
© Izabela Americano, "Coachella Valley".
Palm Springs é uma cidade americana situada no interior do estado da Califórnia, na parte oeste do vale Coachella, que possui aproximadamente 45 mil habitantes. Fica a duas horas de carro de San Diego e de Los Angeles. Seu clima é desértico, com sol em mais de 350 dias por ano, atingindo temperaturas altíssimas durante o verão e temperaturas mais amenas durante o inverno.
A cidade está localizada em uma planície no sopé das montanhas San Jacinto. Suas ruas, quase todas retas, são quase que inteiramente delineadas por palmeiras, o que dá à cidade um charme especial.
Com a invenção e popularização do ar condicionado a partir da década de 20, o deserto californiano deixou de ser uma região árida e pouco apetecível para se tornar um refúgio dos invernos austeros das regiões vizinhas. Foi quando o jet set internacional despertou para o vale Coachella e, ao desenvolver a área, levou até o deserto a arquitetura modernista, sinônimo de luxo e sofisticação para a época.
Conhecido pelo uso do vidro e linhas retas, o denominado modernismo do deserto está ligado a um estilo de vida de simples elegância e informalidade. Os principais arquitetos responsáveis pelos projetos que traduzem essas características em casas, comércios, igrejas, hotéis, escolas, entre outros, são os famosos Richard Neutra, John Lautner, Donald Wexler, Albert Frey, William "Bill" Krisel, Palmer and Krisel, Inc., William F. Cody, John Porter Clark, George e Robert Alexander e Stewart Williams.

© Izabela Americano, "Casa Haufmann".
Um dos principais ícones do modernismo do deserto é a famosa casa Kaufmann, considerada a obra-prima do austríaco Richard Neutra, radicado nos Estados Unidos nos anos 20. Construída em 1946 com materiais como vidro, aço e pedra, foi recentemente leiloada com a dignidade de uma grande obra de arte, ao lado de obras de Andy Warhol e Francis Bacon, levando a arquitetura a um outro patamar - o de arte colecionável, como a pintura e a escultura. A casa de 300m2 foi adquirida por algo em torno de US$ 17 milhões.

© Izabela Americano, "Casa Haufmann".
Outro ícone de igual importância para o cenário modernista de Palm Springs é o incrível posto de gasolina projetada por Albert Frey e Robson Chambers, construído em 1965. O edifício, de forma inusitada para um posto de gasolina, é hoje sede do centro de informações turísticas da cidade. Sua cobertura possui contornos de um parabolóide hiperbólico, feito com estrutura metálica.

© Izabela Americano, "Posto de gasolina".

© Izabela Americano, "Posto de gasolina".
Importante citar Stewart Willians, arquiteto que projetou várias edificações modernistas em Palm Springs. De todas as suas obras, merecem destaque o edifício de escritórios Oasis, concluído em 1952, a casa de Frank Sinatra, concluída em 1946, e o banco Coachella Valley, concluído em 1960. Esse banco, inclusive, possui formas semelhantes às de Oscar Niemeyer no Palácio da Alvorada, finalizado apenas dois anos antes, em 1958. Hoje, ele é a sede do banco Chase.

© Izabela Americano, "Escritórios Oasis".

© Izabela Americano, "Casa de Frank Sinatra".

© Izabela Americano, "Banco Coachella Valley".
Um dos locais mais populares de Palm Springs é a chamada casa do futuro, construída em 1962 e projetada por William Krisel. Assim que a casa ficou pronta, a revista Look publicou uma reportagem falando que ela era um modelo de casa do futuro, o que lhe rendeu este nome. Mas a casa se tornou realmente famosa por ter sido o lugar onde Elvis e Priscilla Presley passaram sua lua de mel em 1967.

© Izabela Americano, "Casa do Futuro".
O comitê responsável pela preservação da história de Palm Springs possui uma lista com 75 edificações do estilo modernismo do deserto. Para os que visitam a cidade, é possível comprar um mapa com a localização de todas elas.
A importância histórica da cidade está sendo cada vez mais reconhecida: Palm Springs foi citada como um dos 12 destinos culturais para arquitetura americana. Além de ser uma cidade linda e charmosa, alimenta os olhos de seus visitantes com cultura e design.
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comments powered by DisqusLuiza Helena
Eu achei muita "coincidência" as datas e as linhas de Brasília, que me perdoem Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Até porque, os dois estiveram uma temporada radicados nos EUA. Por favor, se alguém souber algo a respeito me informe, sim!
joão dos santos
O projeto arquitetonico do Banco presente nesta página é muito semelhante ao projeto do Palácio da Alvorada, residencia oficial do Presidente da República do Brasil, de autoria do arquiteto Oscar Niemayer.
Lugh
Porque nós brasileiros achamos que fomos nós que plagiamos? Não podem ter sido eles?
Emídio José Ribeiro
Sinto muito, mas esta Casa do Futuro é uma cópia do Palácio da Alvorada, inaugurado em Junho de 1958.
Construção projetada por nada mais nada menos que
Oscar Niemeyer.
Bido
O banco é de 61. As linhas são de Niemeyer, sem dúvida.
Alexandre Sá
Definitivamente, estes registros físicos são a prova cabal e irrefutável de que, na arquitetura, assim como em outras áreas, a inspiração é produto de pesquisa...é não de criatividade incubada!!
"Nada se cria, tudo se transforma" - No caso da arquitetura: Se apropria e se transforma!!
Teotonio
As linhas podem até ser parecidas, os arcos também. Mas a dimensão, pontos de contato e o acabamento é que fazem a diferença. As linhas do palácio brasileiro finalizam em pontos mínimos de contato, linhas muito mais equilibradas e uma tridimensionalidade muito mais suave apesar de possuirem uma magnitude bem superior. Vigas mais finas, pontos de contato mínimos, vãos livres imensos, lages com espessuras mínimas garantem o mérito do Niemeyer, L.Costa e sua companhia de engenheiros de altissima competência.
Mauro Moreira
Vejam o Los Angeles International Airport e comparem com o Museu de Arte de Niterói. Niemayer tem muito a explicar. É lógico que sendo um "matusalém", comunista de carteirinha e brasileiro, nunca faltará quem o defenda, argumentando até contra os fatos. Deixemos o nacionalismo "chinfrim" de lado, o chauvinismo barato. Convenhamos, o mérito, o verdadeiro mérito no projeto de Brasília é todo de Lúcio Costa, autor da parte mais difícil, o Plano Piloto. Se houve plágio plágio em relação ao projeto do "Banco Coachella Valley", não se poderia envolver Lúcio Costa, responsável apenas pelo Plano Piloto.