
© Ana Teresa Fernandez, "Aquarius", série "Ablution".
Natural de Tampico (México), Ana Teresa Fernandez explora nas suas obras ideais e conceitos ouvidos desde jovem. A artista mexicana recorda que aos 15 anos lhe foi dito algo que até hoje não esqueceu “ Os homens querem uma dama na mesa e uma puta na cama”. A partir desta declaração, Ana começou a perceber o duplo padrão imposto socialmente às mulheres e a questionar estas expectativas associadas à sua condição feminina.
“Para as mulheres contemporâneas, muitas vezes é difícil conciliar estas duas facetas. Na nossa cultura, a imagem de dama está conotada como limpa, e a de puta como suja. É uma linha muito ténue que pode ser mal interpretada”, afirma. Baseada nestes estereótipos, a artista criou várias pinturas que abordam precisamente estas fronteiras a nível físico, emocional e psicológico. E, sobretudo, a relação entre os três.
Lavar, passar a ferro, cozinhar, tratar da casa e da sua manutenção são tarefas destinadas à mulher: a sociedade assim o pré-definiu. A imagem da esposa dedicada e prendada foi passando de geração em geração e nas últimas décadas aperfeiçoada pelos media. Nesta série, Ana Fernandez retrata-a então em actividades de limpeza doméstica e pública, mas vestida com trajes de dança. “No tango, a mulher “luta” com o seu parceiro. Aqui bate-se com o meio ambiente”. Durante os passos dados, a artista usou o corpo como o “objecto” que empurra ou puxa o espaço para os seus limites, até que um deles acaba por ficar para trás. “Esta dança faz referência à batalha entre os media e os estigmas sociais, versus os próprios desejos e vontades” acrescenta.

© Ana Teresa Fernandez, "Untitled", série "Pressing Matters".

© Ana Teresa Fernandez, "Untitled", série "Telaraña".
Pintadas a óleo, estas protagonistas representam simultaneamente a dualidade limpa e suja na mesma imagem. “Este meu trabalho explica como as mulheres podem identificar os seus pontos fortes e até a sua sensualidade, ao fazer tarefas pouco respeitadas e consideradas sujas”. Vestindo a mulher com um vestido curto e uns sapatos de salto alto - imagem da feminilidade -, Ana Fernandez satiriza estas duplas expectativas em retratos hiper-realistas que facilmente são confundidos com fotografias.
A artista estudou no “San Francisco Art Institute” e vive actualmente na cidade. As suas obras têm passado por diversas exposições em países como o México, Estados Unidos, Haiti e África do Sul. Para breve, está agendada uma passagem pela “Foto España” em Madrid.

© Ana Teresa Fernandez, "Untitled", série "Pressing Matters".

© Ana Teresa Fernandez, "Untitled", série "Pressing Matters".

© Ana Teresa Fernandez, "Untitled".

© Ana Teresa Fernandez, "Untitled".

© Ana Teresa Fernandez, "Siren's Shadow", série "Ablution".

© Ana Teresa Fernandez, "Untitled", série "Telaraña".
Comentários
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Celi Devellard Gandra
Gostei demais do artigo sobre a pintura de Ana tereza Fernandes. Parabéns.
claudio hampf
Lindíssimas obras de Ana Tereza. É um prazer poder apreciar estas obras de técnicas apuradíssimas e conteúdo profundo. Parabéns
Cadu Langiano
Muito bom mesmo lindo e com muita realidade ! Parabéns pela matéria !
MARCUS MAIA
Obra-prima, a sensibilidade artistica sempre faz o diferente...parabens!
niva
maravilhoso trabalho!
Proberto
Ao meu ver a artista talvez tenha levado muito ao pé da letra a expressão “Os homens querem uma dama na mesa e uma puta na cama”, mesmo porque, com a liberdade sexual dos tempos recentes, entendo que, "à mesa" se refere a diversidade ideológica que precisamos compartilhar no meio social e, "à cama", respeitar a opção e os desejos sexuais ligados ao prazer, sem frescuras ou pré julgamentos, que acabam por limitar o jogo do amor, da sedução e do sexo.
Contudo, as pinturas (fotos) são belíssimas, o que apesar da fonte de inspiração, ao meu ver, duvidosa, nos proporcionou um belíssimo trabalho de esculturas femininas. Francamente adorei!
Parabéns,
Marina
Sinceramente eu não compreendi a proposta da pintora. Ela quer fazer uma crítica à sociedade machista ou apenas levar a "puta" da cama para a mesa? fazer um caminho inverso?
Já que ela trabalha com conceitos de sujo e limpo, bom seria se ela pintasse uma dama fazendo coisas sujas, algo que realmente desconstruisse conceitos pré-definidos.
Jorge Vinicius
Pelo pouco q entendo de arte, Marina, acho q ela tá imprimindo o quão difícil é para a mulher contemporânea conseguir ser o paradoxo puta-dama. Não é o fato de ser uma dama fazendo coisas sujas ou a puta e seus afazeres domésticos. É conciliar a ambiguidade em um só ser.
Não sou mulher nem entendido de arte, mas acho que ela quis passar isso...
Quanto a dama fazendo sujeirinhas, já assistiu A BELA DA TARDE??? É massa!
André Luiz
Eu estou imprssionado com domínio estético de Theresinha.Entre o real e o surreal dessa artista que dá forma ao mundo feminino ainda preso a antigos cacoetes culturais. É uma forma adequado de unir o surdo e absurdo, compatível a Magritte, Dalí, porém, explorando um mundo feminino como nunca. Na minha opinião, ao casar o traço firme, a verossimilahnça dos objetos, o entroncamento do cotidiano e do absurdo, Theresinha descotina e representa as dilemas da mulher pós-moderna. Adorei! Virei fã!
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