As minas do rei Salomão: mito ou verdade?

Foi um homem, sobretudo, sábio – de acordo com as Escrituras. Seus ensinamentos são conhecidos até hoje, registrados no livro de Provérbios. Mas não foi somente por seus provérbios que Salomão se tornou alvo de curiosidade. Foi também por causa de uma lenda, uma crença que aponta a existência de minas, de onde saíram as maiores riquezas que o homem já viu, de acordo com a bíblia.



biblia, israel, jerusalem, minas, salomao Idealização do Templo de Jerusalém.

Quem nunca ouviu falar das “Minas do Rei Salomão”? Mas quem foi Salomão? Ainda de acordo com as Escrituras, Salomão, filho do Rei Davi, foi o terceiro Rei de Israel. E foi o homem mais rico que já habitou a Terra. E por pedir a Deus sabedoria é que foi abençoado, já que não existia bem nem ambição mais preciosa, segundo a tradição judaico-cristã.

A sabedoria de Salomão pode ser verificada em todo o seu reinado, desde os competentes serviços ao seu povo, até às estratégias de guerra, formando o maior e mais poderoso exército do qual se tem notícia. No entanto, Salomão jamais governou sob a guerra. Pelo contrário, sua diplomacia manteve acordos de paz e boas relações comerciais com outros reinos. Seu nome - em hebraico, Shalom - significa paz.

Sua habilidade como líder e estadista o levou a dividir seu império em pequenos territórios a fim de obter uma administração centrada nos problemas locais de cada região. Ergueu construções em províncias remotas e construiu estradas, facilitando o deslocamento dos viajantes. Fez de seu império uma verdadeira potência. Foi também Salomão quem levou avante a construção do famoso Templo de Jerusalém, para cumprir a promessa de seu pai, Davi, de construir um local de adoração a Deus. O templo foi a mais magnificente casa já edificada, para o Senhor de Israel, até hoje. Os mais caros materiais eram encomendados por Salomão: a madeira, os metais, o ouro. Ainda de acordo com as Escrituras, Deus prometeu paz e tranquilidade ao povo durante os dias de seu reinado, para que edificasse este Templo.

A sua riqueza, no entanto, sempre foi alvo de curiosidade. De onde foi retirado seu tesouro? Todas as lendas que rondam o tema ganharam destaque em 1885 com a publicação do best-seller “As Minas de Salomão” – do escritor inglês Henry Rider Haggard. Além de ter sido iniciado o gênero “mundo perdido”, o livro chamou a atenção para um dos maiores enigmas de todos os tempos. Claro que a estória fez sucesso numa época em que o mundo ainda estava descobrindo elos perdidos, como antigas cidades e civilizações. Época em que a arqueologia estava entre as principais chamadas das capas de jornais e era assunto primordial dos intelectuais da ciência.

biblia, israel, jerusalem, minas, salomao Salomão, filho de David em seu trono, por Ingobertus (imagem esquerda).Templo de Salomão, Fachada principal (imagem direita).

Mas, muito antes do livro de Haggard, o assunto já corria sob várias teorias veiculadas em publicações e ensaios científicos. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, relatam que toda a exploração de minérios na região da Jordânia começou ainda nos tempos do Velho Testamento. Assim como artefatos encontrados em sítios arqueológicos africanos indicam que fossos em busca de ouro e metais surgiram ainda no período dos reinados de Davi e Salomão. Ou seja, segundo os especialistas, as datas estão de acordo com a cronologia bíblica. Mas, então, seriam essas as minas de onde vinham os tesouros de Salomão? Nem a ciência, nem a religião explicam.

Em contrapartida, há teorias que defendem que as minas jamais existiram e que Salomão jamais ergueu faustosas construções com sua riqueza. Mas sim que sua fortuna, na narrativa bíblica, é apenas uma parábola relacionada com sua sabedoria. De acordo com a crença judaico-cristã, a fortuna do homem reside na sabedoria.

A história conta que Salomão comandou uma das maiores e mais valiosas rotas de comércio que já existiu. Se foi o mais rico, o mais sábio, ou se as minas existiram, não há provas. Há apenas provas de que a história do Homem é bifurcada por muitos mistérios. São milhares de horas que passearam por milhares de estradas, por onde se perderam milhares de elos, resultando em milhares de enigmas. Um deles ainda corre, sob o título de “Minas do Rei Salomão”.

rejane borges

gosta das cores de folhas secas ao chão. E das cores das folhas velhas dos livros.
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