Forty Elephants: o temível gang feminino

Embora se atribua o papel de grandes vilões a grupos e gangs organizados por homens, um deles foi liderado por mulheres e conduziu a maior operação de roubos na história de Inglaterra. As Forty Elephants controlaram o submundo dos gangs, aproveitando a sua condição feminina para escapar ilesas. A história foi recentemente revelada por Brian McDonald no livro “Gangs of London”.


crime, gang, inglaterra, mulheres Uma das Forty Elephants, Florrie Holmes.

As "Forty Elephants" eram o maior pesadelo dos lojistas de Londres. Este gang, contrariamente ao habitual, era constituído e liderado por mulheres que assaltavam as grandes casas de comércio de luxo. Ficaram tão conhecidas e temidas (sobretudo na década de 20 do século passado), que "expandiram o negócio" para o resto do país. Os artigos roubados serviam para pagar os vestidos de seda que gostavam de usar e as grandes festas que organizavam nos pubs e nos clubes da moda.

Consta que o grupo foi criado em 1873 e se manteve activo até 1950. Porém, alguns testemunhos afirmam que já existia desde o século XVIII. A sua história foi recentemente descortinada por Brian McDonald, no livro "Gangs of London" (Dezembro de 2010). Sobrinho de antigos líderes do gang "Elephant and Castle", conta também como os seus tios estiveram envolvidos na maior operação de furtos de Inglaterra.

"As Forty Elephants" aproveitavam a sua condição feminina para facilmente roubar os objectos. Brian explica no livro como o faziam: entravam nas lojas, fechavam-se nos provadores de roupa e iam vestindo as peças umas sobre as outras. É claro que quando saiam estavam visivelmente "mais gordas". Mas nesta época havia um grande pudor em revistar as mulheres e os donos nada faziam. De seguida, iam até ao pub mais próximo, onde as despiam e entregavam a outros elementos que as esperavam cá fora, protegidas por homens armados. Esses vestidos, casacos, saias, smokings, chapéus e jóias eram transaccionados com feirantes e casas de penhores, para além de outras lojas que substituíam as etiquetas e faziam remodelações nas roupas.

crime, gang, inglaterra, mulheres Maggie Hughes, também das Forty Elephants, foi presa em 1923 por roubar anéis de diamantes.

crime, gang, inglaterra, mulheres Elephant and Castle - as Forty Elephants aliaram-se a vários deles nas suas operações.

Eram os seus aliados "Elephant and Castle", (liderado pelos irmãos McDonald), que tratavam da venda. Em 1910, a casa de Ada McDonald foi inspeccionada pela polícia. Encontraram nos quartos vários desses objectos roubados. Porém, ela não perdeu a calma e apresentou as facturas de todas as peças. Falsas, claro, mas que convenceram os agentes.

Na década de 20, usavam também carros para escapar. Se por acaso fossem alcançadas, nada levavam consigo. É que a mercadoria já tinha sido levada para outros carros, conduzidos pelos seus aliados. Nesta época, o gang foi liderado por Annie "Diamond". Tinha 20 anos e era conhecida pelo seu punho certeiro: deixava a cara de quem alcançasse marcada pelos seus anéis de diamante. Foi apelidada pela polícia como "o mais inteligente dos ladrões". Em Londres, apenas ao avistar-se qualquer elemento das "Forty Elephants" o pânico instalava-se. Annie organizou então o grupo e dividiu-o em pequenas células para realizar vários assaltos ao mesmo tempo e em vários pontos do pais.

crime, gang, inglaterra, mulheres imagem da direita - Alice Diamond, a rainha do gang em 1916. Era conhecida como 'Diamond Annie', porque os anéis de diamantes que usava nas mãos deixavam grandes marcas quando dava murros.

Acabou por ser presa, sempre com nomes falsos. Assim que era libertada, voltava ao gangue. A sua melhor amiga, Maggie Hughes, foi apanhada com apenas 14 anos e esteve presa durante três, por roubo de anéis de diamante. A maior parte destas mulheres pertencia a famílias muito pobres onde o pai não trabalhava. "Tinham pouca educação, mas vontade de subir na vida", refere Brian. "Sonhavam com um estilo de vida igual às estrelas de cinema de Hollywood, cheia de glamour. Queriam imitá-las".


diana ribeiro

Gosta de cores, comer algodão doce, ouvir as ondas do mar, cheirar e tocar em livros novos. Não dispensa o uso de nenhum dos sentidos.
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