O futuro da tatuagem: pessoal e intransmissível

A tatuagem fez durante muito tempo um percurso inglório no mundo ocidental. Saiu da obscuridade para se tornar uma das formas de auto-afirmação mais utilizadas na nossa sociedade. Depois de todos os estigmas pelos quais passou, recebe honras de obra de arte e o seu futuro é ser cada vez mais pessoal.



amanda, corpo, pintura, tatoo, tatuagem, wachob, yann © Valérie Poulin

A prática da tatuagem chegou ao nosso mundo através dos povos da polinésia. Veio com marinheiros, portos e seus freqüentadores, implicou estigmas sociais.

Desde que o Capitão James Cook, em suas expedições pelos mares do Sul, tomou contato com essa arte, muito coisa se passou. A Igreja Católica considerou a prática demoníaca. Na Inglaterra, foi utilizada para identificar criminosos, e teve seu prestígio apagado por muitos anos, ao ser vista sobretudo em braços de bêbados e outros freqüentadores de zonas portuárias.

Mas isso é o passado. Muitas formas de arte e até a visão que se tinha dos artistas eram desprestigiadas em outros tempos, e com a tatuagem não poderia ser de outra forma.

Hoje, quando é considerada uma forma de arte, sofre ainda com a falta de valorização e o descrédito de alguns que continuam se perguntando se isso é mesmo arte.

Para mostrar que sim, que isso é mesmo arte, alguns tatuadores vão a extremos. É o caso de Yann Travaille e Amanda Wachob.

amanda, corpo, pintura, tatoo, tatuagem, wachob, yann © Yann Black

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Ninguém há de negar que uma tatuagem é algo muito pessoal. Nada explica à partida o desejo de ter um desenho inscrito na própria pele. Hoje, a quebra de paradigmas que a tatuagem propõe é outra, não mais aquela dos anos 1960 ou 1970, quando hippies, punks e outras tribos urbanas tatuavam os corpos para romper com regras sociais. Na contemporaneidade, os três elementos que caracterizam a prática da tatuagem mudaram: o tatuador já não é mais amador, os clientes englobam pessoas de todas as classes e idades e a tatuagem, em si, superou muitos estigmas sociais. A vontade de traduzir sentimentos pessoais em símbolos é o que faz com que hoje as tatuagens sejam cada vez mais específicas e originais. Foi-se o tempo em que o desenho tribal que determinada pessoa via em uma revista serviria também a ela: hoje o que se busca é ser único e, para isso, os símbolos de cada um também devem ser únicos.

Nesse contexto, Yann pode servir como exemplo. Os seus desenhos, em sua maioria em preto e vermelho, não oferecem seus significados de bandeja. Quem sabe fosse preciso conhecer cada um dos seus clientes para entender o que seus traços expressam. E muitas vezes essa interpretação é impossível, pois o conteúdo da tatuagem serve apenas ao sujeito que a possui, sendo do seu íntimo para a pele, sem que se queira transmitir mensagens ao resto do mundo. Assim, ela torna-se algo tão abstrato que em alguns casos não é preciso um desenho, apenas as cores.

amanda, corpo, pintura, tatoo, tatuagem, wachob, yann © Amanda Wachob

amanda, corpo, pintura, tatoo, tatuagem, wachob, yann20110626_06_bo.jpg © Amanda Wachob

amanda, corpo, pintura, tatoo, tatuagem, wachob, yann © Amanda Wachob

É aí que se situam as tatuagens de Amanda Wachob, uma das inúmeras tatuadoras que também são artistas plásticas, coisa mais comum do que se imagina. Suas tatuagens expressam o indivíduo de uma forma diferente: ela cria verdadeiros quadros abstratos sobre a pele dos seus clientes. Tatuagens cheias de cores, mas sem desenhos identificáveis, caracterizam seu estilo. O que encanta no seu trabalho é a sensação de leveza. Seus desenhos mais parecem leves pinceladas de cor sobre a pele.

Tatuagens são para sempre! Então, na hora de tatuar pense com qual dos seus “eus” você gostaria de conviver eternamente.

amanda, corpo, pintura, tatoo, tatuagem, wachob, yann © Amanda Wachob

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jéssica parizotto

é uma proparoxítona, interessa-se por haicais, músicas pouco conhecidas e jogo de palavras. Queria voar de balão, mas tem medo de altura.
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