Nacho Ormaechea: as histórias dos desconhecidos

Nacho Ormaechea, director de arte e designer gráfico, adora sentar-se num espaço público e observar quem passa. O artista espanhol afirma que, às vezes, basta um momento para captar a história de um desconhecido. No entanto, o seu projecto “Untitled 20” vai mais longe. Misturando a fotografia com ilustrações gráficas, as colagens finais pretendem transmitir mensagens e sentimentos que provoquem reacções espontâneas no espectador.



anonimos, cidades, fotografia, historias, Nacho, Ormaechea © Nacho Ormaechea, "Untitled".

“Os meus personagens, pessoas anónimas fotografadas na rua, são espelhos que reflectem o meu estado de espírito, bem como o seu”. Foi com esta ideia que Nacho Ormaechea captou várias pessoas no cenário urbano e lhes “adicionou” memórias e pensamentos.

O director de arte e designer gráfico espanhol costuma frequentemente vaguear pela cidade a observar quem passa. Esta curiosidade leva-o a viajar pelas histórias alheias, escondidas por detrás de cada rosto. Segundo Nacho, às vezes basta só um momento para decifrá-las. No entanto, o artista também se questiona sobre os pormenores dessas histórias: que sítios frequentam estas pessoas? Quais serão os seus medos? E os seus sonhos? E será que a lente de uma câmara fotográfica tem o poder de as registar numa simples imagem?

“Para começar, preciso de um tema central, todos os meus projectos são feitos a partir de um conceito. Depois, o improviso flui e o trabalho desenvolve-se”, explica. Para além disso, cada um deles parte de um sentimento, acabando assim por provocar reacções espontâneas no espectador. “Pode ser uma reacção contrária à minha. Afinal, temos perspectivas diferentes, sonhos e medos muito pessoais. Espero que estas fotografias criem um elo de identificação”.

anonimos, cidades, fotografia, historias, Nacho, Ormaechea © Nacho Ormaechea, "Untitled".

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Neste projecto, Nacho junta as suas duas actividades e produz colagens fotográficas reveladoras de uma nova paisagem urbana. Histórias de anónimos, cujas raízes perdem uma dimensão interna e longínqua, para ganhar uma abordagem colorida e mais terrena. Numa tentativa de ligar o passado ao presente, Nacho resgata estas memórias e pensamentos para reflectir tanto o seu estado de espírito como o de qualquer outra pessoa.

“Eu gosto deste processo, ir, sentar-me em algum sítio na cidade e olhar. Nunca sabemos quem vai aparecer, nem o que se passará. Gosto de tentar adivinhar as suas vidas e aperceber-me de que muitas estão tapadas como se usassem máscaras. É nesse instante que sinto que a câmara deve disparar”. E são esses mesmos flashes e ilustrações que funcionam como uma espécie de narrativa do dia-a-dia. Radicado há vários anos em Paris, Nacho trabalha como freelancer e colabora também noutros projectos criativos. Veja os dois sites do artista - Ormaechea.com e Le Carnet Noir.

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diana ribeiro

gosta de cores, comer algodão doce, ouvir as ondas do mar e cheirar livros novos. Não dispensa o uso de nenhum dos sentidos.
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