
© Daniel Pawlowsky.
Anos 80, uma das épocas mais marcantes do século XX. O fim da idade industrial e o início da idade da informação. Também chamada de “Década Perdida” na América Latina, por conta da estagnação econômica, em que os países dessa região tiveram um menor desenvolvimento na economia como um todo.
Foi um período marcado pelas roupas exageradamente coloridas e excêntricas, do “new wave”, da geração saúde, pelo surgimento da MTV, das primeiras raves, de bandas como The Smiths, U2, A-Ha e também pela consolidação do gênero Heavy Metal, entre outras vertentes. No Brasil, bandas que também fizeram muito sucesso nos anos 80 foram Legião Urbana, RPM, Barão Vermelho e Ira!. Nessa década também aconteceu o primeiro Rock In Rio, em 1985. Consolidava-se a MPB, surgida nos anos 60. Michael Jackson fazia um enorme sucesso com seu álbum Thriller. David Bowie, Cindy Lauper, Bruce Springsteen, entre outros artistas de peso, são referências dessa época.
Nesse emaranhado de coisas que aconteciam nos anos 80 não podemos deixar de lado as hoje nostálgicas fitas cassetes, ou K7 para muitos. A produção em massa dos cassetes compactos começou em 1964, na Alemanha. Os primeiros com músicas pré-gravadas foram lançados na Inglaterra, em 1965. Nos Estados Unidos, em 1966, teve uma oferta inicial de 49 títulos, lançados pela Mercury Record Company. A primeira gravação musical nessas pequenas caixas plásticas foi na Inglaterra, em 1978, pela banda The Tights, e continha um único hit: “Howard Hughes”. Mas foi na década de 80 que seu uso foi de fato consolidado, afinal, qualquer banda independente que se prezasse deveria ter uma demo gravada em uma fita K7 para levar as gravadoras e jornalistas. Entre a década de 70 e 90 o cassete era um dos formatos mais comuns para gravação, junto aos LP’s e posteriormente aos CD’s.

© Jaime Bop.
Apesar da baixa qualidade sonora, geralmente com 60 minutos de duração (já existiram versões de 45 e 90 minutos), o lançamento das fitas cassetes foi uma grande revolução, por difundir a possibilidade de gravar e reproduzir som. O vinil era mais caro, além de mais dificil de transportar e tocar e principalmente para gravar. Por isso mesmo, as fitas cassetes nos deram mais liberdade para sair por aí e ouvir nossas canções favoritas onde bem entendêssemos. E apesar dos primeiros gravadores com áudio da Phillips já serem portáteis, foi a Sony, com sua invenção do “Walkman”, no final dos anos 70, que mais contribuiu para essa explosão do som individual.
Seu declínio aconteceu já no final da década de 80 e as vendas acabaram sendo superadas pelos CD’s nos anos 90. Mas em 2001 os cassetes virgens ainda eram produzidos. Extintas do mercado tradicional, hoje as fitas cassetes saíram de cena e ganharam um ar retrô, virando inclusive item de colecionador. E apesar de serem mais difícieis de encontrar na versão virgem, as velhas fitas cassetes tem se tornado um item cultuado e conquistado novas bandas independentes. Nos Eua, esse movimento foi nomeado de “Cassete Culture” e em um artigo para o site Rizhome, a escritora Ceci Moss diz ter identificado em torno de 101 selos que lançam fitas cassetes atualmente. Bandas conhecidas como Pearl Jam, Foo Fighters e Goldfrapp já aderiram ao movimento e recentemente lançaram trabalhos em cassete. No livro “Mix Tape: The Art of Cassete Culture” de Thurston Moore, o cantor do Sonic Youth reúne artigos e obras de arte sobre fitas cassetes.

© Brunna Souza.

© Pingente inspirado em uma fita de cassete da Capuleto.
Outro fato muito interessante, é que muitas pessoas tem reciclado as fitas K7 e utilizado para a produção de adereços e obras de arte e as utilizando com inspiração para criação de outros. Exemplo disso, é a artista Erika Iris Simmons. No seu projeto, intitulado Ghost in the Machine ela faz uma nova leitura de um material que estaria destinado ao descarte. Simmons faz verdadeiros desenhos com os rolinhos que ficam dentro dos K7’s e dá-se a impressão que stão saindo verdadeiros fantasmas de dentro das fitas e adquirisse uma nova dimensão, uma visão completamente impactante para quem observa.
E aí, será que teremos um revival nostálgico e voltaremos a andar por aí com nossos velhos Walkman munido de fitas cassetes com novíssimos sucessos? Só nos resta aguardar.

© João Resende.

© Iris Simmons, "Jimi Hendrix" (Série: Ghost in the Machine).

© Iris Simmons, "Bob Dylan" (Série: Ghost in the Machine).
Comentários
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Guilherme
Ótima matéria, por pouco fiquei com saudades dessas "maravilhas" que desmagnetizavam, enrolavam no toca fitas e cortavam a gravação quando faltava 30 segundos para acabar a música.
Oi Guilherme!
Sabe que tudo que faz referência aos anos 80 me traz saudades... Foi uma delícia fazer este artigo e um dos meus principais objetivos era esse mesmo, fazer as pessoas terem boas recordações.
Volte sempre!
Abs!
Ana Maria
Pois é eu ainda tenho para mais de 50 fitas k7
gravadas por mim, vc esqueceu de comentar mas o mais legal de tudo era vc chegar na casa de alguém e gravar um disco que vc não tinha, fora a possibilidade de ter nas fitas as musicas que vc realmente gostava de ouvir sempre...
Nossa era muito bom...
Ainda tinha a vantagem de não precisar de muitos cuidados pois não arranhavam como os LPS e CDS.
Antonio César
E eu que achava que elas iam durar para sempre. Adorava fazer a minha fita com música copiadas da rádio.
Isa
Eu ainda tenho umas 5 k7 lacradas! Não dou, não troco, não vendo... rsrs
Luis.
Eu tenho algumas fitas K7, algumas foram gravadas das rádios FM, duas são fitas pre gravadas. Mas o mesmo efeito se consegue com os atuais MP3, no meu caso eu gravava muito sons da família!
crescio
Muita saudades, principalmente da baixa qualidade de gravação e das vezes que travava meu TKR. Usei muito no carnaval como serpentina.
Auf
SEJAMOS SINCEROS OS K 7 ERAM UM TERROR PARA
TODOS PIOR SO O CARTRIDGE .
Aurelio Flavio
Ainda tenho algumas dessas em casa, me lembro de quando era criança e meu sonho era ter um stereo cassete radio. Tempo passou rápido!!!
RICARDO FERRAZ
Cara eu adorava essas fitas, passava muitas horas gravando as musicas das radios, montava minhas proprias trilhas era muito bom. Valeu por ter lembrado, ja estou com saudades.
Eu sinto mais saudades dos tempos em que a gente usava os cassetes, do que deles, proprimante dito. Bons tempos! rs
Chris
Um pouco superficial o artigo, as K7 no final de sua era (Metal) são incrívelmente superiores ao som digital ainda hoje, qualquer que seja a quantização, o WARM das tape continua imbatível...
Oi Chris!
Tentei me aprofundar ao máximo na pesquisa e no artigo em si, mas a gente sempre deixa algo de lado, né?
Obrigada pela participação.
Abs!
Jorge Bossle
USEI MUITO AS FITAS K7 COMPRAVA MUITOS VINIS E OS GRAVAVA NOS K7 PRA OUVIR NO WALKMAN ONDE FOSSE, FORAM MEU MP3 DOS ANOS 80 !
Eu também já fiz muito isso, Jorge. Só que gravava músicas das rádios. Era muito legal!
Obrigada pelo comment e pela visita. Volte sempre!
Abs!
Tiago
minha história com fitas k7 é curiosa, já que com meus 5 anos a cada dia que a minha mãe ia no centro ela/eu tinha que comprar pelo menos uma fita. (Vamos combinar que para uma criança não é muito "normal") Depois de muitos anos , ainda tenho cerca de 50 fitas, dos mais tipos variados, todas pré- gravadas. e a maioria delas ainda tocam.
Nossa, Tiago, que legal! Uma pena, mas não tenho mais nenhuma para contar história. Ficou só a saudade do tempo que eu as usava.
Abs!
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