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O clamor por "O Artista" e o retorno do cinema mudo

publicado em cinema por | 4 comentários

Mesmo que momentaneamente, o cinema mudo está de volta à popularidade. O filme "O Artista", indicado a dez categorias do Oscar e ganhador de sete Baftas e três Globos de Ouro, faz uma homenagem à Hollywood dos anos 20 e registra um importante episódio da história do cinema americano e mundial: a gênese do cinema falado e seu impacto na indústria do cinema.

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"O Artista" (© Warner Bros).

O assassinato aconteceu em 1927: "O Cantor de Jazz" tornou-se o primeiro filme a trazer áudio de falas sincronizado com a imagem e, assim, matou para sempre o cinema mudo. Quem não conseguiu se adaptar foi deixado para trás em uma mudança tão radical e repentina que se assemelha às mudanças tecnológicas frequentes de hoje em dia. É este clima que o filme mudo "O Artista" retrata, com o detalhe de ter ano de produção de 2011.

"O Artista" transcende o tempo. Trata-se de um filme de 2011 que parece saído do início da década de 20. E o foco é justamente o ponto de transformação do cinema mudo em falado. Só que essa autorreferência não toma toda a atenção para ela: com boas atuações e uma direção que o transforma em um autêntico filme daquela época, "O Artista" é um trabalho raro que deve ser apreciado.

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"O Artista" (© Warner Bros).

Um pouco do enredo: enquanto aproveitava o sucesso de seu mais novo filme, o astro George Valentin conhece a jovem Peppy Miller, cujo sonho é seguir carreira em Hollywood. Com a ajuda de Valentin, ela consegue um papel em um filme dele, e logo as oportunidades aumentam. Ele, por outro lado, vê seu mundo ruir diante do surgimento do cinema falado e de seu despreparo para tamanha mudança.

A produção de filmes mudos modernos é bem pequena. Em 2005, houve uma adaptação de "The Call of Cthulhu", de H. P. Lovecraft, que se enquadra nesta categoria. Só que o maior e mais óbvio obstáculo a fazer tal filme é a falta de hábito de não contar com os diálogos falados. O que se vê em "O Artista", no entanto, é um domínio impressionante da técnica. Tudo é transmitido visualmente e só quando realmente não há jeito aparecem os famosos cartões de texto.

"O Artista" é uma contradição: um filme mudo popular em pleno século XXI. Quem tem a ganhar é o cinema, pois quanto mais formas diferentes de se filmar ganham espaço, mais ele enriquece. E o espectador agradece. Não estamos mais na década de 20, mas precisávamos de um filme como este.

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"O Artista" (© Warner Bros).

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"O Artista" (© Warner Bros).

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Comentários

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Fabi Fernandes

Muito lindo, seria divino se eu não tivesse visto Singing in the Rain nem notasse as semelhanças gritantes.
Mesmo enredo básico... Homenagem? Creio que sim :)
Para mim, é apenas uma versão muda do clássico americano de 1952. E Jean Dujardin está estupendamente parecido com Gene Kelly.

Jones

Concordo plenamente com o autor. "O Artista" se faz um filme explendoroso, onde cada cena, cada detalhe parecem ter sido feitos ao extremo do carinho e da dedicação. O Oscar de melhor filme, entre outros que arrebatou, foi não mais que merecido. "O Artista" se mostra mais que um filme, é uma obra de arte aberta à todos.

Jones Pelech, Rio de Janeiro.

Proberto

Olá,
Gostei do filme, mas, na minha modesta opinião, nada se compara ao Hugo Carbet. Fotografia sensacional, uma boa estória e uma trilha sonora que retrata a dignidade e a atmosfera de Paris, que até hoje se mantém. É como "meia noite em Paris", que retrata detalhes da cidade luz, que tanto encanta os visitantes de todo o mundo.
Um abraço,

Isabelle

Estar no cinema, partilhando essa película com uma sala quase totalmente lotada, é uma experiência incrível.
Seria possível limitar isso dizendo que uma realização de um fetiche de muitos cinéfilos, porém, a experiência é mais rica, é mais sensível. Não trata-se de apenas ver o que a tela transmite, mas dividir com todos na sala, as reações ao silêncio, algumas impaciências, algumas incompreensões com a falta de diálogo, que somos tão habituados...
É claro que o enredo é básico, que é preferível assistir a clássicos como Metrópoles, mas O Artista vem pra nos introduzir algo que já nos passou há muito tempo. Bonito artigo!

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