Palavras para a vida: os discursos de graduação nos EUA

Após ter desistido da faculdade no primeiro ano do curso, Steve Jobs voltou à universidade de Standford em 2005 para discursar na cerimónia de graduação, apelando à proactividade e imaginação dos estudantes. Ao longo dos anos, muitos foram as personalidades famosas que foram às universidades discursar para os finalistas. Conheça aqui os melhores oradores.


Nos Estados Unidos da América o discurso de formatura é um momento importante na vida dos estudantes, que esperam por palavras que lhes dêem alento e os inspirem para o futuro profissional (e não só). É um marco de transição que simboliza não só a transformação de académicos em trabalhadores, mas também a própria emancipação.

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Ao longo da segunda metade do século XX e início do século XXI, muitas foram as personalidades ilustres que se tornaram os porta-vozes do futuro dos estudantes. O discurso de Steve Jobs na Universidade de Standford é um dos mais famosos, tanto pela personalidade carismática do ex-CEO da Apple, como pelo anúncio da sua doença - a frase "stay hungry, stay foolish" vai ficar na memória de muitos fãs e não-fãs da Apple. No entanto, muitos outros oradores inspiraram os finalistas das universidades norte-americanas.

Já que estamos dentro da área da tecnologia, falemos de um rival de Steve Jobs, Michael Dell. O CEO da Dell Computers falou aos finalistas da Universidade do Texas, em Austin, em 2003. O homem que fundou a empresa com apenas mil dólares relembrou os estudantes da importância de criarmos o nosso próprio mapa para a vida. "Não percam muito tempo à procura da oportunidade perfeita, senão perdem a oportunidade certa. Reconheçam que vão falhar e consciencializem-se de que haverá obstáculos. Vão aprender com os vossos próprios erros e com os erros dos outros, pois aprende-se muito pouco com o sucesso".

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Recuando mais de 70 anos no tempo, Sir Winston Churchill incitou os estudantes a nunca desistirem em 1941, em plena II Guerra Mundial. Num discurso que era mais endereçado a Hitler do que ao futuro dos estudantes, o primeiro-ministro britânico apelou para que nunca se rendessem a nada, apenas à honra e ao bom senso. Que nunca se vergassem à força dos outros, por mais esmagadora que pudesse parecer.

Sobre uma guerra bem diferente pronunciou-se o comediante Jon Stewart em 2004 no William and Mary. Referindo-se ao ataque terrorista do 11 de Setembro, valorizou o humor como forma de ultrapassar os traumas e seguir em frente: "Sabem que mais? Vamos ficar bem", concluiu. Do mesmo modo, também Conan O'Brian e Sacha Baron Cohen abordaram os estudantes de Harvard em 2000 com humor, um tornando-se sarcástico em relação aos erros e falhanços pessoais, o outro realçando a igualdade entre todos.

Mas existem momentos mais sérios nos discursos de formatura. Al Gore sublinhou esse momento marcante na vida dos estudantes - não pelo orador ou pela cerimónia de graduação em si, mas pelas festas, pela presença das famílias e pela emoção - e em 1963, em plena luta pelos direitos civis, John F. Kennedy trouxe a esperança de uma paz genuína para todos.

E existem muitas outras personalidades que tiveram o seu tempo de antena num pelouro da universidade e que merecem uma escuta atenta no YouTube. Bill Gates, Will Ferrell, Bono, Stephen Colbert, Woody Hayes. Memoráveis, inteligentes, sérios, humorados, inspiradores. Como Al Gore disse, provavelmente os estudantes querem saber é das festas, mas os discursos da cerimónia de graduação são amplamente planeados pelos seus interlocutores, trazendo ao de cima assuntos da actualidade e fazendo transparecer a personalidade e carisma dos oradores.


Diana Caldeira Guerra

A Diana gosta de caracóis temperados no verão, canja de galinha no inverno e autores clássicos em todas as estações do ano
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