
© Scott Campbell, "Scull Tryptich".
A moeda de um país e a sua representação física têm sempre uma ligação histórica ou patriótica. O que está impresso nas notas tem um significado especial para as pessoas que as usam todos os dias e a escolha dos seus elementos é feita de forma cautelosa. Não é por acaso que nas sete notas de dólar norte-americanas figurem sete personalidades que constribuiram activamente para a construção da nação, como Benjamin Franklin, George Washington ou Thomas Jefferson. Já o verso das notas é constituido por imagens directamente ligadas à personalidade correspondente da nota. Por exemplo, no verso da nota de dois dólares onde figura Thomas Jefferson, vê-se uma imagem da assinatura da Declaração da Independência, de que o presidente foi co-autor.
O artista Scott Campbell escolheu as notas de um dólar para seu objecto de trabalho. Talvez por ser a de valor inferior, talvez por nela figurar uma das personalidades mais importantes da história dos EUA: George Washington, o primeiro presidente do país. O verso da nota é preenchido Grande Selo dos Estados Unidos, símbolo da emancipação do país criado ainda antes da Declaração da Independência em 1789.
O louisiano residente em Nova Iorque juntou centenas de notas de um dólar para lhes dar volume e um novo significado. Como que esculpindo através dos montes alinhados de papel, ele cria novas imagens, que nos transportam para o lado negro do dinheiro. Usando um laser, o artista visual cria caveiras, palavras, foices, armas e outros elementos que nos relembram que o capitalismo nem sempre traz coisas boas...

© Scott Campbell, "Three Sculls".

© Scott Campbell, "Sacred Heart".
Campbell é famoso também (ou se calhar mais famoso) pelas suas tatuagens. Depois de desistir da sua carreira como bioquímico no Texas, fugiu para São Francisco, onde começou a aprender a tatuar. Esteve fora do país durante mais de seis anos para aperfeiçoar a sua técnica e encontrar inspiração. Hoje tem um dos centros de tatuagem mais reputados dos EUA, a Saved Tattoo, em Brooklyn, Nova Iorque. Na sua clientela conta com Marc Jacobs, Orlando Bloom, Josh Hartnett, Penelope Cruz e Helena Christensen. Heath Leadger foi a primeira celebridade que tatuou - um pássaro a voar no braço esquerdo.
Esta não foi a primeira vez que Campbell trocou a pele por outros objectos de trabalho. Nos últimos tempos produziu também uma série de aguarelas inspirada na sua experiência de seis semanas numa prisão de alta segurança na Cidade do e teve um projecto em que desenhou a carvão dentro de cascas de ovos. A sua última exposição, "Noblesse Oblige", decorreu em Los Angeles e consiste num conjunto de obras plásticas com forte ligação à arte da tatatuagem porque é essa a sua primeira paixão, a sua "noblesse oblige".
Multifacetado e na vanguarda nova-iorquina, este é um artista a ter em atenção nos próximos anos.

© Scott Campbell, "Revolver".

© Scott Campbell, "Always Almost There".

© Scott Campbell, "Mex Santa Muerte".

© Scott Campbell, "Good Morning".

© Scott Campbell, "Noblesse Oblige".
Comentários
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Cesar Augusto do Sacramento Sena
Arte é arte!
CMR
Chega a ser um ultraje alguém destruir dinheiro assim em um mundo com tanta desigualdade.
Fox
A verdadeira face do Dólar...
Jorge
A arte é bela. Devía escolher outros materiais.
Alex Gama
Duas peças me chamam a atenção: Uma parecidissima com os cartemas de Aloisio Magalhães, e não podemos esquecer que Cildo Meireles já trabalhou o tema há algumas decadas passada.
SCCP
Queria ver ele fazer arte usando real e ganhando 1 salário minimo brasileiro, ou sendo aposentado.
Inforgel
Muito interessante mesmo. Criativo demais, parabéns por isso.
Mas isso também nos dá uma idéia do que é ser uma pessoa sem ter o que fazer.
Jose
A arte é bela, mas a ipocrizia em destrui-las em um mundo onde muitos passam fome, é inaceitavel.
Dimitrius
COM A DESVALORIZAÇÃO DO DÓLAR E A PERSPECTIVA DA NOTA DE UM DÓLAR SAIR DE CIRCULAÇÃO, SÓ RESTA APROVEITAR PARA FAZER ARTE MESMO ! GOSTEI !
Rê
A arte não tem preço, mesmo esculpida em dinheiro.
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