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La Piel que Habito - Um Almodóvar mais profundo

publicado em cinema por | 5 comentários

O longa com nome bonito de Almodóvar suscita questões tão atuais e inquietantes, contadas da forma que apenas o espanhol poderia. Como a arte que deve ser.

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Falar que é um filme de Almodóvar já deveria dizer muito. Quem não gosta de um, não dará tanta importância aos outros. Eles têm uma marca. Almodóvar é uma marca; é um estilo que consegue unir como poucos todas as artes: a pintura, o teatro e a música. Ele é a convergência desses elementos.

Em "La Piel que Habito", as criações de Louise Bourgeois quase ganham um papel. E Francisco Goya é carinhosamente lembrado. O cineasta espanhol está mais profundo nas questões que costumam motivá-lo. A transexualidade é tratada de forma mais complexa e séria. Almodóvar está mais minimalista em sua forma.

Não é o melhor de seus filmes, mas é, mais uma vez, grande. Baseado num romance de Thierry Jonquet, narra a história de um cirurgião plástico obcecado em criar a pele perfeita. Como toda boa sinopse – que nada conta -, o longa vai muito além disso, mal passando pelo tema da cirurgia plástica em si. Navega entre sobrevivência, poder e hipocrisia.

A Antonio Bandeiras lhe caiu muito bem o papel de aparências de médico de família - ainda melhor quando entra o lado assustador. O clima do filme é aflitivo. Principalmente se a empatia do espectador se sobressair. Bandeiras é um cirurgião informal, frio e distante. Às vezes faz sentir pena, em outras, deixa-se tachar de monstro. É este o seu verdadeiro papel.

“La Piel que Habito” faz você continuar assistindo-o em sua mente. Pensando. E apesar de suas falhas no final, como a inocência de alguém com uma mente tão insana, ele faz você levá-lo para depois de seu fim. São 117 minutos para indagações da essência do que nos faz ser o que somos. E mais o tempo que você precisar para digerir a questão.

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marianacarrillo
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Comentários

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Após assistir ao filme, fiquei pensando em quais são as marcas dos filmes de Almodóvar, e consegui pensar em dois elementos que são constantes em seus filmes, pelos menos desde os anos 1990. O primeiro é a sempre presença da temática sexual: a homossexualidade em "Má Educação", o travestismo e e transexualidade em "Tudo sobre Minha Mãe", o sexo bizarro e fantástico de "Pepi, Luci e Bom e Otras Chicas del Montón", a bissexualidade em "Fale com Ela", entre outros temas que vão além da heteronormatividade, mas que não deixam de falar sobre heterossexualidade. De fato, parece haver sempre uma aura sexual nos filmes dele, algo latino, dos afetos demonstrados, dos amores obsessivos, das mortes por paixão, das emoções á flor da pele.
O segundo é a (des)construção das estórias através do desvelamento de segredos: essa é a sua narrativa. Deparamo-nos sempre com uma situação primeira, que parece normal ou entendível, em que os espaços, os corpos e as relações estão em espaços inteligíveis. À medida em que o filme toma corpo, ações díspares começam a se fundir, formando uma rede de acontecimentos que se firma em cima de um segredo: algo que se dá a saber do meio ao final do filme. Isso também acontece nos filmes citados acima, e fica bem evidente em "A Pele que Habito", cujos segredos revelados encenam muito mais que a própria narrativa, mas trazem à cena questões que, à princípio, nem pensaríamos ser abordadas na película.

Ana Margareth

Como todo filme de Almodovar, este também choca. Choca pela temática, choca pela frieza do médico, choca pelos segredos desvendados, choca pelas cenas sempre fortes, carregadas de sexo, consumo de drogas e homosexualismo. Mas não deixa de ser primoroso, com conteúdo inusitado que prende a atenção do telespectador. Não é dos melhores filmes do cineasta,mas com certeza, imperdível. Vale a pena.

Proberto

Particularmente achei este filme horroroso, apesar de reconhecer a genialidade do Almodovar. Estória sem pé nem cabeça onde aparecem personagens tão frágeis quanto grotescos, como é o caso daquele tigrezinho ridículo. Vale lembrar também as relações entre os personagens, que de tão absurdas chegam a beirar o grotesco. Bom, não creio que este filmeco venha a abalar a obra do genial diretor, mas fica o alerta que a marca Almodovar, por sí só, não significa algo genial. Aí brother Almodovar: nessa você errou.....

jose adolfo welter

Se você levar a sua namorada para ver A PELE...e ela permanecer ao seu lado, esta é uma verdadeira prova de amor. Desta vez o tio espanhol se superou. Bizarro, maluco, non-sense, humor negro, etc... Ninguém fica indiferente às maluquices geniais de Almodovar: alguns aplaudem de pé, outros abandonam o cinema na metade do filme. Aliás, o diretor espanhol parece que faz uma provocação aos críticos, "decifra-me ou te devoro."

Nuno F

Filme simplesmente fantástico.
Almodóvar é um génio.

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