe e irmão (exceto sua irmã) mortos pelo regime nazista, fico me perguntando como foi que este homem - tendo perdido tudo o que tinha, com todos os seus valores destruídos, sofrendo de fome, frio e brutalidade, esperando a cada momento o próprio extermínio - conseguiu encarar a vida como algo que vale a pena preservar?

Ao contrário de muitos existencialistas europeus, Viktor Frankl não é nem pessimista nem anti-religioso. Para quem enfrentou com coragem as forças do mal, ele assume uma visão surpreendentemente positiva da capacidade humana de transcender uma situação difícil e descobrir uma adequada verdade orientadora.

Um exemplo que gosto de citar é o costume do Dr. Frankl em fazer a seguinte pergunta a seus pacientes: “Por que não opta pelo suicídio?” Parece estranho? Pois foi a partir desta questão que sobreviveu ao convite do suicídio nos campos nazistas e é a partir das respostas a esta pergunta que ele encontra as razões que ainda sustentam seus pacientes.

Quais motivos ainda te fazem viver? O amor por um filho? Um talento específico que você tem? Uma recordação a ser preservada? São justamente estes frágeis filamentos de uma vida semi-destruída que devem ser utilizados na construção de um padrão firme, um significado e uma responsabilidade para o ser humano. Este é o desafio e objetivo da logoterapia, uma versão moderna do humanismo existencialista, elaborado pelo próprio Dr. Frankl a partir de suas experiências pessoais nos campos de concentração.

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Seus livros se tornaram verdadeiros best-sellers e, quando questionado sobre este sucesso, Frankl nos diz: “em primeiro lugar, vejo no status de best-seller do meu livro não tanto uma conquista e realização da minha parte, mas uma expressão da miséria dos nossos tempos: se centenas de milhares de pessoas procuram um livro cujo título promete abordar o problema do sentido da vida, deve ser uma questão que as está queimando por dentro.”

Pude experimentar duas de suas obras, leitura pesada. Ao ler Em Busca de Sentido – Um Psicólogo no Campo de Concentração, troquei diversas vezes a leitura em primeira pessoa para a terceira pessoa do singular, troquei o “Eu passei por determinada experiência...” por “Ele passou por determinada experiência...”. Sua história, de tão comovente, é muitas vezes dolorida introspecção literária.

Tudo o que escrevi neste texto não passa de pequena amostra da grandeza das obras de Viktor Frankl. Para que entrem em contato com sua dimensão humana, deixo de presente algumas citações de seus livros:

Citações

"Nós que vivemos em campos de concentração podemos nos lembrar que os homens que percorriam as barracas para confortar os outros abriam mão de seu último pedaço de pão. Eles podem ter sido poucos em número, mas sustentaram prova suficiente de que tudo pode ser tirado de um homem exceto uma coisa: a última de suas liberdades — escolher sua atitude em um determinado arranjo circunstancial, a escolha de seu próprio caminho."

"Fundamentalmente, portanto, qualquer homem pode, mesmo sob tais circunstâncias, decidir no que ele deve se tornar - mentalmente e espiritualmente. Ele pode manter sua dignidade humana mesmo em um campo de concentração."

"Nós podemos descobrir o significado da vida de três diferentes maneiras: (1) fazendo alguma coisa; (2) experimentando um valor/ o amor; e (3) sofrendo."

"O homem é capaz de mudar o mundo para melhor, se possível, e mudar a si mesmo para melhor, se necessário."

"Coloque isso como um selo sobre teu coração: o amor é tão forte quanto a morte."

"O que é então o ser humano? É o ser que sempre decide o que ele é."

fernando camargo

acredita que é filho da chuva e, com ela, muito tem a aprender. Atualmente dedica-se ao lúdico e erótico como tintas que o tornam mais humano.
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