
© Lytro.
Lytro é uma nova câmara digital que promete revolucionar o mundo da fotografia. Porquê? Ao contrário das câmaras normais, que capturam apenas um plano de luz, ou seja, que focam apenas uma zona, a Lytro consegue capturar todo o campo luminoso, “que é toda a luz que se movimenta em todas as direcções em todos os pontos no espaço”, segundo Kira Wampler, vice-presidente de Marketing da Lytro.
Na prática, isto significa que, enquanto com as câmaras normais, digitais ou analógicas, o fotógrafo tem de escolher a zona da imagem a focar, a zona que vai ser destacada e imortalizada numa fotografia, com a Lytro basta escolher o enquadramento. O que fica focado é escolhido à posteriori e pode ser alterado a qualquer momento, por qualquer pessoa. Lá se vão as fotografias com a casa desarrumada desfocada em plano de fundo. Agora, com um simples clique toda a desarrumação ficaria visível e destacada na imagem.

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Passo então a explicar brevemente o funcionamento da câmara. A sua forma que, como podem ver, é pouco convencional, segue a função segundo os seus criadores, aproveitando também para demonstrar que não se trata de mais uma qualquer câmara digital. A Lytro capta, através de uma lente com uma abertura constante excepcionalmente larga (f/2), mesmo quando se usa zoom (8X zoom óptico); e retém, num sensor, 11 milhões de raios de luz provenientes da zona fotografada, não havendo assim a necessidade de um sistema auto-focus. Vem ainda com um pequeno software que permite seleccionar a zona a focar, depois de a fotografia ser tirada, com um simples toque, seja no touchscreen da própria câmara ou mais tarde no computador. Permite ainda partilhar as imagens na Internet, em redes sociais e blogs, para que outros tirem partido desta interactividade sem instalar nenhum software nos seus computadores (actualmente só disponível para Mac, mas existe um versão Windows em desenvolvimento).

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Existem portanto várias vantagens nesta inovação. A primeira e mais evidente é que, uma vez que a câmara não necessita de um sistema de auto-focus, aqueles preciosos momentos entre o carregar no obturador e a fotografia ser realmente tirada são eliminados. E muitas vezes são esses escassos segundos que fazem toda a diferença, especialmente quando tentamos captar algo em movimento, ou um sorriso genuíno, antes de se transformar num esgar porque a máquina nunca mais foca.
Por outro lado, exalta o lado voyeur de todos nós. Quantos já não olhámos mais atentamente para o reflexo de um espelho ou uma zona menos focada de alguma fotografia e desejámos ter ao nosso alcance os equipamentos milagrosos de tantas séries policiais, para podermos ver um pouco mais além do que foi fotografado? Se a fotografia fosse tirada com esta nova câmara, o problema estaria resolvido.

© Lytro.
Ora, explorar este lado mais curioso do ser humano tanto pode ser bom como mau. Por um lado, por vezes queremos realmente fotografar tudo e desta forma isso passou a ser possível. Permite-nos também ter uma melhor noção do contexto em que a fotografia foi tirada. Todavia, nem sempre nos interessa que esse contexto seja visível e nem sempre queremos que as nossas fotografias sejam escrutinadas por qualquer pessoa.
Há contudo um outro lado, mais artístico, que esta câmara vem alterar. A fotografia, o seu enquadramento, o que se decidiu focar e aquilo a que se deu menos destaque, em suma, o tema de cada imagem, diz muito sobre quem fotografa. Cria um estilo e uma identidade, particularmente para quem leva a fotografia mais a sério. Sendo assim, esta inovação vem pôr em causa o poder de decisão do fotógrafo enquanto autor da imagem. A fotografia deixa de ser uma peça estática e final e passa a ser uma obra interactiva que permite novas explorações criativas não só ao fotografo mas também aos observadores. Estes deixam o seu papel passivo e tomam parte activa numa fase da criação e na fruição das imagens.
Colocando a questão desta forma, a Lytro não vem somente alterar ou melhorar a técnica fotográfica, vem criar um novo tipo de fotografia, menos estanque do que até aqui. Com novas possibilidades que retiram o poder magnânimo da decisão das mãos do fotógrafo e colocam parte dele nas mãos do espectador.

© Lytro.

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Para mais informações sobre a Lytro, consultar o site.
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comments powered by DisqusNilton
pow muito massa. ja tem no Brasil? qd poderemos desfrutar de uma dessas?
Nilton, penso que para já só dá para comprar no site de Lytro mesmo.
Emerson Cunha
Acho que é meio que o cúmulo do automatismo fotográfico. Ninguém vai parar para focar depois. =/
Margarida G
:)Macros Macros Macros.
Mas na impressão apenas foca um plano? Certo?
Esperarei que o Lourenço Medeiros a foque :P no programa o futuro hoje.
It´s Nice That.
Caio
Muito bom o artigo! Alguns amigos meus já me perguntaram algumas vezes "você consegue focar algum objeto que já está desfocado na tua fotografia pelo computador? utilizando algum programa?". É algo que pode ser muito útil em poucas situações. Gostei da câmera. Não substitui nenhuma, e também não é melhor nem pior que alguma. É uma 'ferramenta' na suas mãos.
Elemer Maiberg
Me diz um negócio: Essa câmera não tem nada de negativo como or exemlo a orcaria do meu teclado que ta sem o onto de interrogação e o p,RS.
Outra ergunta: É Câmera ou Câmara. Segue aqui a exlicação: Se pensam que para designar a máquina de filmar, só têm à disposição a palavra inglesa camera, porque câmara refere o edifício onde os vereadores de um município se reúnem, desenganem-se!
Camera e câmara são dois termos que podem designar a mesma realidade - equipamento de filmar/fotografar. Camera é um estrangeirismo, importado do inglês, e câmara é a palavra portuguesa, que, como tantas outras, é polissémica. Quer isto dizer que, para além de aposento, arca, edifício municipal, etc., também significa "máquina de filmar ou fotografar".
Mas é correcto usar a palavra camera? A resposta é afirmativa.
Apesar de os linguistas mais conservadores preferirem o termo português, é legítimo usar o anglicismo, até porque é muito comum a utilização da palavra cameraman, em vez de “operador de câmara”.
Tudo depende da intenção do locutor, do contexto comunicativo, do destinatário da mensagem, enfim, há um conjunto de factores que influem na nossa escolha: camera ou câmara?
Em conclusão, ambos os termos são legítimos para designar o mesmo conceito. Apenas dois conselhos:
1. Não misturar a grafia das duas palavras, dando origem a uma outra que não existe: *câmera.
2. Se se optar pelo estrangeirismo, devemos assinalá-lo como tal, colocando-o entre aspas, ou em itálico, por exemplo.
nota: O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa já inclui a grafia "câmera" . Isto só vem comprovar aquilo que já todos sabemos: são os falantes quem manda na língua...