Coringa nos quadrinhos: a origem de um símbolo

Um dos maiores personagens da fantástica DC Comics, aclamado por muitos como o maior vilão dos quadrinhos de todos os tempos... Senhoras e senhores, coloquem um sorriso no rosto pois estamos falando do caótico, do sádico, do excêntrico e inconfundível psicopata: Coringa!


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“O homem comum. Fisicamente ridículo, ele possui, por outro lado, uma deturpada visão de valores. Observem o seu repugnante senso de humanidade, a disforme consciência social e o asqueroso otimismo. É mesmo de dar náuseas, não?” Coringa, em "A Piada Mortal".

Pode parecer piada, mas o personagem Coringa (Joker) consegue contestar sua própria origem! E não falo nos quadrinhos ou no cinema, mas sim da própria realidade. Isso acontece pela dúbia versão apresentada pelos seus criadores Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane. Robinson fala que a origem do personagem se deve a uma carta de baralho que ele levou, contendo o desenho que carrega o nome Joker, enquanto Finger e Kane atribuem sua criação a uma atuação de Conrad Veidt em O homem que ri. Alegam que a carta serviu apenas para atribuir alguns elementos à nova personagem - por exemplo, o baralho que sempre carrega consigo. Evidentemente, é uma pequena disputa autoral para conquistar o singular título de criador, e é facto reconhecido pelos três que todos tiveram participação no processo de invenção do nosso piadista.

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Uma vez nos quadrinhos, sua primeira aparição foi em Batman #1 (1940). Nesta edição, o Coringa era um maníaco homicida simples (caso isso seja possível) fadado para morrer sem ter grande importância na saga do homem-morcego. Todavia, o editor Whitney Ellsworth sugeriu que ele fosse poupado e, às pressas, foi elaborado outro desfecho para a edição. No número seguinte, o simpático vilão se recuperava em um hospital. Não sabia ainda que no futuro seria impensável pensar em Batman sem pensar em Coringa.

A origem da personagem Coringa tem contraversões, sendo que a mais aceita é a presente em Batman: A Piada Mortal, de Alan Moore e Brian Bolland. Coringa seria então um homem comum, casado, assistente de um laboratório químico levando uma vida cotidiana. Acreditando possuir inegável talento para a comédia, o homem pacato e de nome desconhecido é possuído pela fantástica perspectiva de mudar sua vida. Larga o emprego e se joga ao seu sonho. Infelizmente, o talento que acreditava possuir não é reconhecido pelos outros: simplesmente, ele não conseguia fazer ninguém rir.

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Enquanto seu sonho era despedaçado, sua mulher ficou grávida, o aluguel atrasado, o quarto imundo em que residiam, com cheiro de gato, não era o lugar que ele sonhara para ver seus filhos crescer. Perante esta situação dramática, ele tomou uma decisão igualitária: aceitou ajudar dois criminosos a entrarem no antigo laboratório em que trabalhava, num assalto em busca de uma vida melhor para sua família.

Antes de efetuar o crime, foi avisado de que sua mulher havia morrido enquanto testava um aquecedor de mamadeiras. Um curto circuito. E é isso, a vida e toda sua fortuita injustiça, o argumento sedimentar para a loucura dada como um presente de Natal. O personagem, atônito, não tem mais motivos para realizar o crime premeditado, porém seus comparsas, indiferentes a sua ruína, o forçam a dar continuidade.

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Havia um outro criminoso chamado Capuz Vermelho e, astutamente, os criminosos deram ao nosso homem um capuz para que, no caso de algo dar errado, a polícia acreditasse que era tudo culpa deste bandido. Durante o assalto as coisas realmente dão errad: surge a figura de Batman e, para não ser pego, o homem comum fantasiado de Capuz Vermelho salta de uma grade caindo dentro de um grande tonel de conteúdo químico. Ao sair do tonel, o seu aspeto físico é o que conhecemos hoje: pele branca, cabelos verdes, terno roxo, etc.. No entanto, muito mais do que a aparência física, a sua personalidade havia mudado drasticamente e para ver isso bastava olhar para o seu sorriso. Tal como Coringa explica nesta edição, basta apenas um dia ruim para você abraçar a loucura e dela nunca mais soltar.

Todos os poderes do Coringa têm algum vínculo com a comédia, um sarcasmo sanguinário. São flores na lapela do terno esguichando ácido. Tortas recheadas com cianeto, charutos com nitroglicerina, descargas elétricas fatais ao alcance de um aperto de mão, gases que levam a vítima a sorrir até a morte, etc.. Para o desenvolvimento destas armas, bem como dos planos grandiosos, sábios e complexos que constantemente testam a habilidade de Batman, retrata-se o Coringa como um mestre nas áreas de química e engenharia.

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Por fim, são incontáveis os confrontos que fizeram Batman e Coringa se baterem de frente, permitindo o provável desfecho em que um elimina o outro - o que nunca aconteceu. Batman carrega nobremente os princípios da lei e matar Coringa seria, além de criminoso, o ato que comprovaria tudo aquilo em que seu arqui-inimigo acredita. Já Coringa aparenta ter consciência da doentia dependência que tem em relação a Batman: a questão não é matar, mas sim todos os princípios relativos ao bem e ao mal que, com a mesma honradez, carrega às avessas.

A luz precisa da escuridão, o bem precisa do mal e Batman precisa do Coringa para existir. E vice-versa.

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