Viewport Workshop: da teoria à prática

Dez dias, 40 alunos, 3 arquitetos convidados, 6 professores e muita vontade foi a receita para a construção de um Wine Bar/Espaço Lounge num ambiente de workshop que não se deixou abalar nem pelo sol nem pela chuva e onde foi possível constatar o poder da colaboração e da motivação na realização de um excelente trabalho.



01_viewport_day1_8_01.jpg © Viewport Workshop (Marco Mandim, André Ferreira, Pedro Oliveira + ESAD/Gab. Multimédia).

Foi no sentido de proporcionar aos seus alunos de design de interiores uma aprendizagem mais prática, com resultados reais, que a ESAD, em parceria com a Câmara Municipal de Matosinhos, organizou o Viewport Workshop. Para tal convidou Sami Rintala e os professores do Instituto Politécnico de Milão, Paolo Mestriner e Massimiliano Spadoni, para a criação de um Wine Bar/Espaço Lounge no espaço Quadra, no Mercado Municipal de Matosinhos.

Ao longo de dez dias, a população de Matosinhos viu nascer do zero uma estrutura de apoio ao espaço Quadra, pelas mãos de mais de 40 alunos do ensino superior. O projeto foi desenvolvido nos primeiros dois dias, tendo sido apresentadas várias propostas, das quais foram escolhidas duas para serem combinadas e adaptadas à medida que a construção avançava. Esta foi pensada de acordo com o espaço envolvente, como uma extensão do edifício adjacente, tendo a mesma altura que a base do piso superior do mesmo e aproveitando ao máximo a luz natural, através da sua estrutura aberta. Totalmente construído em madeira, conta com dois andares e o mobiliário simples (balcões, mesas e bancos) faz parte da sua estrutura.

02_viewport_day3_1_1_02.jpg © Viewport Workshop (Marco Mandim, André Ferreira, Pedro Oliveira + ESAD/Gab. Multimédia).

Esta não é a primeira vez que os três arquitetos convidados realizam workshops deste género. Para Rintala, o grande impulsionador do projeto, a arquitetura não é diferente do futebol ou da culinária; não pode ser aprendida somente nos livros, tem de ser experimentada, praticada e construída.

O arquiteto é conhecido por diversos trabalhos interventivos, site-specific, geralmente a uma escala pequena, que refletem sobre a cultura, a sociedade e, acima de tudo, a relação com a natureza e com o espaço envolvente. As suas origens nórdicas influenciaram-no muito no seu entendimento da arquitetura e da relação desta com a natureza. As suas criações são pensadas como abrigos integrados na paisagem, onde esta pode ser fruída e o ser humano pode escapar do stress da vida citadina e voltar às suas raízes naturais.

07_viewport_KUVA01_07.jpg © KUVA, Sami Rintala.

Segundo Rintala, a pequena escala dos seus projetos não foi uma questão de opção. Recém formado, não tinha clientes, mas nunca lhe faltou vontade de criar e construir, pelo que desenvolveu projetos que pudesse construir por si mesmo, como forma de ter trabalho para mostrar e de evoluir profissionalmente. O reconhecimento chegou, primeiro, em 1999, com o projeto “Land(e)scape” em que construiu 3 celeiros com pernas de 10 metros de altura, em madeira, para “seguirem os seus donos até à cidade”, como reflexão sobre a desertificação das zonas rurais. E, mais tarde, com o projeto “Sixty Minute Man”, elaborado em parceria com Marco Casagrande. O trabalho, que fez parte da Bienal de Veneza de 2000, consistia num barco com um jardim no interior, alimentado pelo lixo produzido durante 60 minutos em Veneza. Este foi ancorado ao Arsenal e aberto como parque público, em resposta ao tema da Bienal: “mais ética e menos estética”. Actualmente, Rintala encontra-se associado a Dagur Eggertsson, com o atelier Rintala Eggertsson Architects e afirma que cada vez mais vão tendo oportunidade de desenvolver projetos de maior escala e mais ligados à arquitetura de habitação, onde acredita plenamente que seja possível aplicar os mesmos princípios que encontramos nos seus outros projetos.

03_viewport_day7_5_03.jpg © Viewport Workshop (Marco Mandim, André Ferreira, Pedro Oliveira + ESAD/Gab. Multimédia).

04_day7_6_viewport_04.jpg © Viewport Workshop (Marco Mandim, André Ferreira, Pedro Oliveira + ESAD/Gab. Multimédia).

Enquanto docente, procura não só ensinar a arquitetura através da prática, como mostrar aos futuros arquitetos que tudo é possível e que com materiais e técnicas simples são capazes de construir o que quiserem por eles próprios - basta terem vontade. Isso mesmo disse aos participantes do Viewport Workshop, a maioria alunos do mestrado de design de interiores da ESAD, mas também alunos convidados de outros cursos da instituição e alunos da faculdade de arquitetura do Porto, de Coimbra e de Melbourne (Austrália), assim como do Instituto Politécnico de Milão, aquando da finalização do projeto, 25 horas antes do previsto, uma raridade em Portugal.

Quando questionado sobre como era trabalhar com os portugueses, Rintala afirmou que era fantástico e que estes “chegam tarde mas, quando finalmente chegam, trabalham imenso”. Ficou de tal forma satisfeito com a experiência que fala-se já na possibilidade de um novo projeto. Quanto aos alunos, adoraram a experiência, que consideram das mais ou mesmo a mais importante no seu atual currículo e estão prontos para a repetir, como podem comprovar através do texto emotivo de um dos participantes, publicado no seu blog.

05_viewport_day8_3_05.jpg © Viewport Workshop (Marco Mandim, André Ferreira, Pedro Oliveira + ESAD/Gab. Multimédia).

Por enquanto, fica este projeto singular, inaugurado a 8 de Junho, coordenado pela arquiteta e docente da ESAD, Maria Milano, com o patrocínio da RAR Imobiliária e da Niepoort e com o apoio da Exporlux, da Vicaima, da Lipor e da Solvenag Energias Renováveis.

06_viewport_day9_1_06.jpg © Viewport Workshop (Marco Mandim, André Ferreira, Pedro Oliveira + ESAD/Gab. Multimédia).

08_viewport_opening_1_08.jpg © Viewport Workshop (Marco Mandim, André Ferreira, Pedro Oliveira + ESAD/Gab. Multimédia). © Viewport Workshop (Marco Mandim, André Ferreira, Pedro Oliveira + ESAD/Gab. Multimédia).

09_viewport_opening_6_09.jpg © Viewport Workshop (Marco Mandim, André Ferreira, Pedro Oliveira + ESAD/Gab. Multimédia).

inês petiz

é artista. E não poderia ser nenhuma outra coisa.
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