O mundo fascinante e não convencional de Man Man

Man Man é uma banda rara. Seu estilo agressivo e romântico traduz com a mesma simetria os mais profundos dilemas e angústias do ser humano quanto os seus sentimentos mais tórridos. Carregado de uma energia quase sobrenatural, o grupo parece elevar os limites da musica para um novo patamar, intenso, mágico e impressionante.


banda, instrumentos, Man, música © Man Man (fotos de: Tracy Vanessa).

A desestruturação da personalidade capitalista do mundo resultou em uma enorme gama de transformações culturais, além de devolver grande parte da sensibilidade criativa para a arte. Musicalmente, o surgimento de uma nova identidade sedutora e fascinante inspirou novas pérolas a saírem de suas conchas para ganhar o mundo. Assim é a banda Man Man, um pequeno diamante em constante estado de lapidação, praticamente inclassificável do ponto de vista crítico e inegavelmente genial em sua condição permanente de miscelânea melódica.

O grupo iniciou sua carreira em 2003 com uma determinação ferrenha. Seus integrantes de Filadélfia e da Pensilvânia possuem uma incrível versatilidade e técnica, sendo apenas o vocalista e tecladista Honus Honus e o baterista Pow Pow fixos em suas posições. T Moth, Chang Wang e Jefferson revezam baixos, guitarras, saxofones, panelas, brinquedos e, acima de tudo, grande sorte de instrumentos percussivos. O resultado desta mistura é um som visceral, com letras inquietantemente encantadoras e performances enérgicas e memoráveis. Man Man carrega entre seus vários méritos a habilidade de usar a música como meio de comunicação e sua combinação quase infinita de sons, instrumentos e melodias como poucos. Com a voz única de Honus Honus e um piano virtuoso como cartão de visita, os ouvintes ora são presenteados com belas canções românticas como Van Helsing Boombox e Doo Right, ora confrontados com sérias reflexões sobre a vida e a morte e como Whalebones e Life Fantastic.

banda, instrumentos, Man, música © Man Man (fotos de: Tracy Vanessa).

Outro aspecto de destaque da banda é sua consciência sonora refletida principalmente em suas apresentações ao vivo. Por darem uma atenção especial às marcações derivadas de seus tons, xilofones, pratos e bateria, os músicos personificam um organismo vivo no palco, recriando as batidas compassadas e pulsantes de um coração. As construções harmônicas desenvolvidas por seus tambores são tão eficazes quanto o importante papel que tinham na antiguidade, de conduzir exércitos para a vitória. Pode ser muito barulho, mas não é por nada.

Também é surpreendente a quantidade de influências musicais que podem ser identificadas nos quatro discos do grupo. Em The Man in a Blue Turban with a Face (2004) encontram-se diversas cantigas musicadas que parecem ter saído de um navio pirata. Por sua vez, Six Demon Bag (2006) tem uma sonoridade mais robusta, com energia semelhante aos grandes espetáculos da Broadway. Rabbit Habbits (2008) possui um lado mais poético, com algumas melodias que parecem derivar de serenatas feitas ao luar. Seu último trabalho, Life Fantastic (2011), tem uma faceta sombria, onde se nota um trabalho incisivo, fúnebre e engenhoso.

Mesmo que sua excentricidade musical não agrade a todos, Man Man pode se orgulhar por fazer um som criativo e original. Suas melodias são construídas com consciência e talento, ingredientes básicos para a criação de arte em estado genuíno. Mesmo que suas composições tenham doses iguais de paixão e a loucura, a banda oferece acima de tudo um trabalho honesto que merece ganhar espaço e imortalizar o seu lugar dentro da história da música.

banda, instrumentos, Man, música © Man Man (fotos de: Tracy Vanessa).

banda, instrumentos, Man, música © Man Man (fotos de: Tracy Vanessa).


jeferson scholz

é fascinado pela cultura pop em todas as suas esferas de manifestação, por música, cinema e nerdices em geral.
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