O sexo em 69

«Os anos 60 terminaram, a droga nunca voltará a ser tão barata, o sexo nunca voltará a ser tão livre e o Rock&Roll nunca voltará a ser tão grandioso». As palavras são de Abbie Hoffman, activista hippie norte-americano, e reflectem a década do amor livre e das flores nos cabelos. Passaram-se mais de 40 anos e já ninguém se sente tão livre como aqueles jovens que dançaram sem roupas aos sons de Woodstock.


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No sexo, não há um antes ou depois de Cristo. Há um antes e depois dos anos 60, década que viu desenrolar uma revolução sexual sem precedentes. A par do movimento hippie, da contestação pela paz e dos movimentos civis das mulheres, homossexuais e afro-americanos, a década do não-conformismo é também sinónimo do “amor livre”. Curiosamente, o seu apogeu foi exactamente em 69, um número bem conhecido pelas suas conotações sexuais.

Estávamos em 1969 e o tabu em que o sexo esteve envolvido durante séculos quebrava-se a cada dia. Foi um golpe duro para os pais norte-americanos, que viam os seus filhos com cabelos cada vez maiores – adornados com flores, a caminho de S. Francisco – e a proclamar o discurso do amor-livre.

Acabava-se a história de que o sexo servia apenas a procriação (e escondido entre as quatro paredes do lar), estilhaçada pelas reivindicações feministas que instavam à reapropriação do corpo pelas próprias mulheres. E a massificação do uso da pílula contraceptiva ajudou a pôr as palavras de ordem em prática. Foi a proclamação de que as mulheres faziam sexo por prazer e sem estarem dependentes da maternidade não desejada – à semelhança do que os homens sempre tinham feito.

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Estávamos em 1969 e o livro “The Way to Become the Sensuous Woman” (em português, “A Forma de se Tornar a Mulher Sensual”) tinha acabado de ser publicado. Joan Garrity, a autora, chegava mesmo a apresentar exercícios para as habilidades linguísticas e a explicar o sexo anal. E, mais uma vez, os pais abanavam a cabeça, de forma reprovadora, a pensar na vida que os filhos levavam. Enquanto as mães, provavelmente, leriam o livro de Garrity às escondidas.

Estávamos em 1969 e já se tinham passado alguns anos desde que a cultura do “amor livre” tinha marchado pelas ruas, sem vontade de recuar. Os hippies apelavam ao poder do amor, a que juntavam o apelo pacifista. «Fazer amor e não guerra» tornou-se um dos slogans mais conhecidos de sempre. E, com o apelo à força do amor, o movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) começou a ganhar força e tornar públicas as suas reivindicações. O dia 28 de Junho de 1969 fica na história como o dia dos tumultos de Stonewall. Pela primeira vez nos Estados Unidos, a comunidade homossexual lutou contra a discriminação das minorias sexuais.

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Estávamos em 1969 e cerca de 500 mil pessoas juntaram-se numa quinta em Nova Iorque. O Verão estava no seu auge, em pleno Agosto, apesar da chuva que, de vez em quando, teimava em aparecer. A cannabis trocava-se livremente, tal como o coito fugaz, num modo de vida de uma geração para a qual, mais do que uma vontade privada, era um sinal político. Os cabelos longos emolduravam peitos despidos e vestidos, num ambiente em que o mais importante de tudo era a música. E como a música tocou em Woodstock. De forma épica.

A voz rouca de Janis Joplin serviu de banda sonora à proclamação do amor e da paz, assim como a electrizante guitarra de Jimi Hendrix ou os sons psicadélicos de Jefferson Airplane, entre muitos outros. Ao todo, foram 32 concertos em três dias de festival que deram um som à revolução sexual (entre tantas outras revoluções) dos anos 60. Três dias em que o mais importante foi o Rock&Roll.

Estávamos em 1969 e o futuro nunca antes tinha parecido tão “novo”, com tanto potencial e tão disruptivo. Passaram-se mais de 40 anos e grandes conquistas foram entretanto conseguidas nos direitos civis. Mas nunca mais o Rock&Roll ecoou tão longe, o amor foi tão valorizado e o sexo foi tão livre como naquela quinta de Nova Iorque. Mesmo que os jovens de então se tenham tornado parecidos com seus pais, à medida que o tempo passou.

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Marisa

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