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George Orwell - 1984

Quanto mais rápido, melhor

Desde que nascemos somos absolutamente fascinados pela idéia de velocidade. São os super-heróis cuja principal característica é a velocidade; são os brinquedos dos parques de diversões, cujo atrativo é a velocidade; são os esportes, muitos deles tendo como objetivo apenas a velocidade. Por que, afinal, tamanho deslumbramento?



automovel, carro, recorde, velocidade © wikicommons, "Equipa Thrust SSC".

Lá pelo fim da década de 80, aos dez anos de idade, encostada no banco de trás do velho Chevrolet do meu pai, decidi que gostaria de dirigir. Decidi muito cedo, eu sei. Mas não resisti à cena: meu velho com uma das mãos no volante, seu braço esquerdo apoiava-se folgado na janela, olhava para minha mãe e sorria, enquanto acelerava ao som de algum rock 70. Sua barba balançava, os cabelos de minha mãe esvoaçavam. Era uma cena bonita, um casal bonito e um carro que corria e me deixava com frio na barriga. Enquanto meu irmão lia alguma história de ficção científica em quadrinhos, eu me debruçava entre os dois bancos dianteiros e ficava observando aquela máquina que fazia com que nossos cabelos fossem tomados de sobressalto. Eu sempre tive uma fascinação por carros, estradas e, principalmente, velocidade.

Fui, também, contaminada pelo gosto de meus pais por Fórmula 1. Para além das performances de Ayrton Senna nos Grandes Prêmios, minha mãe ensinou-me a admirá-lo porque ele era bonito e inteligente. Tudo bem, dizia eu. E nossos domingos corriam ao som dos pneus do automobilismo. E daí, toda vez que viajávamos, eu e meu irmão fingíamos estar dentro dos carros de Senna, aqueles vermelhos e brancos da McLaren. E cantávamos a música da vitória com aqueles intermináveis "tam tam tam".

E se velocidade é fascinante para uma criança, para um adulto é ainda mais. O homem não somente quer sentir a variação da posição no espaço em relação ao tempo, mas quer entendê-la e desafiá-la. E é isso o que se tem feito ao longo de décadas. Por meio da ciência e tecnologia busca-se atingir os limites da velocidade, seja por terra, ar ou água. Seja em máquinas tripuladas ou não.

Para alcançar um recorde de velocidade automóvel não é necessário, no entanto, apenas a engenharia humana. É necessário o homem certo, a equipe certa, a tecnologia adequada para cada situação, e até mesmo as condições climáticas ideais. E tudo isso deve acontecer ao mesmo tempo. Mas os recordes de velocidade em terra são divididos em diversas categorias e, por isso, há vários, com diferentes modelos de carros e em diferentes circunstâncias. Existem os veículos com motor a combustão, carros de linha, protótipos, tração nas quatro rodas, elétricos, movidos a turbina, etc..

Os padrões de medição de recordes, portanto, são diferentes nas variadas categorias, mas todos estabelecidos de acordo com a Fédération Internationale de l'Automobile (FIA) – que também é responsável pelo licenciamento e arbitragem de Fórmula 1.

O primeiro teste em busca da maior velocidade em terra foi na França, em 1898. O recorde foi de 63,15 km/h a bordo do carro elétrico Jeantaud. Em 1904 Henry Ford conseguiu atingir 160 km/h, num Ford 999 Racer.

automovel, carro, recorde, velocidade © wikicommons, "Henry Ford, Ford 999".

O piloto e jornalista automobilístico Sir Malcolm Campbell registrou muitos recordes em terra nos famosos veículos “Bluebird”, chamados assim por causa de suas pinturas em azul pálido. Os carros eram testados e desenvolvidos pelo próprio Campbell, que quebrou o recorde, pela primeira vez, em 1924, marcando 235.22 km/h. Ele bateria mais nove vezes o recorde até 1935. Foi também ele a primeira pessoa a dirigir um automóvel a mais de 300 milhas por hora, ou seja, 484,955 km/h. Seu filho, Donald Campbell, seguiu a tradição e também segurou alguns recordes.

automovel, carro, recorde, velocidade © wikicommons, "Sir Malcolm Campbell - Bluebird".

automovel, carro, recorde, velocidade © wikicommons, "Sir Malcolm Campbell - Bluebird".

Em 1963, o piloto Craig Breedlove atingiu 655.73 km/h, registrando novo recorde de velocidade em terra. Breedlove estava a bordo do célebre “Spirit of America”, veículo a turbina com o qual quebraria mais quatro vezes a marca recorde da categoria até 1965.

automovel, carro, recorde, velocidade © wikicommons, "Spirit of America".

Em 15 de outubro de 1997, no Black Rock Desert, Nevada, Estados Unidos, foi registrado o atual recorde de velocidade absoluta em terra, a bordo do britânico Thrust SSC. O veículo foi pilotado por Andy Green – comandante da Força Aérea Britânica. O carro a jato foi desenvolvido por Richard Noble – piloto que segurou o recorde, da mesma categoria, entre os anos de 1983 e 1997. Noble tinha à sua disposição uma competente equipe que incluía o famoso engenheiro aerodinâmico Ron Ayers, responsável por fazer o Thrust SSC atingir a extraordinária marca de 1.228 km/h: a primeira máquina a quebrar, oficialmente, a barreira do som. E, desse modo, o veloz Thrust SSC detém recorde absoluto atual de velocidade em terra.

automovel, carro, recorde, velocidade © wikicommons, "Thrust SSC".

automovel, carro, recorde, velocidade © wikicommons, "Thrust SSC".

Mas a mesma equipe já está a trabalhar com o Bloodhound SSC, um carro em forma de lápis, também com um motor a jato e um foguete que está sendo projetado para quebrar o recorde anterior.

automovel, carro, recorde, velocidade © wikicommons, "Bloodhound".

A velocidade de um adulto, caminhando, é de cerca de 4 km/h. Em uma corrida o homem pode atingir até 46 km/h. Já os carros de Fórmula-1, por exemplo, podem atingir uma velocidade de 360km/h. Alguns engenheiros apontam que, na teoria, estes carros podem chegar a mais de 400km/h. Hoje, temos verdadeiros foguetes horizontais e quebramos a barreira do som. É um desafio aos limites do nosso corpo. Mas é também uma forma de poder. É deliciosa e absolutamente tentadora. Mais do que isso: a velocidade integra a relação homem-máquina. É a busca do que há entre nós e a máquina que nós criamos.

automovel, carro, recorde, velocidade © wikicommons, "Thrust 2".

rejane borges

gosta das cores de folhas secas ao chão. E das cores das folhas velhas dos livros.
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