Os mil olhos de Paris

Paris faz parte do imaginário de homens e mulheres pelo mundo fora por inúmeras razões. É conhecida como cidade luz, mas para o fotógrafo Marco Gervasio não são as luzes da cidade que mais importam. Em uma viagem à capital francesa, ele fotografou as faces que o “vigiaram” durante a estadia.


estatuas, gervasio, marco, monumentos, paris © Marco Gervasio

Uma cidade é mais do que um emaranhado de ruas, prédios e pessoas. Mais do que um local, as cidades são um espaço. Essa diferença parece ser apenas uma adequação de vocabulário, mas não é. A cidade tomada como espaço chama para si o sentido de território onde se dão as relações urbanas e onde se produz cultura, na encruzilhada entre história e geografia. Os monumentos históricos criam uma memória coletiva deste processo contínuo de modificações.

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Paris, devido a sua história, cultura e por outros motivos, é prolífica em monumentos. A capital francesa é conhecida como cidade luz, mas poderia receber outra alcunha se levássemos em consideração o número de estátuas que existem pelas suas ruas.

O fotógrafo Marco Gervasio passou uma temporada na cidade e fotografou algumas delas. Com as imagens que conseguiu fez alguns painéis fotográficos que nos dão a dimensão de como somos “observados” enquanto admiramos os encantos nas margens do Sena.

O trabalho de Marco faz uma redescoberta da cidade através das faces que ela exibe. Elas estão por todos os lados: em ruas, parques, igrejas e prédios, e podem ser humanas ou animais.

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Os mil olhos que nos seguem em Paris fazem a ligação entre a cidade que imaginamos e a cidade real. As estátuas, gárgulas e fontes que foram as principais estrelas do trabalho de Gervasio são apenas símbolos daquilo que um dia entrou para a memória da cidade. É esta cidade imaginada - a que existe a partir de memórias e sentimentos sócio-afetivos que nutrimos em relação ao território físico - que atua na esfera sentimental. Diferente da cidade real - aquela por onde transitamos, que podemos tocar e que serve como meio para o trânsito dos produtos culturais que a sociedade produz.

Paris pertence ao imaginário de todos nós, seja pela história da luta pela liberdade, seja pelo romance ou mesmo por suas lojas e grifes. Todos nós nos imaginamos algum dia passeando por suas ruas. E esses mil olhos retratados por Gervasio nos esperam lá também.

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Jéssica Parizotto

jéssica parizotto é uma proparoxítona, interessa-se por haicais, músicas pouco conhecidas e jogo de palavras. Queria voar de balão, mas tem medo de altura.
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