Revolução PUNK: para acabar de vez com a sociedade

Em meados dos anos 70, o mundo foi sacudido por ideologias revolucionárias, subversivas e sarcásticas. Uma convocação à busca pela liberdade, a desvalorização do tradicionalismo e da eterna busca sem sentido dos “porquês”. Foi posto em discussão o princípio da autonomia, a capacidade de fazer você mesmo aquilo de que necessita, sem controles e amarras, de forma alternativa e personalizada, “do it yourself”. Nascia o movimento punk.


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A palavra Punk não surgiu nos anos 70, como muitos imaginam. William Shakespeare já a usava para qualificar prostitutas. Séculos depois, foi usada para caracterizar sadomasoquistas. O termo também era apropriado para tratar vagabundos e mendigos em Nova York. De qualquer maneira, foi com o surgimento do movimento punk que ela passou a traduzir a anarquia e a subversão de valores morais.

Influenciados pelo pop rock de suas infâncias, como Beach Boys, Rolling Stones, Beatles, entre outros, e pelo rock mais pesado, surgiram bandas como The Stooges (1967) e New York Dolls (1971), que tinham a intenção de criar músicas simples e sem grandes produções, diferentes das que dominavam o cenário musical da época. Iggy Pop, que foi líder da banda The Stooges, também foi um ícone que fez parte dessas raízes. Em março de 1974, o trio Joey, Dee Dee e Johnny tocou pela primeira vez nos Estados Unidos. Eles se intitulavam Ramones e abriram as portas para o que conhecemos hoje como Punk Rock.

cultura, música, punk, rock, sex pistols, subversão, underground Dee Dee Ramone.

Londres, 1975. Um grupo de jovens músicos, feios, sujos e mal vestidos, faz um show para poucas pessoas em frente a uma loja. Esses eram os caras que seriam conhecidos como Sex Pistols - e os donos da loja eram Malcon McLaren e Vivienne Westwood, amigos e empresários que incentivaram e patrocinaram a banda que virou símbolo do Punk. Sid Vicious, baixista da banda, se tornou um dos grandes ídolos do período e até hoje é lembrado por seu jeito subversivo, irreverente e provocador.

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A postura punk se tornou um fenômeno de grande impacto e acabou se enraizando pelo mundo. No Brasil, em São Paulo o movimento surgiu na Zona Norte, onde foi formada a primeira banda punk brasileira, a Restos de Nada, que era influenciada por bandas de protesto norte-americanas e inglesas. Em Brasília, chegou através dos filhos de políticos e embaixadores, que visitavam o exterior e traziam de lá os últimos lançamentos da música punk. Um movimento underground, com discurso contra a ditadura e a repressão militar, que acabou formando bandas como Aborto Elétrico (de Renato Russo), AI-5 e Conutores de Cadáver. Não se tem muitos registros desse período, já que as bandas costumavam se encontrar para tocar apenas em alguns lugares e geralmente não lançavam discos.

O príncipio de que qualquer um poderia montar uma banda, o espírito renovador que vinha para espantar o tédio cultural e a decadência do tradicionalismo social, deu ao movimento punk o impulso necessário para romper as barreiras e conquistar o mundo. Simultaneamente aos Pistols, dezenas de bandas começaram a abraçar o movimento e a epidemia alastrou com velocidade. Alguns punks que surgiram com o movimento: The Clash, The Runaways, The Who, Misfits, Bad Religion, entre outros.

cultura, música, punk, rock, sex pistols, subversão, underground Bad Religion.

As músicas eram simples e fáceis de executar, para que qualquer pessoa dotada com o mínimo de talento musical pudesse reproduzi-las, além de rápidas e agressivas. As letras quase sempre envolviam contestação, abordagens anarquistas, sarcasmos, pessimismo e niilismo.

A moda também foi afetada por elementos do punk. Jaquetas de couro, jeans rasgado, coturnos, cabelos moicanos, lápis nos olhos, alfinetes e tachas nas roupas, calças de couro justíssimas, tênis converse... tudo que caracterizasse adaptação, uma forma artesanal de mostrar personalidade e o conceito do “faça você mesmo”.

Muito além de ditar moda e lançar ideologias, o movimento punk marcou uma geração e se tornou a trilha sonora para os jovens questionarem padrões de comportamento e sistemas opressores, que sufocavam a criatividade e a liberdade de expressão. O fato é que, depois do punk, o mundo nunca mais foi o mesmo.


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