A caça aos tesouros da Terra Santa

Qumran, Israel. O ar seco e o cenário arqueológico do local convidam a uma expedição. Não será preciso qualquer detetor de metais, sistema de posicionamento global (GPS) ou mapas convencionais para desenterrar alguns dos tesouros míticos referidos nos rolos do Mar Morto - nas colinas a leste de Jerusalém, sob a Cidade Santa. O leitor encontra-se perante uma das descobertas mais fascinantes da história: um misterioso rolo de cobre.


arqueologia, historia, jerusalem, mar, morto, tesouros © "Grande Isaias" (Wikicommons).

O ar seco e quente de Qumran traz à superfície um conjunto de Manuscritos do Mar Morto, que descrevem tesouros inimagináveis nas colinas a leste de Jerusalém. Entre os escombros de onze cavernas, encontram-se pedaços de história da seita judaica. O território árido é a chave da sobrevivência deste mistério. Acredita-se que, em 1947, um beduíno, habitante do deserto, tenha sido o primeiro descobridor dos rolos do Mar Morto. Nada fazia prever que a procura por uma cabra perdida, a sua ansiedade e curiosidade com a escuridão da caverna e o som de uma pedra conduzissem ao primeiro dos rolos do Mar Morto, com dois mil anos de história.

arqueologia, historia, jerusalem, mar, morto, tesouros © Cave Qumran (Wikicomons).

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Em 1952 foi diferente. A curiosidade do beduíno deu lugar à surpresa dos arqueólogos quando descobriram, na cave três, um rolo que se distinguia de todos os outros. Trata-se de um manuscrito em metal - uma mistura de cobre com um por cento de estanho, o que permite a sua conservação por muito mais tempo em relação ao tradicional papiro. A sua composição material é intrigante, mas o mistério maior reside no seu código.

Folhas finas de cobre unidas num livro muito frágil formam um rolo de cobre emocionante. As inscrições em hebraico coloquial do primeiro século e uma série de letras gregas aleatórias sob as placas mapeiam um conjunto de tesouros cujo valor monetário ronda os três bilhões de dólares, e cujo valor histórico é incalculável.

arqueologia, historia, jerusalem, mar, morto, tesouros © "Psalms" (Wikicommons).

Os pontos de interesse codificados neste mapa ultrapassam sessenta localizações. O rolo desvenda a localização, a distância a que cada tesouro se encontra e o que pode ser encontrado (se é ouro, prata...).

A primeira referência do rolo é Achor, um vale próximo de Jericó. Nas ruínas de Horebbah, avança-se quarenta passos e encontrar-se-á uma caixa recheada de prata. No túmulo da terceira secção de pedras, cem barras de ouro permanecem. O monumento da tumba de Absolom sinaliza outro dos locais referidos no rolo. A recompensa será em moedas de prata. Alguns dos tesouros de moedas de prata e ouro podem também estar escondidos no deserto que vai de Jerusalem a Jericó, perto do Mar Morto, no vale Wadi Qelt. Estes são apenas alguns dos lugares referidos no rolo.

arqueologia, historia, jerusalem, mar, morto, tesouros © Caves de Qumran (Wikicommons).

arqueologia, historia, jerusalem, mar, morto, tesouros © Alojamentos em Qumran (Wikicommons).

Contudo, continua a ser uma incógnita quem dirigiu os seus esforços a golpear metal e assegurar-se de que o rolo duraria, o motivo que levou à sua criação e, por fim, a fronteira entre real e a ficção.

Algumas teorias defendem que o rolo terá sido escrito em Jerusalém por um sacerdote, uma vez que eram estes que estavam a cargo do templo e sabiam os lugares das tumbas - pequenas construções ou templos destinados para a oração aos mortos, sendo um lugar santificado, sagrado e possivelmente de ocultação de tesouros. A destruição do templo, que é hoje a Cúpula da Rocha, por parte dos romanos, terá impulsionado os sacerdotes a criar o rolo de cobre e assegurar-se da salvação dos tesouros do templo.

Outras teorias referem que os autores dos rolos do Mar Morto foram os Essenes, grupo de judeus que tinham rituais de purificação em banheiras perto das sinagogas. Havia também a teoria de que o tesouro pertencia a uma espécie de consórcio de famílias ricas em Jerusalém. Teriam sido estes a escrevê-lo, e os únicos capazes de descodificar o código. Acredita-se que houvesse mais cópias distribuídas por várias famílias.

No Museu Arqueológico Nacional da Jordânia, em Amman, pode-se visualizar o rolo de cobre.Está repartido em três expositores e foi cortado minuciosamente em 23 tiras. O esplendor de uma das cidades mais antigas do mundo mostra indícios das pegadas dos seus antigos governantes - sírios, gregos e romanos. O rolo de cobre encontra-se em território jordano uma vez que em 1952 era este país que controlava o Mar Morto.

arqueologia, historia, jerusalem, mar, morto, tesouros © Museu de Arqueologia da Jordânia, em Amman (Wikicommons).

arqueologia, historia, jerusalem, mar, morto, tesouros © Museu de Arqueologia da Jordânia, em Amman (Wikicommons).

Até agora nenhum tesouro foi encontrado. Porém, há um segundo documento em falta - um segundo rolo que complementa o que foi encontrado e que é mencionado no rolo de cobre, na coluna XII. Uma cópia deste documento, com a sua explicação e inventário, continua à espera de ser encontrado num poço seco num lugar chamado Kohlit.


Branca Dias

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