Gato brincando (domínio público)
Animal da família dos felídeos, o Felis cattus silvestris, também conhecido como gato doméstico, evoluiu a partir do que atualmente é seu mais antigo ancestral direto conhecido, o Proailurus lemanensis, que viveu há cerca de 30-20 milhões de anos atrás (ou entre os períodos Oligoceno e Mioceno) e geralmente é considerado o primeiro "verdadeiro gato". Dele surgiu o Pseudaelurus, ancestral de todos os gatos modernos.. Estima-se que o gato tenha deixado a vida selvagem (para acabar povoando vídeos fofinhos no Youtube) entre os anos 10.000 e 9.500 a.C.
Com o cruzamento de diversas espécies, ao longo dos anos, os gatos foram se tornando menores e menos agressivos. Os humanos, por sua vez, deixaram de lado a vida de nômades e passaram a estabelecer morada em lugares fixos, trabalhando na agricultura. Diz-se que a primeira parceria entre humanos e gatos surgiu com a necessidade de exterminar os roedores que atacavam os estoques de alimentos. Um negócio bem Tom e Jerry. De qualquer maneira, conta-se que os vestígios mais antigos da domesticação dos gatos foram encontrados na ilha de Chipre. Por lá, foram descobertas sepulturas com restos mortais de gatos e humanos, juntos.
Até aqui a vida dos gatos não era lá essas coisas. Eram apenas caçadores que quebravam um galho para os humanos. Mas no Egito o negócio realmente começou a ficar bom. Com a associação de divindades como a deusa Bastet - deusa egípcia da felicidade, fertilidade, do sol e da lua - aos gatos, estes passaram a ser considerados sagrados. Se tornaram os guardiões da noite, dos mortos e dos mistérios da vida e da morte. Isso acontecia porque alguns deuses eram apresentados com corpo humano e cabeça de gato. Parece que por lá eles podiam perambular pela cidade e se aproximar de quem quer que fosse, sem serem incomodados. E se uma casa pegasse fogo, eles eram os primeiros a serem resgatados. Uma beleza!

Estátua de gato, no Museu Egípcio Britânico
Apesar das restrições impostas - nenhum gato deveria sair do Egito - alguma pessoa muito legal provavelmente burlou as regras e levou uns bichanos para passear em outros territórios. Para os romanos, o gato era o maior símbolo de liberdade. Na Grécia, era associado à deusa Afrodite. Em Babilônia, criou-se a lenda de que os gatos haviam surgido do espirro de um leão. Na China, estátuas de gatos eram usadas para espantar maus espíritos. No Japão, o gato morto era enterrado no templo de seu dono para garantir a ele boa sorte e tranquilidade durante toda a vida.
Por muito tempo, os gatos conseguiram manter a boa fama de espírito protetor e amigo dos humanos e continuaram levando a vida numa boa até a chegada da Idade Média. Ao longo desta era cristã, os bichanos foram associados a bruxarias e houve um verdadeiro processo de demonização. Pobres gatos pretos, que sofrem até hoje com as supertições advindas desse período macabro da história. De qualquer maneira, com o fim da Idade Média e da visão preconceituosa e supersticisiosa, os gatos passaram a ocupar novamente o espaço de animal doméstico por sua sociabilidade, independência e capacidade de manter os roedores a distância.

Hoje em dia os gatos não são divindades, nem demônios, mas continuam despertando nossa curiosidade. O comportamento independente, a agilidade e os trejeitos totalmente característicos tornam os gatos verdadeiras obras de arte que ganham vida sob nossos olhos. O que explica inclusive porque se tornaram os animais domésticos mais populares do mundo, atualmente. Observar suas atitudes e reações é, sob diversos aspectos, um adorável espetáculo. E o melhor de tudo é que nunca dá para saber o que está por vir, pois são seres completamente imprevisíveis. Mesmo assim, é impossível não tentar decifrar esse bicho enigmático, cheio de personalidade e que faz das pessoas seus verdadeiros bichinhos de estimação e não o contrário, como muitos pensam.
Depois de toda essa evolução biológica e histórica, os gatos não estão apenas na casa das pessoas: estão em todo lugar. De desenhos animados a filmes, de letras de músicas a pinturas, de livros a milhões de vídeos fofos, que despontam novas estrelas todos os dias no Youtube. Não conhece o Maru, o gatinho que mora no Japão e adora caixas de papelão? Pois deveria!
Algumas sugestões:
Assista
Felix, the cat (série animada - 1920)
The Aristocats (filme - 1970)
Tom e Jerry (desenho animado)
Leia
Felidae (Akif Pirincci)
O gato de botas (Charles Perrault)
Dewey – Um gato entre livros (Vicy Miron).
Ouça
História de uma gata (Chico Buarque).

Gato, por Franz Marc

Poster de promoção do teatro de marionetas "Le chat noir", de Rodolphe Salis, 1896

Gato branco, 1895 (Biblioteca Pública de Boston)

O gato do czar Alexis da Rússia, 1661
Comentários
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Carla
Los gatos son lo máximo!!!
Mis felicitaciones a Petit Gabi.
De los amantes de gatos, quién no tiene ese cuadro "Le chat noir" en su casa?
Adriana Grava
Adorei este artigo sobre esses queridos bichanos, tenho quatro em casa, sendo que uma encontrei na rua ou melhor ela me encontrou e os outros três...bom estavam a caminho rsrsrs.
Grande abraço.
Carla,
Me alegro de que hayas disfrutado el artículo.
¡Gracias!
Oi Adriana!
Que bom você ter gostado do artigo. Foi com muito gosto que o fiz, afinal, sou uma grande amante desses adoráveis bichanos. Também tenho uma lindinha adotada e ela só me traz amor.
Felicidades para você e seus quatro bichanos.
Abs!
Bruno Dias Cardoso
Miauuuuuuu... que significa: Gostei muito, Petit Gabi. :)
Miauuuu! Que significa: obrigada, Bruno! hehehe
Abs!
ana maria
Vocè esqueceu do Garfield!!!!!!!!!!!!
Nooossaaaa! Verdade... Adoro esse gato gordo comedor de lasanha. Perdoe minha falha, Ana.
Abs!
Leonardo
Muito legal seu publicação. Gosto muito desse animal. Espero em breve ter outros. Ansioso por outros assuntos comuns. Continue escrevendo. Abraço.
elisabete lopes johansen
adorei conhecer essas estorias de gatos, elas sao muinto interessante, eles sao lindos e eu pinto muinto esse animal independente e autoritario!!! parabens pelo artigo gosto muinto de receber imail de obvius! feliz ano novo para toda equipe.
wutkealf
fantástico, minha amiga de Sampa é que ia gostar, adora gatos.
Gostaria de ,mandar , mas não sou bom com essas máquinas, aguardo meu filho chegar do serviço le tem facebook quem sabe. Parabéns pelo artigo.
Oi Leonardo!
Gatos são muito amor, né? Tudo sobre eles me atrai.
Sobre os assuntos comuns, esse é bem meu estilo. Além do mais Obvious está cheia de artigos sensacionais que valem a leitura.
Volte sempre!
Abs!
Olá Elisabete!
Obrigada por compartilhar sua opinião com a gente. A Obvious serve bem, para servir sempre!
Um abraço!
Olá André!
Por favor, compartilhe mesmo com sua amiga! Vai ser muito bacana ter mais uma pessoa acompanhando nossos artigos.
Obrigada!
Abs!
wutkealf
merci Petit Gabi
Realmente foi uma surpresa chegar do serviço e abrir, para ler os e-mail e encontrar o seu carinho.
Já enviei, só espero que elas goste
Muito obrigado, at´breve
Imagina André, só escrevo porque pessoas como você vem até aqui para ler.
Eu que agradeço! Também espero que elas gostem. Abs!
lucia couto
Adoro ser "bichinho de estimação' dos meus gatos.
Belo artigo.
Eu também, Lúcia. Minha gata faz o que bem entende comigo. rs
Obrigada!
lucia couto
Pois então Petit Gabi...fico sempre feliz em encontrar humanos que se sentam parte do universo felino sem se sentirem seus donos e, reconhecendo que são eles que comandam, definem, determinam o modelo da relação. E cada gato é um gato. São todos diferentes uns dos outros. Coincidentemente como nós humanos. Beijos!
Vanessa
Outra sugestão de leitura: O grande massacre de gatos (e outros episódios da história cultural francesa), de Robert Darnton, editado no Brasil pela Ed. Graal. No segundo capítulo, ele traça um interessante panorama sobre a figura do gato na história do ocidente.
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