
© NASA, domínio público.
Uma rápida pesquisa no dicionário resulta num "sobreentendimento" do que é uma nuvem: fala-se de um conjunto de pequenas partículas de água suspensas na atmosfera, o que estará correcto, mas que é algo que ninguém, para falar verdade – e a menos que adivinhe chuva – pensa ao olhar o céu nublado.
Há em nós uma biológica necessidade de padronizar, de classificar. O que são nuvens?
Com esta questão em mente não acordará alguém. Ou talvez acorde. Talvez tenha acordado Luke Howard, já que perseverou na magna tarefa da padronização e classificação das vaporosas ditas, numa altura em que a sua observação se fazia exclusivamente como qualquer simples criatura pode fazer.
Depois dele, poderia falar de cirrus, de cumulus, de altostratus, cumulonimbus, nimbostratus, stratocumulus… e também de ciência, ocultismo, mitologia, ou até mesmo de nuvens, mas não. Esta voz que não ouvem mas vêem, é aquela que não relata, mostra.

© NASA, domínio público.
Para fazer jus a estas injustiçadas formas que adornam o céu desde que na Terra o dia é dia e a noite é noite, há que mostrá-las, uma vez que amiúde só é dado o devido valor ao que alguém nos coloca defronte, que é mostrado pelos olhos de outrem, algo em que se coloca um preço, ou ainda ao exótico - as nuvens marcianas fazem furor.
A beleza, simplicidade e singularidade do comum, num equilíbrio não óbvio, é aquilo que aqui se vê neste conjunto de fotografias de satélite captado pela NASA. Melhor mesmo, só saindo à rua.
Se é um daqueles a quem estas miseráveis palavras fazem pensar no que anda a perder, junte-se a muitos outros na Cloud Appreciation Society. O mote: “Cloud lovers, unite!”.

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