Egon Schiele: erotismo, agressividade e pobreza

Sabia que no início do século XX o número de prostitutas em Viena era o maior per capita de todas as cidades da Europa? Não é coincidência ter sido nesta cidade que surgiu um pintor são sexual e controverso como Egon Schiele. Conheça melhor o trabalho do austríaco.


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Arrojado e boémio, Egon Schiele (1890-1918) é uma figura de destaque do expressionismo alemão. Os seus desenhos expressam o erotismo através de figuras grotescas e linhas agressivas: prostitutas e trabalhadoras da classe baixa eram os seus modelos preferidos e causaram polémica na sociedade vienense de início do século XX.

O talento de Schiele cedo se notou. Contra a vontade da mãe e do tio, candidatou-se e conseguiu entrar na Academia de Viena aos 17 anos, logo na primeira tentativa. Um ano depois, em 1908, já participava numa exposição pública, de tema paisagístico.

No entanto, à medida que atingia uma idade mais madura, os seus temas foram-se tornando menos convencionais e a sua técnica mais ligada ao desenho e à aguarela. Dois anos após ter entrado na academia, abandonou-a para criar o Grupo de Arte Nova (Neukunstgruppe). A arte mais tradicional não lhe interessava e, em Dezembro do mesmo ano, o grupo organizou a sua primeira exposição, onde os corpos distorcidos de Schiele já estavam bem presentes.

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Nos anos seguintes, o pintor austríaco desenvolveu a sua linha original. A pobreza e a piedade ligam-se nos seus desenhos de linhas abruptas e formas intensas que acentuam o carácter erótico das personagens. A sexualidade e a homossexualidade estão sempre presentes e funcionam muitas vezes como uma forma de oposição à Igreja. Vemos mulheres nuas a beijarem-se em vários trabalhos e há um frade que acaricia uma freira.

As cores pálidas da decadência juntam-se aos tons vermelhos das zonas mais sensíveis do corpo. Fascinado pela devastação do sofrimento, Schiele escolhia como modelos mulheres magras de tipo andrógino e de classe baixa. Muitas delas eram prostitutas. O pintor foca os órgãos sexuais das suas personagens, quer pela posição do corpo, quer pelas cores utilizadas, em quadros despidos de quase todos os elementos decorativos e na ausência de qualquer pano de fundo.

Também os seus auto-retratos expressam a forma como encarava a realidade. De olhos cavados, testa alta e com um corpo esquelético, Schiele mostra-se repulsivo para a posterioridade, quando aos seus contemporâneos se mostrava atraente e de aspecto elegante.

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Após ter fundado o seu grupo de arte, Schiele expôs em Zurique, Praga, Dresden, Budapeste, Colónia e Paris. Apesar das críticas vorazes dos europeus mais púdicos, o seu trabalho viajou além fronteiras devido à sua força de expressão e agressividade. Schiele faz-nos viajar entre a promiscuidade dos bairros mais pobres, obrigando-nos a observar (e aos seus contemporâneos do início do século XX) o que ninguém quer ver. Não foi por acaso que este pintor foi o protegido de Gustav Klimt.

Schiele quer chocar? Quer chamar a atenção para problemas sociais? É obcecado por sexo? Muito provavelmente, um pouco dos três. Pintou a sua primeira companheira e musa, Valeria, a sua esposa, Edith, e chegou até a pintar a sua irmã mais nova nua: de cabeleira ruiva, deitada e com um olhar provocador. A intimidade entre o pintor e os seus modelos é uma das características visíveis nos desenhos.

Infelizmente, a sua carreira foi curta. Schiele acabaria por falecer em 1918, com apenas 28 anos de idade, vítima de gripe espanhola. Os seus últimos desenhos foram da esposa, que tinha morrido três dias antes.

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Diana Caldeira Guerra

A Diana gosta de caracóis temperados no verão, canja de galinha no inverno e autores clássicos em todas as estações do ano
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