Up in the Air: quanto mais leve, mais alto

Quanto peso levamos em nossos ombros? Talvez seja hora de analisarmos o que estamos a carregar enquanto caminhamos, e se realmente é tudo tão necessário. Você teria coragem de esvaziar a bagagem? Até onde você iria se praticasse a arte do desapego?



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Um dia li em algum lugar que tudo o que necessitamos para viver cabe em uma lista de apenas 100 itens. Nada mais. Para os apegados, a ideia pode soar cruel, mas pensar nesta lista é quase sentir a sensação de alívio nos ombros. Seria uma vida muito mais leve, a de todos nós. É o que o desapego proporciona: liberdade e leveza. Ou não?

Escolhas e consequências - nada mais, nada menos. Este é o tema central do longa “Up in the Air”, 2009, protagonizado por George Clooney. O filme (br: Amor sem Escalas; pt: Nas Nuvens) tem cara de comédia romântica, principalmente pelo tosco título que recebeu no Brasil, mas vai além, muito além. Então, ignore o infeliz título e dê uma chance a ele, vale a pena. O filme propõe uma densa reflexão acerca das nossas opções, das nossas escolhas – e de como lidamos com elas, num contexto bem individualista.

A figura de linguagem usada aqui é uma mochila. O filme desafia-nos a imaginar que tudo o que necessitamos para viver cabe dentro de uma única mochila. E, assim, nos faz refletir sobre o valor das coisas, dos relacionamentos, e até que ponto tudo ao nosso redor vale realmente a pena. O que vale a pena para a nossa vida? O que é importante para conseguirmos seguir em frente? Sob um ponto de vista muito particular, obviamente, o expectador é convidado a pensar sobre o que é supérfluo, sobre o que se acumula à sua própria volta. Tanto num contexto material, quanto num contexto social e emocional. “Coloque na mochila apenas os itens essenciais”. E quais são eles?

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A máxima do filme é justamente “aliviar ou não a bagagem”. A personagem central, Ryan Bingham – muitíssimo bem interpretado por George Clooney – possui um trabalho que permite que ele viaje por todo o país e, por isso, passa mais tempo no céu do que em terra. Ryan questiona o que há dentro da sua mochila. Uns colocam pessoas, outros colocam sentimentos. Uns colocam o passado, outros o futuro. Uns colocam as preocupações, outros as frustrações, os relacionamentos, expectativas, perspectivas, etc. Sentiu o peso? Agora tente andar pelo caminho com essa mochila nas costas. Você consegue andar alguns metros com ela, talvez uns bons quilômetros mas, eventualmente, você vai se cansar do peso e terá que aliviar a bagagem. Até porque com mais leveza se vai mais rápido. O tempo, para ele, é fator primordial e está no topo da qualidade de vida. Tempo para si mesmo.

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Dirigido por Jason Reitman, mesmo diretor das comédias dramáticas “Juno”, 2007, e “Thank you for Smoking”, 2006, “Up in the Air” foca nas relações humanas, ou na falta delas. Na coletividade, no compartilhar. Ou na individualidade. Sendo a vida uma verdadeira jornada, por que não fazer a caminhada um pouco mais confortável? Mas para todo o conforto há um preço alto a ser pago. É preciso ter muito mais coragem para esvaziar a mochila do que para preenchê-la.

O mais interessante do filme é que ele não nos dá a resposta, não reserva aquele final feliz em que, finalmente, entendemos a mensagem e tudo fica muito bem e muito claro diante de nós. Não, ele nos obriga a pensar, um pensar solitário... o que é, aliás, uma característica dos filmes de Reitman.

Destaque para a trilha sonora do filme, com faixas de Crosby, Stills, Nash & Young, Elliott Smith e Sharon Jones and the Dap-Kings.

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rejane borges

gosta das cores de folhas secas ao chão. E das cores das folhas velhas dos livros.
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