Biografias no cinema: a vida no grande ecrã

Truman Capote, Edith Piaf e Frida Kahlo são apenas três nomes de personalidades marcantes que passaram recentemente pelas salas de cinema. A última década está recheada de grandes biografias e grandes interpretações, permitindo-nos conhecer mais de perto detalhes e segredos da vida destas figuras.


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Se tivesse oportunidade de escolher, qual a personalidade histórica que gostaria de ter acompanhado? Um escritor? Um músico? Ou talvez um rei? Se não fossem as cartas trocadas, os diários escritos e os testemunhos de pessoas próximas, não teria sido nada fácil (re)construir a vida de algumas delas, principalmente as mais antigas. É que é através das biografias que ficamos a conhecer o seu percurso de vida, com todos os obstáculos, os medos e as alegrias por que passaram.

O cinema sempre esteve de olho nelas. Ao longo das décadas, foram produzidos memoráveis filmes. Dos anos 60, por exemplo, há que recordar “Spartacus”, dirigido por Stanley Kubrick. O filme relata a história do mítico líder da revolta dos escravos na Roma Antiga. Já de 80, podemos falar de “Gandhi” ou “O último imperador”, baseados na vida do pacifista indiano e do último imperador da China. Os anos 90 ficaram marcados por exemplo pela “Lista de Schindler” (de Steven Spielberg) e por “Braveheart”: o empresário alemão que salvou a vida a centenas de judeus durante o Holocausto e o guerreiro escocês que lutou até à morte pela liberdade da sua terra, respectivamente.

Esta última década não foi excepção. As salas foram palco de biografias cinematográficas de diferentes personalidades. De seguida, fazemos uma retrospectiva do que de melhor se pôde ver nos últimos tempos:

La vie en rose (Portugal) / Um hino ao amor (Brasil) Em 1946, nasce aquela que seria considerada a maior cantora francesa de todos os tempos: Édith Piaf. O filme – cujo título tem precisamente o nome de uma das suas canções – retrata a vida da artista desde o anonimato até ser voz principal de grandes cabarés em Paris e ganhar fama no resto da Europa. Marion Cotillard foi a actriz que a interpretou em 2007, sob a direcção de Olivier Dahan. “La vie en rose” venceu os Óscares de melhor actriz principal e melhor maquilhagem.

O discurso do Rei Foi uma das grandes estreias cinematográficas de 2010. Colin Firth veste a pele do Rei britânico Jorge VI, que era gago. Para o ajudar a superar esta dificuldade, contrata o fonoaudiólogo Lionel Logue (interpretado por Geoffrey Rush). Poucas semanas antes das filmagens, foram encontrados os diários de Lionel. Uma descoberta que permitiu incluir citações reais no filme. Para além dos sete BAFTA e dos quatro Óscares conquistados, a própria Rainha Elizabeth II teceu grandes elogios ao actor e ao realizador Tom Hooper, pela reconstituição da vida do pai.

Marie Antoinette A vida extravagante da rainha Maria Antonieta inspirou Sofia Coppola e escrever e dirigir esta biografia de 2006. Com apenas 14 anos de idade, a futura rainha é “enviada” pela mãe (a imperatriz austríaca Maria Théràse) a França com o propósito de se casar com o primo Luís XVI, acabando assim com a rivalidade entre os dois países. Kirsten Dunst encarna a malograda Rainha, que acaba decapitada durante a Revolução Francesa. Os cenários de sonho e o fabuloso vestuário dos personagens valeram a Marie Antoinette o Óscar de melhor guarda-roupa.

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Frida Baseado na obra de Hayden Herrera, este filme de 2002 narra a vida da pintora mexicana Frida Kahlo desde a juventude até à morte. Desde o trágico acidente que a deixou com graves sequelas físicas, passando pela original produção artística, até ao complicado casamento com o também pintor Diego Rivera. Realizado por Julie Taymor e com Salma Hayek e Alfred Molina nos papéis principais, o filme ganhou os Óscares de melhor maquilhagem e melhor banda sonora.

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Capote Em 1959, quando uma família é morta à queima-roupa numa fazenda no Kansas (Estados Unidos), o jornalista e escritor Truman Capote decide escrever um livro sobre o acontecimento, A sangue frio. O filme de 2005, dirigido por Bennett Miller, retrata os anos de convívio entre Capote e os assassinos. Este drama, protagonizado por Phillip Seymour Hoffman, expõe ao público a figura e personalidade singulares de Capote: demasiado honesto e directo entre conhecidos, mas omitindo aos prisioneiros quem realmente é e os detalhes do próprio livro. A sua excelente interpretação valeu a Capote - entre as várias nomeações, o Óscar e o BAFTA para melhor actor.

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O Pianista Em 2002, o realizador Roman Polanski deu a conhecer as memórias de Władysław Szpilman, um famoso pianista judeu que trabalhava numa rádio na cidade de Varsóvia (Polónia). Com o estalar da Segunda Guerra Mundial, Szpilman vê-se obrigado a mudar para o gueto de Varsóvia e depois para vários esconderijos, conseguindo escapar aos campos de concentração. A vida de Polanski quase se cruza com a sua obra, já que o próprio também esteve no Gueto de Cracóvia, acabando por fugir e refugiar-se na fazenda de um polaco. O pianista foi interpretado por Adrien Brody, que conquistou o Óscar de melhor actor. O filme trouxe ainda os Óscares de melhor director e melhor guião adaptado.

Ray Depois de quinze anos de preparação, a vida do pianista e cantor de soul Ray Charles chegou (finalmente) ao grande ecrã em 2004. O filme – cujas gravações foram acompanhadas pelo próprio - mostra como Ray fica cego aos 7 anos, as várias mulheres que amou, o filho que teve e como compôs alguns dos seus temas mais famosos. Interpretado por Jamie Foxx (fisicamente muito parecido com o artista) e realizado por Taylor Hackford, “Ray” venceu tanto o Óscar de melhor actor, como o de melhor mistura de som.

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Coco avant Chanel (Portugal) / Coco antes de Chanel (Brasil) Gabrielle Chanel foi deixada pelo pai num orfanato, quando a mãe morreu. Começou por trabalhar numa alfaiataria de dia, e cantar num cabaré à noite. Acabou por fazer as roupas para o amante - roupas que passou também ela a usar, até criar o império de moda que a marca Chanel representa. Este é o guião do filme, que retrata a luta da estilista para se afirmar num mundo demasiado conservador. Audrey Tatou foi a actriz que a interpretou em 2009, sob a realização de Anne Fontaine. A alcunha “Coco” surgiu precisamente no cabaré e, ao invés de a rejeitar, decidiu torná-la a sua marca.

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A Queda: Hitler e o fim do Terceiro Reich (Portugal), A Queda: as últimas horas de Hitler (Brasil) Em 1945, com a Segunda Guerra Mundial prestes a terminar e vendo o seu “reinado” chegar ao fim, Adolf Hitler refugia-se num bunker perto de Berlim, onde passa os seus últimos dias de vida. São precisamente essas memórias, registadas pela secretária pessoal Traudl Junge, pelo oficial Gerhardt Boldt e pelo médico Ernst Schenck, depois recolhidas pelo historiador Joachim Fest, que estão na origem deste filme alemão de 2004. Bruno Ganz deu vida a Hitler e Juliane Köhler a Eva Braun. Como termina esta história, já todos sabemos. A queda, de Oliver Hirschbiegel, recebeu várias nomeações, entre elas ao Óscar de melhor filme estrangeiro e ao Goya de melhor filme europeu.

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diana ribeiro

Gosta de cores, comer algodão doce, ouvir as ondas do mar, cheirar e tocar em livros novos. Não dispensa o uso de nenhum dos sentidos.
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