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Seinfeld: o melhor sobre nada

publicado em artes e ideias por | 3 comentários

Não é sobre amor, não é sobre famílias disfuncionais ou residentes com crises existenciais. Seinfeld não é policial, nem drama, muito menos é sobre vampiros ou psicopatas. Menos ainda é Seinfeld sobre uma turma de amigos e suas relações. Não, não e não. Não é sobre nada. Ou melhor dizendo, é sobre nada. Confuso? Seinfeld é um dos melhores (e eu arriscaria dizer o melhor) TV shows já produzidos até hoje. Você me pergunta: porquê? Eu te respondo: por nada.

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O programa tinha a intenção de mostrar situações da vida cotidiana. Nada mais, nada menos. Episódios fundamentados na observação da vida das pessoas. No puro, realista e simples cotidiano. Mas tudo sob um viés irônico, cômico e exagerado. Porque é pilhéria, é piada. O programa ri de mim e de você, de nossas vidas patéticas. Convenhamos, geralmente nosso dia-a-dia não tem absolutamente nada, não acontece nada. Nosso cotidiano é tão desinteressante quanto uma tela em branco. É como um ritual de ações e atitudes clichês, as quais são disseminadas como uma epidemia de tiques nervosos em indivíduos-chavões. É o que Jerry chamaria de cotidiotando. É o que o show mostra, um cotidiano autêntico. Esse nosso nada.

O que prende nossa atenção a Seinfeld é exatamente seu descompromisso e desdém para com qualquer coisa que seja mais complexo do que decidir o que pedir do menu. Seinfeld é o TV show mais indiferente sobre você e eu. É quase um insulto.
Lembro-me que gostava de chegar do trabalho e assistir ao seriado. Sentia-me descansada depois de meia hora de diálogos sem propósito.

Divulgado como “o melhor show sobre o nada”, obviamente que alguns elementos tiveram de ser introduzidos à trama, como personagens peculiares com características ridículas. O sitcom, que estreou em Julho de 1989 – primeiramente como “The Seinfeld Chronicles” – na rede americana NBC, foi exibido durante nove anos, desde seu piloto. Durante toda a década de 90 Seinfeld foi uma febre entre os americanos, garantindo o horário nobre da NBC, além de conquistar fãs por todo o mundo.

Jerry, George, Kramer e Elaine fazem as vezes de todos nós. Temos o cara sensato, o bizarro, o neurótico e a mulher, acrescentando toda a (des)graça do universo feminino. O homem que come chocolate com o garfo, o paletó comprado no bazar, as chacotas com “O paciente Inglês”, o tamanho do sanduíche, as vagas no estacionamento, uma caneta que não funciona, pretzels. Tudo isto é tema central dos episódios, temas tratados com tanta ênfase - e beirando o politicamente incorreto - como se fossem questões para as quais precisássemos de um momento de introspecção. Mas são os mais deliciosos diálogos da história da televisão.

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Seinfeld em 2011 no Tribeca Film Festival.

Há quem não compreenda onde está a graça em diálogos tão cotidianos. Talvez sejam os mesmos que não entendem da graça e leveza do nada.


 

rejane borges gosta das cores de folhas secas ao chão. E das cores das folhas velhas dos livros. Saiba como fazer parte da obvious.

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Alejandro

Realmente, talvez o melhor seriado de todos os tempos, pelo menos sim é o meu favorito.

Ana Maria

Se eu puder com certeza , assisto até hoje mesmo o que eu já vi antes, não me canso jamais.

Galliard

Seinfeld é espetacular. Só não é melhor por representar o cotidiano americano. É claro que boa parte do que é apresentado reflete a day-by-day de indivíduos de qualquer lugar do mundo, mas nem tudo é universalizável. Ao longo de vários anos, o seriado conseguiu algo próximo de esgotar o tema constrangimentos do dia-a-dia. Jerry Seinfeld parece nunca aceitar aquilo que todos tem como certo como algo certo. Ele sempre questiona o que a maioria das pessoas faz no modo automático, sem reflexão. É aí que está a graça.

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