
© Biblioteca do Congresso, Fachada. Foto de: CJStumpf (Wikicommons).
O centro de Washington alberga um dos grandes tesouros norte-americanos: a Biblioteca do Congresso. Considerada a maior e mais completa biblioteca do mundo, já resistiu a dois incêndios e à consequente perda de milhares de livros. No entanto, a sua colecção – que foi sendo reposta ao longo dos tempos - distribui-se actualmente por mil quilómetros de estantes e está a ser digitalizada com o objectivo de se tornar acessível a todos.
A Biblioteca foi criada a 24 de Abril de 1800 através de um decreto oficial assinado pelo então presidente John Adams. O “Acto do Congresso” transferia, assim, a sede do governo de Filadélfia para Washington. Na nova capital, o governo destinou cinco mil dólares para a compra de livros necessários ao funcionamento do Congresso, e a um espaço que fosse capaz de armazená-los.

© Biblioteca do Congresso, Galeria do Tesouro. Foto de: Andreas Praefck (Wikicommons).
Inicialmente a biblioteca fica instalada no Capitólio. Porém, quando as tropas inglesas invadem o território em 1814, um primeiro incêndio destrói não só o edifício como também os três mil exemplares que este continha até à data. Num golpe de sorte, em menos de um ano a sua colecção ganha 6.487 livros: o ex-presidente Thomas Jefferson, com várias dívidas para pagar, vende a sua biblioteca pessoal. Passara mais de cinquenta anos a coleccionar obras sobre os Estados Unidos e referentes a todos os temas científicos.

© Biblioteca do Congresso, Interiores. Foto de: Diliff (Wikicommons).

© Biblioteca do Congresso, Interiores. Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
Em Dezembro de 1851, um segundo incêndio põe fim a trinta e cinco mil livros e raridades como os retratos dos cinco primeiros presidentes norte-americanos pintados por Gilbert Stuart, um retrato original de Cristóvão Colombo e estátuas de George Washington, Thomas Jefferson e Marquês de la Fayette.
Actualmente, a biblioteca é gerida por quatro mil bibliotecários que, para além da organização e preservação do seu património, se dedicam a manter a filosofia iniciada por Thomas Jefferson: o carácter universal do conhecimento só é possível se acreditarmos na importância de todos os temas. Foi nessa base que Rand Spofford, bibliotecário entre 1864 e 1897, a transformou numa instituição nacional, estabelecendo a lei dos direitos autorais pela qual todos os que publicassem teriam de enviar à biblioteca dois exemplares do seu trabalho. Por conseguinte, houve uma entrega massiva de livros, mapas, folhetos, fotografias e músicas e, claro, uma escassez de estantes para os guardar.
Em 1873, o Congresso autoriza então um concurso para novas propostas a fim de alargar a biblioteca. Em 1886, o projecto de Washington John e J. Paul Pelz é posto em prática e constrói-se um impressionante edifício baseado na arquitectura renascentista. O seu interior começa a ser decorado com esculturas e pinturas de vários artistas norte-americanos. A 1 de Novembro de 1897, a Biblioteca do Congresso abre oficialmente as suas portas ao público.

© Biblioteca do Congresso, Escultura de Philip Martiny (1858-1927). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).

© Biblioteca do Congresso, Cupula da sala de leitura principal. Foto de: Bailey Palblue (Wikicommons).

© Biblioteca do Congresso, Sala de leitura principal. Foto de: Carol M. Highsmith (Wikicommons).

© Biblioteca do Congresso, "Evolução do livro - escribas medievais", pintura de: Jonh White Alexander (1856-1915). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).

© Biblioteca do Congresso, "Evolução do livro - Gutenberg", pintura de: Jonh White Alexander (1856-1915). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).

© Biblioteca do Congresso, "Tragédia", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).

© Biblioteca do Congresso, "Romance", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).

© Biblioteca do Congresso,"Erótica", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).

© Biblioteca do Congresso, "História", pintura de: George Randolph Barse (1861-1938). Foto de: Andreas Praefcke (Wikicommons).
Embora só integrantes do Congresso e membros de órgãos do Estado possam aceder detalhadamente às obras, qualquer leitor pode visitá-la. Para isso basta ter mais de 16 anos e o cartão de identificação de leitor. Nas salas de leitura há mais de quarenta milhões de exemplares para consultar, traduzidos em quatrocentos e setenta idiomas. E nas zonas de colecção, verdadeiros tesouros para apreciar. A biblioteca tem uma cópia da bíblia de Gutenberg, os diários manuscritos de George Washington e os primeiros desenhos sobre a Lua de Galileu.

© Biblioteca do Congresso, Cópia da Biblia de Gutenberg. Foto de: Mark Pellegrini (Wikicommons).
Com o advento das novas tecnologias, o seu património está a ser digitalizado para poder chegar a todos. Mesmo que os livros de papel (futuramente) não sobrevivam, torna-se essencial preservar os principais documentos da humanidade pelo enorme valor histórico que representam. O director da biblioteca afirma estar a ser feito um grande trabalho para colocar o seu acervo virtualmente. Visite o site oficial e faça uma visita à maior esfera de conhecimento do planeta.
Comentários
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.
Dalmo
140.000.000 de Obras !!!muito interesante!!
junio oliveira
realmente muito fascinante, sem dúvida é um dos melhores lugares para se visitar nos EUA. adorei o artigo nota 10 !
Rita Irisnalda de Iliveira
Muito bom! Adorei ler esse artigo.
Depois da perda da Biblioteca de Alexandria, ainda temos não só essa, como outras, espalhada no mundo inteiro.
Eu também tenho os meusmos gostos d autora do artigo.
Comer algodão dece é muito bom.
Parabéns!
Rita.
FRANKLIN JORGE
Somente os EUA poderiam ostentar toda essa grandeza que põe em relevo a cultura do mundo!
Daniel
Fascinante o artigo!
Mostra o quanto o povo da América valoriza o conhecimento e o valor histórico de grandes obras da humanidade. Se fosse no Brasil, é certo, que algo dessa magnitude jamais haveria e seria reconhecido pela população desse país.
Deixe-nos o seu comentário
O e-mail é obrigatório mas não será mostrado no site ou cedido a terceiros. Seja cordial e educado. Comentários ofensivos ou pouco dignos não serão publicados.