Tweets from Tahrir: a história nunca foi escrita dessa forma

A ideia de construção coletiva ou colaborativa de texto nunca foi tão plural e democraticamente aplicada quanto no livro "Tweets from Tahrir", lançado pela editora OR Books. Após a queda de Hosni Mubarak, a publicação juntou os posts dos que viveram os acontecimentos no Cairo para narrar, em primeira pessoa, passo a passo e em grupos de 140 caracteres, a revolução egípcia.


cairo, egito, história, mubarak, politica, revolucao, tahrir, twitter © Hosni Mubarak (Wikicommons).

Muhammad Hosni Said Mubarak governou o Egito de 14 de outubro de 1981 a 11 de fevereiro de 2011, quando apresentou sua renúncia após 18 dias de protestos, viralizados pelas redes sociais. A constatação de que a história tem sido escrita de maneira cada vez mais fragmentada não é novidade. Entretanto, não deixa de ser surpreendente a maneira como uma imensa variedade de vozes, opiniões e versões tem conquistado espaço e se feito ouvir não apenas por meio das redes sociais, mas em todos os veículos de comunicação influenciados pela transformação midiática protagonizada pela internet.

A pluralidade contaminou a estética, o estilo, a economia, a moda, a cultura, o modo de fazer, de experimentar, de sentir e de ver o mundo. Hoje, não apenas os que vencem podem contar a história. A informação é multilateral e abundante, tanto em termos de recepção, quanto em termos de emissão.

Organizado pelos ativistas Nadia Idle e Alex Nunns, que arquivaram as mensagens de texto desde o início das manifestações, Tweets from Tahrir foi ilustrado, de igual maneira, por imagens publicadas na internet e capturadas por câmaras domésticas e celulares. A OR Books fez contato com as dezenas de pessoas cujos tweets foram selecionados para o livro, para pedir permissão para a publicação editorial dos posts.

cairo, egito, história, mubarak, politica, revolucao, tahrir, twitter Livro "Tweets from Tahrir".

No livro, os tweets foram divididos em capítulos que, por sua vez, contam com textos introdutórios com alguma base analítica. A peça publicitária que deu início ao processo de divulgação da obra abriu a apresentação do produto com uma frase emblemática: “A história nunca foi escrita dessa forma”. Diante da popularidade, da volatilidade e do imediatismo característicos da internet, a frase ainda confere ao livro o status de perpetuador dos fatos, aquele que perenizará a revolução e se firmará como um registro ímpar de como uma rede social tornou possível o reconhecimento e a difusão de uma manifestação social e política efetiva.

cairo, egito, história, mubarak, politica, revolucao, tahrir, twitter © Vista de Mugama durante os protestos (Wikicommons, Sherif9282).

cairo, egito, história, mubarak, politica, revolucao, tahrir, twitter © Praça Tahrir em 18 de Novembro (Wikicommons, Lilian Wagdy).

cairo, egito, história, mubarak, politica, revolucao, tahrir, twitter © Praça Tahrir em 20 de Novembro (Wikicommons, Lilian Wagdy).

cairo, egito, história, mubarak, politica, revolucao, tahrir, twitter © Bebé egipcio durante os protestos contra o governo (Wikicommons, Mike Porterinmd).


andreia mendes

Andreia Mendes é feita de livros, filmes, sonhos, memórias, medos e muito chocolate. Gosta de ouvir o silêncio, mas não suporta a solidão. Agradece por cada pessoa, cada noite e cada dia. Está aprendendo a ser feliz.
Saiba como escrever na obvious.
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