Martha Robles - Mulheres, Mitos e Deusas

Recortes de mitos, ainda que superficialmente, podem traçar um interessante panorama cultural. É nesta posição que Mulheres, Mitos e Deusas, da mexicana Martha Robles se encaixa.


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Recortes de mitos, ainda que superficialmente, podem traçar um interessante panorama cultural. Mais. Pode também indicar estereótipos e até mesmo comportamentos replicados durante séculos por homens e mulheres ao redor do mundo. É nesta posição que Mulheres, Mitos e Deusas, da mexicana Martha Robles (editora Aleph, 443 págs, R$ 59, em média) se encaixa.

Com um traçado histórico e cronológico, a autora tenta apontar os detalhes da identidade feminina como entendida nos tempos atuais. Têm-se, então, os mitos de Eva e Lilith, as deusas gregas como Afrodite, a trágica Medéia, a contundência de uma Cleópatra, fadas, rainhas, heroínas cristãs como a Virgem Maria até as irrequietas modernas como Virginia Woolf, Isadora Duncan ou Marguerite Yourcenar.

Porém, se você espera um tratado sobre a identidade feminina, a obra de Robles está longe de ser a resposta ideal. Em termos acadêmicos, estaria mais para uma obra introdutória sobre as personagens do que uma discussão filosófica sobre a temática fascinante. Isso, entretanto, não retira nenhum mérito do livro, apenas aponta uma abordagem mais leve e sutil, menos profunda do que teoricamente poderia ser exigido.

Assim, o que Mulheres, Mitos e Deusas apresenta ao leitor é um painel bem montado sobre as histórias de cada uma das mulheres que compõem a narrativa. Você conseguirá ter o relato da história de Lilith, de Circe, da Cinderela, Catarina de Médici, Hera e Simone de Beauvoir. Ainda que em seu início, Robles amarre demais as histórias, o que causa uma sensação de repetição e fuga do objetivo, o livro consegue sustentar-se sem causar confusões ou a sensação de falta de informações.

Mas e daí? Superada a revolução sexual, com o mundo patriarcal encarando definitivamente a entrada e tomada de poder das mulheres na política, no mercado de trabalho e em tantas outras partes sociais, o que um livro como este acrescentaria? Friamente, muito pouco para quem está interessado em esmiuçar o feminismo. Serve como um bom guia de personagens, com suas respectivas histórias bem escritas e contadas. Martha Robles está bem longe de ser ousada e jogar lenha na fogueira do abismo que ainda separa as conquistas femininas de um padrão de igualdade, ainda mais quando se leva em consideração que tanto no México, país da autora, como no Brasil, os tais valores morais católicos ainda incutem culpa, dever e regras toscas às mulheres. Se for para entrar neste mérito, o livro não serve. Agora, se você quiser apenas saber mais sobre algumas mulheres fascinantes, então terá um grande livro para mergulhar.


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